domingo, 15 de junho de 2008

Bara

Revisado e aumentado em 18/ setembro
 
Divindade muito popular na cultura no Batuque do RS, talvez por carregar várias características pertencentes aos homens, Bara se apresenta como o Òrìṣà mais humano de todos os deuses africanos, o mais marcante, que responde sempre da mesma forma de como e tratado, se ganha o que lhe pertence, encontraremos um Òrìṣà prestativo e presente, segurando todas nossas futuras necessidades, caso contrário devemos nos preparar, sem exagero, para alguma coisa desagradável.

O povo do Batuque o considera dono das chaves, dos portais, encruzilhadas e caminhos. Deve sempre ter suas saudações, obrigações e cortes, este último quando necessário são feitos em primeiro lugar, assim nós humanos garantimos a segurança do nosso ritual, assim como no ritual e o Òrìṣà responsável pela boa abertura dos trabalhos, está para nossos negócios e vida, destrancando caminhos e abrindo portas, ou até trancando e fechando, dependendo de nossos merecimentos e cumprimento de tarefas.

É costume entre a nossa família sentar um Bara para cada Ẹlẹ́gùn (iniciado), formando assim o primeiro do seu Irúnmọlẹ (divindades que faz parte das obrigações do templo).

Alguns Oriṣás Bara cultuados na nossa cultura:

Bara Elegbára ou legba = Senhor da força.
Bara Lanã ou Elẹbọ = Senhor das oferendas e caminhos.
Bara Abanadá ou Elẹrú = Senhor do ẹrú (carrego) - aquele que leva o carrego.
Bara Olọ̀be = Proprietário e senhor da faca.
Bara Odara = aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente) que trás boa sorte.
Bara Ijelú ou Ajelú = O senhor de Ijelú.
Bara Olóde ou Lóde = Aquele que fica fora no relento, ou a frente, o Ojúbọ muito importante encontrado nos templos Nàgó’Kọbi e Batuque Afrosul.
Bara Adaque = Aquele que cuida dos caminhos.
Bara Toki = Aquele que carrega coisas pequenas, miniaturas, dono dos fetiches.


Saudação: Alúpo ou Láàlú-po - Láàlú (o famoso da cidade, ou, o rico da cidade) uma saudação feita para Èṣù e àngó, po (completamente).


Dia da Semana: Segunda-feira (quando descarrega o Asé do Ẹ̀kọmi e algumas seguranças da Ilé)


Número: 07 e seus múltiplos


Cor: Vermelho


Ilẹkẹ̀: Corrente de aço (para o Lóde), 7 vermelho escuro e 1 preta (legba), vermelha para qualquer um deles.


Oferenda: Pipoca (a pipoca pode ser oferecida para quase todas as divindades, simboliza clareza, fartura), milho torrado (saúde e dinheiro), 07 batatas inglesas assadas (representa a esperteza de Èṣù,  reza um Itan que ele enterrou 7 raízes assadas para enganar ao rei, que mais fez brotar) tudo temperado com Epo Pupa (azeite de dendê)


Ferramentas: Corrente, chave, foice, tridente, moeda, Ọ́g (um cedro com formato fálico), búzios, entre outros.


Ave: Galo Vermelho


Quatro pé: Cabrito branco osco ou marrom


Mo ju iba, Èṣù Oba Baba awon Èṣù! Iba se, o!
Saudações, Eshu Senhor e Pai de todos os Èṣù!
Que esta homenagem se cumpra !

O - A máa s'ère ó níba  Èṣù abánà dá, a máa s'ère ó níba  Èṣù abánà dá
R - A máa s'erè ó níbà  Èṣù abánà dá, a máa s'erè ó níbà  Èṣù abánà dá

Bara
Bara é um Òrìà africano, também conhecido como: Exu, Èṣù, Eshu, Bará, Ibarabo, Legbá, Elegbara, Eleggua, Akésan, Igèlù, Yangí, Ònan, Lállú, Tiriri, Ijèlú. Algumas cidades onde se cultua o Bara são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta, Ekiti, Lagos

Èṣù é o Òrìṣà da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do àṣe, das coisas que são feitas e do comportamento humano.

Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Ọ̀run e Àiyé, mundo material e espiritual, seja plenamente realizada.




Lendas

Èṣù vinga-se e exige o privilégio das primeiras homenagens
Èṣù era o irmão mais novo de Ògún, Odé e outros Òrìṣà.

Era tão turbulento criava tanta confusão que um dia o rei já não suportando sua malfazeja índole, resolveu castigá-lo com severidade. Para impedir que fosse aprisionado, os irmãos o aconselharam a deixar o país. Mas enquanto Èṣù estava no exílio, os seus irmãos continuavam a receber festa e louvações. Èṣù não era mais lembrado, ninguém tinha notícias de seu paradeiro. Então, usando mil disfarces, Èṣù visitava seu país, rondando, nos dias de festa, as portas dos velhos santuários.

Mas ninguém o reconhecia assim disfarçado e nenhum alimento lhe era ofertado. Vingou-se ele, semeando sobre o reino toda a sorte de desassossego, desgraça e confusão.

Assim o rei decidiu proibir todas as atividades religiosas, até que descobrissem as causas desses males. Então os Babalòrìṣàs reuniram-se em comitiva e foram consultar um babalaô que residia nas portas da cidade. O babalaô jogou os búzios e Èṣù foi quem falou no jogo. Disse nos Odù que tinha sido esquecido por todos. Que exigia receber sacrifícios antes do demais e que fossem para ele os primeiros cânticos cerimoniais. O babalaô jogou os búzios e disse que oferecessem um bode e sete galos a Èṣù.

Os Babalòrìṣàs caçoaram do Babalaô, não deram a menor importância às suas recomendações e ficaram por ali sentados, cantando e rindo dele. Quando quiseram levantar-se para ir embora, estavam grudados nas cadeiras. Sim era mais uma das ofensas de Èṣù!

O Babalaô então pôs a mão no ombro de cada um e todos puderam levantar-se livremente. Disse a eles que fizessem como fazia ele próprio: que o primeiro sacrifício fosse para acalmar Èṣù. Assim convencidos, foi o que fizeram os pais e mães-de-santo, naquele dia e sempre desde então.
(Mitologia dos Orixás, p. 82)


Èṣù atrapalha-se com as palavras
No começo dos tempos estava tudo em formação, lentamente os modos de vida na Terra forma sendo organizados, mas havia muito a ser feito.

Toda vez que Orumiláia vinha do Orum para ver as coisas do Àiyé, era interrogado pelos Òrìṣà, humanos e animais, ainda não fora determinado qual o lugar para cada criatura e Orumiláia ocupou-se dessa tarefa.

Èṣù propôs que todos os problemas fossem resolvidos ordenadamente, ele sugeriu a Orumiláia que a todo Òrìṣà, humano e criatura da floresta fosse apresentada uma questão simples para a qual eles deveriam dar resposta direta, a natureza da resposta individual de cada um determinaria seu destino e seu modo de viver, Orumiláia aceitou a sugestão de Èṣù.

E assim, de acordo com as respostas que as criaturas davam, elas recebiam um modo de vida de Orumiláia, uma missão, enquanto isso acontecia, Èṣù, travesso que era, pensava em como poderia confundir Orumiláia.

Orumiláia perguntou a um homem: "Escolhes viver dentro ou fora?". "Dentro", o homem respondeu, e Orumiláia decretou que doravante todos os humanos viveriam em casas.

De repente, Orumiláia se dirigiu a Èṣù: "E tu, Èṣù? Dentro ou fora?". Èṣù levou um susto ao ser chamado repentinamente, ocupado que estava em pensar sobre como passar a perna em Orumiláia, e rápido respondeu: "Ora! Fora, é claro", mas logo se corrigiu: "Não, pelo contrário, dentro", Orumiláia entendeu que Èṣù estava querendo criar confusão, falou, pois que agiria conforme a primeira resposta de Èṣù, disse: "Doravante vais viver fora e não dentro de casa".

E assim tem sido desde então, Èṣù vive a céu aberto, na passagem, ou na trilha, ou nos campos, diferentemente das imagens dos outros Òrìṣàs, que são mantidas dentro das casas e dos templos, toda vez que os humanos fazem uma imagem de Èṣù ela é mantida fora.
(Mitologia dos Orixás, p. 66)

Èṣù
instaura o conflito entre Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún.

Um dia, foram juntas ao mercado Oyá e Ọ̀ṣún, esposas de Ṣàngó, e Yemonjá, esposa de Ògún.

Èṣù entrou no mercado conduzindo uma cabra.

Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.

Aproximou-se de Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún e disse que tinha um compromisso importante com Orunmila.

Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido.

Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún concordaram e Èṣù partiu.

A cabra foi vendida por vinte búzios. Yemonjá, Oyá e Ọ̀ṣún puseram os dez búzios de Èṣù a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam. Iemanjá contou os búzios. Havia três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Oyá e Ọ̀ṣún tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.

Iemanjá disse: “É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais”.

Ọ̀ṣún rejeitou a proposta de Yemonjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.

Piá intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.

As três não conseguiam resolver a discussão. Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios eqüitativamente entre elas. Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais. E sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha. Mas Oyá e Ọ̀ṣún, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho. Elas se recusaram a dar a Iemanjá à maior parte.

Pediu a outra pessoa q eu dividisse eqüitativamente os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual. Propôs que a parte maior fosse dada a mais nova. Yemonjá e Oyá.

Ainda outro homem foi solicitado a fazer a divisão. Ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova. O búzio devia ser dado a Oyá. Mas Iemanjá e Ọ̀ṣún rejeitaram seu conselho. Elas se recusaram a dar o búzio extra a Oyá.

Não havia meio de resolver a divisão.

Èṣù voltou ao mercado para ver como estava a discussão. Ele disse: “Onde está minha parte?”.

Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo eqüitativo.

Èṣù deu três a Yemonjá, três a Oyá e três a Ọ̀ṣún. O décimo búzio ele segurou.
Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.

Èṣù disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Ọ̀run.

Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Òrìṣàs, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser.

Quando qualquer coisa vem para alguém, deve-se dividi-la com os antepassados. “Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios.”

Iemanjá, Oyá e Ọ̀ṣún reconheceram que Èṣù estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada.

Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Òyó passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna.
(Mitologia dos Orixás, p. 70)


Bara aprende a trabalhar com Ogun 
Bara era um menino muito esperto, todo mundo tinha receio de suas artimanhas, ele enganava todo mundo, queria sempre tirar sua vantagem, sua mãe sempre o repreendia e o amarrava no portão da casa para ele não ir para a rua fazer traquinagem.

Bara ficava ali na porta esperando alguém se aproximar e então pedia seus favores, fazia suas artes e ali se divertia, só deixava passar quem lhe desse alguma coisa.

Sua mãe então chamou Ogun e disse a ele para ficar com Bara e dele tomar conta.

Ogun era responsável e trabalhador, Ogun Avagã sempre ficou morando com Bara, juntos eles moram na porta da casa e se dão bem.

Bara continuou menino danado, mas com Ogun aprender a trabalhar.

Agora ele ainda se diverte com todos, mas para todos faz o seu trabalho, todos procuram Bara para alguma coisa, todo mundo precisa dos favores de Bara.
(Mitologia dos Orixás, p. 54)

Legba carrega uma panela que se transforma em sua cabeça
Ifá andava triste e desolado, tendo se desentendido com o seu rei. Ele consulto o oráculo para saber o que fazer. Foi dito que fizesse uma oferenda com tudo quanto era fruto redondo.

Mas o ebó deveriam ser entregue por sua Mae, como a Mãe de Ifá morava longe, Ifá pagou a legba um galo e uns doces para ele ir busca-la. 

Exú chegou a casa da mãe de Ifá e disse que a levaria à casa de seu filho desde que ela lhe pagasse alguma coisa. Mas ela não tinha nada a oferecer a ele. Exu disse que queria o bode de doze chifres que tinha visto no quintal da casa dela. Ela disse que o bode não era dela, ela apenas o guardava. Legba insistiu. Legba tomou o bode e o matou. O sangue do bode jorrou e era puro fogo e o fogo tomou conta de Exu. 

Ele consultou o Babalaô e foi dito que fizesse uma oferenda com os órgãos internos do bode. Ele o fez e em seguida se pôs a cozinhas a cabeça. Mas a cabeça do bode não cozinhavam resolveu voltar à cidade de Ifá, levando a mulher. Usando um pano torcido, Legba fez uma rodilha para carregar a panela nos ombros e a panela grudou nele e se transformou em sua cabeça

Naquele tempo Exu ainda não tinha cabeça. Eles chegaram à casa de Ifá e a mãe narrou ao filho o ocorrido. Ifá lamentou-se por também não ter cabeça. Foi dito que se fizessem sacrifícios com frutas redondas para ganhar um ori. A mãe levou ao rei a cabaça contendo as frutas redondas. 

o rei tomou um mamão e o partiu em dois. uma metade do mamão fixou-se entre os ombros e transformou-se na cabeça do rei. Assim forma nascendo as cabeças. Exu foi o primeiro a ter ori fixado nos ombros.

Precisa fazer sacrificio quem quiser ter uma cabeça. 
(Mitologia dos Orixás, p. 50)

Lenda de  Exú Jelu ( Ijelu ou Ajelu )
Mandaram  Èṣù fazer um ebó, com o objetivo de obter fortuna rapidamente e de forma imprevista. Depois de oferecer o sacrifício, Èṣù empreendeu viagem rumo a cidade de Ijelu.

Lá chegando, foi hospedar-se na casa de um morador qualquer da cidade, contrariando os costumes da época, que determinavam que qualquer estrangeiro recém chegado receberia acolhida no palácio real. Alta madrugada, enquanto todos dormiam, Èṣù levantou-se sorrateiramente e ateou fogo as palhas que serviam de telhado à construção em que estava abrigado, depois do que, começou a gritar por socorro, produzindo enorme alarido, o que acordou todos os moradores da localidade.

Èṣù gritava e esbravejava, afirmando que o fogo, cuja origem desconhecia, havia consumido uma enorme fortuna, que trouxera embrulhada em seus pertences, que como muitos testemunharam, foram confiados ao dono da casa. Na verdade, ao chegar, Èṣù entregou ao seu hospedeiro um grande fardo, dentro do qual, segundo declaração sua, havia um grande tesouro, fato este, que foi testemunhado por enumeras pessoas do local.

Rapidamente, a notícia chegou aos ouvidos do Rei que, segundo a lei do país deveria indemnizar a vitima de todo o prejuízo ocasionado pelo sinistro. 

Ao tomar conhecimento do grande valor da indemnização e ciente de não possuir meios para saldá-la, o rei encontrou, como única solução, entregar seu trono e sua coroa a  Èṣù, com a condição de poder continuar, com toda sua família, residindo no palácio. Diante da proposta,  Èṣù aceitou imediatamente, passando a ser deste então o rei de Ijelu [é um dos sete distritos do estado do Cordofão do Norte, no Sudão].

Bibliografia consultada 
PRANDI, Reginaldo, Mitologia dos Orixás, Companhia das Letras, 2008
VERARDI, Jorge, Axés do Rio Grande do Sul, Editora Palloti Ltda. 1990

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