domingo, 15 de junho de 2008

Bara

 
Divindade muito popular na cultura Afrobrasileira, talvez por carrega várias características pertencentes aos homens, Bara se apresenta como o Òrìṣà mais humano de todos os deuses africanos, o mais marcante, que responde sempre da mesma forma de como e tratado, se ganha o que lhe pertence, encontraremos um Òrìṣà prestativo e presente, segurando todas nossas futuras necessidades, caso contrário devemos nos preparar, sem exagero, para alguma coisa desagradável.

O povo Nàgó’Kọbi o considera dono das chaves, dos portais, encruzilhadas e caminhos. Deve sempre ter suas saudações, obrigações e cortes, este último quando necessário são feitos em primeiro lugar, assim nós humanos garantimos a segurança do nosso ritual, assim como no ritual e o Òrìṣà responsável pela boa abertura dos trabalhos, está para nossos negócios e vida, destrancando caminhos e abrindo portas, ou até trancando e fechando, dependendo de nossos merecimentos e cumprimento de tarefas.

É costume entre a nossa família sentar um Bara para cada Ẹlẹ́gùn iniciado, formando assim o primeiro do seu Irúnmọlẹ.

Alguns Oriṣás Bara cultuados na nossa cultura:

Bara Elegbára ou legba = Senhor da força.
Bara Lanã ou Elẹbọ = Senhor das oferendas e caminhos.
Bara Abanadá ou Elẹrú = Senhor do ẹrú (carrego) - aquele que leva o carrego.
Bara Olọ̀be = Proprietário e senhor da faca.
Bara Odara = aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente) que trás boa sorte.
Bara Ijelú ou Ajelú = O senhor de Ijelú.
Bara Olóde ou Lóde = Aquele que fica fora no relento, ou a frente, o Ojúbọ muito importante encontrado nos templos Nàgó’Kọbi e Batuque Afrosul.
Bara Adaque = Aquele que cuida dos caminhos.
Bara Toki = Aquele que carrega coisas pequenas, miniaturas, dono dos fetiches.


Saudação: Alúpo ou Láàlú-po - Láàlú (o famoso da cidade, ou, o rico da cidade) uma saudação feita para Èṣù e àngó, po (completamente).

Dia da Semana: Segunda-feira (quando descarrega o Asé do Ẹ̀kọmi e algumas seguranças da Ilé)

Número: 07 e seus múltiplos

Cor: Vermelho

Ilẹkẹ̀: Corrente de aço (para o Lóde), 7 vermelho escuro e 1 preta (legba), vermelha para qualquer um deles.

Oferenda: Pipoca (a pipoca pode ser oferecida para quase todas as divindades, simboliza clareza, fartura), milho torrado (saúde e dinheiro), 07 batatas inglesas assadas (representa a esperteza de Èṣù,  reza um Itan que ele enterrou 7 raízes assadas para enganar ao rei, que mais fez brotar) tudo temperado com Epo Pupa (azeite de dendê)

Ferramentas: Corrente, chave, foice, tridente, moeda, Ọ́g (um cedro com formato fálico), búzios, entre outros.

Ave: Galo Vermelho

Quatro pé: Cabrito branco osco ou marrom


Mo ju iba, Èṣù Oba Baba awon Èṣù! Iba se, o!
Saudações, Eshu Senhor e Pai de todos os Èṣù!
Que esta homenagem se cumpra !

O - A máa s'ère ó níba  Èṣù abánà dá, a máa s'ère ó níba  Èṣù abánà dá
R - A máa s'erè ó níbà  Èṣù abánà dá, a máa s'erè ó níbà  Èṣù abánà dá

Bara
Bara é um Òrìà africano, também conhecido como: Exu, Èṣù, Eshu, Bará, Ibarabo, Legbá, Elegbara, Eleggua, Akésan, Igèlù, Yangí, Ònan, Lállú, Tiriri, Ijèlú. Algumas cidades onde se cultua o Bara são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta, Ekiti, Lagos. Na nação Bantu ou candomblé de Angola Èṣù recebe o nome de Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila.

Èṣù é o Òrìṣà da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do àṣe, das coisas que são feitas e do comportamento humano.

Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Ọ̀run e Àiyé, mundo material e espiritual, seja plenamente realizada.

Sem o Bara no Yara-Bo perdemos o contato com os nossos Òrìṣà, eles continuam ali, mas sem contato. O mesmo ocorre com os Caurí (jogo), pois ele intermeia os desejos das divindades.



Lendas

Èṣù vinga-se e exige o privilégio das primeiras homenagens
Èṣù era o irmão mais novo de Ògún, Odé e outros Òrìṣà.
Era tão turbulento criava tanta confusão que um dia o rei já não suportando sua malfazeja índole, resolveu castigá-lo com severidade. Para impedir que fosse aprisionado, os irmãos o aconselharam a deixar o país. Mas enquanto Èṣù estava no exílio, os seus irmãos continuavam a receber festa e louvações. Èṣù não era mais lembrado, ninguém tinha notícias de seu paradeiro. Então, usando mil disfarces, Èṣù visitava seu país, rondando, nos dias de festa, as portas dos velhos santuários.
Mas ninguém o reconhecia assim disfarçado e nenhum alimento lhe era ofertado. Vingou-se ele, semeando sobre o reino toda a sorte de desassossego, desgraça e confusão.
Assim o rei decidiu proibir todas as atividades religiosas, até que descobrissem as causas desses males. Então os Babalòrìṣàs reuniram-se em comitiva e foram consultar um babalaô que residia nas portas da cidade. O babalaô jogou os búzios e Èṣù foi quem falou no jogo. Disse nos Odù que tinha sido esquecido por todos. Que exigia receber sacrifícios antes do demais e que fossem para ele os primeiros cânticos cerimoniais. O babalaô jogou os búzios e disse que oferecessem um bode e sete galos a Èṣù.
Os Babalòrìṣàs caçoaram do Babalaô, não deram a menor importância às suas recomendações e ficaram por ali sentados, cantando e rindo dele. Quando quiseram levantar-se para ir embora, estavam grudados nas cadeiras. Sim era mais uma das ofensas de Èṣù!
O Babalaô então pôs a mão no ombro de cada um e todos puderam levantar-se livremente. Disse a eles que fizessem como fazia ele próprio: que o primeiro sacrifício fosse para acalmar Èṣù. Assim convencidos, foi o que fizeram os pais e mães-de-santo, naquele dia e sempre desde então.

Èṣù
atrapalha-se com as palavras
No começo dos tempos estava tudo em formação, lentamente os modos de vida na Terra forma sendo organizados, mas havia muito a ser feito.

Toda vez que Orumiláia vinha do Orum para ver as coisas do Àiyé, era interrogado pelos Òrìṣà, humanos e animais, ainda não fora determinado qual o lugar para cada criatura e Orumiláia ocupou-se dessa tarefa.

Èṣù propôs que todos os problemas fossem resolvidos ordenadamente, ele sugeriu a Orumiláia que a todo Òrìṣà, humano e criatura da floresta fosse apresentada uma questão simples para a qual eles deveriam dar resposta direta, a natureza da resposta individual de cada um determinaria seu destino e seu modo de viver, Orumiláia aceitou a sugestão de Èṣù.

E assim, de acordo com as respostas que as criaturas davam, elas recebiam um modo de vida de Orumiláia, uma missão, enquanto isso acontecia, Èṣù, travesso que era, pensava em como poderia confundir Orumiláia.

Orumiláia perguntou a um homem: "Escolhes viver dentro ou fora?". "Dentro", o homem respondeu, e Orumiláia decretou que doravante todos os humanos viveriam em casas.

De repente, Orumiláia se dirigiu a Èṣù: "E tu, Èṣù? Dentro ou fora?". Èṣù levou um susto ao ser chamado repentinamente, ocupado que estava em pensar sobre como passar a perna em Orumiláia, e rápido respondeu: "Ora! Fora, é claro", mas logo se corrigiu: "Não, pelo contrário, dentro", Orumiláia entendeu que Èṣù estava querendo criar confusão, falou, pois que agiria conforme a primeira resposta de Èṣù, disse: "Doravante vais viver fora e não dentro de casa".

E assim tem sido desde então, Èṣù vive a céu aberto, na passagem, ou na trilha, ou nos campos, diferentemente das imagens dos outros Òrìṣàs, que são mantidas dentro das casas e dos templos, toda vez que os humanos fazem uma imagem de Èṣù ela é mantida fora.

Èṣù
instaura o conflito entre Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún.
Um dia, foram juntas ao mercado Oyá e Ọ̀ṣún, esposas de Ṣàngó, e Yemonjá, esposa de Ògún.
Èṣù entrou no mercado conduzindo uma cabra.
Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.
Aproximou-se de Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún e disse que tinha um compromisso importante com Orunmila.
Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido.
Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún concordaram e Èṣù partiu.
A cabra foi vendida por vinte búzios. Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún puseram os dez búzios de Èṣù a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam. Iemanjá contou os búzios. Havia três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Oyá e Ọ̀ṣún tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.
Iemanjá disse: “É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais”.
Ọ̀ṣún rejeitou a proposta de Yemonjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.
Piá intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.
As três não conseguiam resolver a discussão. Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios eqüitativamente entre elas. Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais. E sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha. Mas Oyá e Ọ̀ṣún, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho. Elas se recusaram a dar a Iemanjá à maior parte.
Pediu a outra pessoa q eu dividisse eqüitativamente os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual. Propôs que a parte maior fosse dada a mais nova. Yemonjá e Oyá.
Ainda outro homem foi solicitado a fazer a divisão. Ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova. O búzio devia ser dado a Oyá. Mas Iemanjá e Ọ̀ṣún rejeitaram seu conselho. Elas se recusaram a dar o búzio extra a Oyá.
Não havia meio de resolver a divisão.
Èṣù voltou ao mercado para ver como estava a discussão. Ele disse: “Onde está minha parte?”.
Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo eqüitativo.
Èṣù deu três a Yemonjá, três a Oyá e três a Ọ̀ṣún. O décimo búzio ele segurou.
Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.
Èṣù disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Ọ̀run.
Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Òrìṣàs, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser.
Quando qualquer coisa vem para alguém, deve-se dividi-la com os antepassados. “Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios.”
Iemanjá, Oyá e Ọ̀ṣún reconheceram que Èṣù estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada.
Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Òyó passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna.

Esú torna-se o amigo predileto de Orumiláia.

Como se explica a grande amizade entre Orunmila e Èù, visto que eles são opostos em grandes aspectos?
Orumiláia, filho mais velho de Ọlọrun, foi quem trouxe aos humanos o conhecimento do destino pelos búzios.

Èṣù, pelo contrário, sempre se esforçou para criar mal-entendidos e rupturas, tanto aos humanos como aos Òrìàs. Orumiláia era calmo e Èù, quente como o fogo.

Mediante o uso de conchas adivinhas, Orumiláia revelava aos homens as intenções do supremo deus Ọlọrun e os significados do destino. Orumiláia aplainava os caminhos para os humanos, enquanto Èù os emboscava na estrada e fazia incertas todas às coisas. O caráter de Orumiláia era o destino, o de Èù, era o acidente. Mesmo assim ficaram amigos íntimos.
Uma vez, Orumiláia viajou com alguns acompanhantes. Os homens de seu séqüito não levavam nada, mas Orumiláia portava uma sacola na qual guardava o tabuleiro e os Obi que usava para ler o futuro.
Mas na comitiva de Orumiláia muitos tinham inveja dele e desejavam apoderar-se de sua sacola de adivinhação. Um deles mostrando-se muito gentil ofereceu-se para carregar a sacola de Orumiláia. Outro também se dispôs à mesma tarefa e eles discutiram sobre quem deveria carregar a tal sacola.
Até que Orumiláia encerrou o assunto dizendo: "Eu não estou cansado. Eu mesmo carrego a sacola".
Quando Orumiláia chegou a casa, refletiu sobre o incidente e quis saber quem realmente agira como um amigo de fato. Pensou então num plano para descobrir os falsos amigos. Enviou mensagens com a notícia de que havia morrido e escondeu-se atrás da casa, onde não podia ser visto. E lá Orumiláia esperou.
Depois de um tempo, um de seus acompanhantes veio expressar seu pesar. O homem lamentou o acontecido, dizendo ter sido um grande amigo de Orumiláia e que muitas vezes o ajudara com dinheiro. Disse ainda que, por gratidão, Orumiláia lhe teria deixado seus instrumentos de adivinhar.
A esposa de Orumiláia pareceu compreendê-lo, mas disse que a sacola havia desaparecido. E o homem foi embora frustrado.
Outro homem veio chorando, com artimanha pediu a mesma coisa e também foi embora desapontado. E assim, todos os que vieram fizeram o mesmo pedido. Até que Èù chegou.
Èù também lamentou profundamente a morte do suposto amigo. Mas disse que a tristeza maior seria da esposa, que não teria mais pra quem cozinhar. Ela concordou e perguntou se Orumiláia não lhe devia nada. Èù disse que não. A esposa de Orumiláia persistiu, perguntando se Èù não queria a parafernália de adivinhação
Èù negou outra vez. Aí Orumiláia entrou na sala, dizendo: "Èù, tu és sim meu verdadeiro amigo!".

Depois disso nunca teve amigos tão íntimos, tão íntimos como Èù e Orumiláia.
Èṣù leva aos homens o oráculo de Ifá
Em épocas remotas os deuses passaram fome. Às vezes, por longos períodos, eles não recebiam bastante comida dos seus filhos que viviam na Terra.
Os deuses cada vez mais se indispunham uns com os outros e lutavam entre si guerras assombrosas. Os descendentes dos deuses não pensavam mais neles e os deuses se perguntavam o que poderiam fazer. Como ser novamente alimentados pelos homens? Os homens não faziam mais oferendas e os deuses tinham fome. Sem a proteção dos deuses, a desgraça tinha se abatido sobre a Terra e os homens viviam doentes, pobres, infelizes.
Um dia Èṣù pegou a estrada e foi em busca de solução. Èṣù foi até Iemanjá em busca de algo que pudesse recuperar a boa vontade dos homens. Iemanjá lhe disse: "Nada conseguirás. Xapanã já tentou afligir os homens com doenças, mas eles não vieram lhe oferecer sacrifícios".
Yemonjá disse: "Èṣù matará todos os homens, mas eles não lhe darão o que comer. Ṣàngó já lançou muitos raios e já matou muitos homens, mas eles nem se preocupam com ele. Então é melhor que procures solução em outra direção. Os homens não têm medo de morrer. Em vez de ameaçá-los com a morte, mostra a eles alguma coisa que seja tão boa que eles sintam vontade de tê-la. E que, para tanto, desejem continuar vivos".

Èṣù
retornou o seu caminho e foi procurar Orungã.
Orungã lhe disse: "Eu sei por que vieste. Os dezesseis deuses têm fome. É preciso dar aos homens alguma coisa de que eles gostem alguma coisa que os satisfaça... Eu conheço algo que pode fazer isso. É uma grande coisa que é feita com dezesseis caroços de dendê. Arranja os cocos da palmeira e entenda seu significado. Assim poderás conquistar os homens".
Èṣù foi ao local onde havia palmeiras e ele conseguiu ganhar dos macacos dezesseis cocos. Èṣù pensou e pensou, mas não atinava no que fazer com eles. Os macacos então lhe disseram: "Èṣù, não sabes o que fazer com os dezesseis cocos de palmeira? Vai andando pelo mundo e em cada lugar pergunta o que significam esses cocos de palmeira. Deves ir a dezesseis lugares para saber o que significam esses cocos de palmeira. Em cada um desses lugares recolheras dezesseis Odù. Recolherá dezesseis histórias, dezesseis oráculos. Cada história tem a sua sabedorias, conselhos que podem ajudar os homens. Vai juntando os Odù e ao final de um ano terás aprendido o suficiente. Aprenderás dezesseis vezes dezesseis Odù. Então volta para onde moram os deuses. Ensina aos homens o que terás aprendido e os homens irão cuidar de Èṣù de novo".
Èṣù fez o que lhe foi dito e retornou ao Ọ̀run, o Céu dos Òrìṣàs. Èṣù mostrou aos deuses os Odù que havia aprendido e os deuses disseram: "Isso é muito bom".


Os deuses, então, ensinaram o novo saber aos seus descendentes, os homens. Os homens então puderam saber todos os dias os desígnios dos deuses e os acontecimentos do porvir. Quando jogavam os dezesseis cocos de dendê e interpretavam o Odù que eles indicavam, sabiam da grande quantidade de mal que havia no futuro. Eles aprenderam a fazer sacrifícios aos Òrìṣàs para afastar os males que os ameaçavam. Eles recomeçavam a sacrificar animais e a cozinhar suas carnes para os deuses. Os Òrìṣàs estavam satisfeitos e felizes. Foi assim que Èṣù trouxe aos homens o If'á.

Lenda de  Èṣù Jelu ( Ijelu ou Ajelu )
Mandaram  Èṣù fazer um ebó, com o objetivo de obter fortuna rapidamente e de forma imprevista. Depois de oferecer o sacrifício, Èṣù empreendeu viagem rumo a cidade de Ijelu.
Lá chegando, foi hospedar-se na casa de um morador qualquer da cidade, contrariando os costumes da época, que determinavam que qualquer estrangeiro recém chegado receberia acolhida no palácio real. Alta madrugada, enquanto todos dormiam, Èṣù levantou-se sorrateiramente e ateou fogo as palhas que serviam de telhado à construção em que estava abrigado, depois do que, começou a gritar por socorro, produzindo enorme alarido, o que acordou todos os moradores da localidade.
Èṣù gritava e esbravejava, afirmando que o fogo, cuja origem desconhecia, havia consumido uma enorme fortuna, que trouxera embrulhada em seus pertences, que como muitos testemunharam, foram confiados ao dono da casa. Na verdade, ao chegar, Èṣù entregou ao seu hospedeiro um grande fardo, dentro do qual, segundo declaração sua, havia um grande tesouro, fato este, que foi testemunhado por enumeras pessoas do local.
Rapidamente, a notícia chegou aos ouvidos do Rei que, segundo a lei do país deveria indemnizar a vitima de todo o prejuízo ocasionado pelo sinistro. |
Ao tomar conhecimento do grande valor da indemnização e ciente de não possuir meios para saldá-la, o rei encontrou, como única solução, entregar seu trono e sua coroa a  Èṣù, com a condição de poder continuar, com toda sua família, residindo no palácio. Diante da proposta,  Èṣù aceitou imediatamente, passando a ser deste então o rei de Ijelu [é um dos sete distritos do estado do Cordofão do Norte, no Sudão].

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