segunda-feira, 28 de julho de 2008

Òòṣàálá

 Òrìṣàálá ou Obàtálá na África, "O Grande Òrìsà" ou "O Rei do Pano Branco" para os Yorubás, criador do mundo, dos homens, animais e plantas. Foi o primeiro Òrìṣà criado por Olodumare e é considerado o maior de todos os Òrìṣà. É o mais velho dos Òrìsás, o rei de vestes brancas, raiz de todos os outros Òòṣàálá. Ele não é feito, faz-se Ayrà ou Òsun Oparà. É o pai de Oṣàlúfón, que por sua vez é o pai de Oṣoguian, tão grande e poderoso é Obàtálá que não se manifesta, sua palavra transforma-se, imediatamente, em realidade.
Representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte.
Ele deu a palavra ao homem e durante suas festas não se fala durante três semanas tudo é silêncio, pois a palavra é dele. África Obàtálá é o filho direto de Ọlọ́run o criador do universo. Depois de criado o universo e a terra em específico; depois de quatro dias, resolveu dar vida a terra e enviou seu filho direto "Obàtálá" para esse fim á terra que até então era composta de água. Vindo com o saco da criação Obàtálá trouxe consigo uma galinha d'angola que foi responsável por espalhar a terra sobre as águas, dando desta maneira forma á terra até então composta de água, depois de criado os montes etc...
Obàtálá criou os vegetais, animais e por ultimo da própria criação "terra" moldou o ser humano com o barro e com o sopro de Olórun o ser humano recebeu a vida. Por isso se você tem um grande problema de saúde é a este Òrìṣà que se pode recorrer; claro que dependendo do tipo de saúde que seja, podemos recorrer também a outros Òrìṣà...
Obàtálá é quem rege tudo o que é branco sobre a terra em todos os sentidos da palavra; pureza... Obàtálá - Oba (rei) alá (branco) Òòṣàálá - Palavra de origem árabe, mais precisamente de inshalla, com o significado de "se Deus quiser, se Deus o permitir".
Òrìṣà-Nla, Òrìàálá ou (Orixalá e Oxalá em português) é o primeiro Òrìṣà Funfun nascido diretamente de Olórun (DEUS) (tudo desses Òrìṣà é de cor branca).
O Reverendo Samuel Johnson, no livro The History of the Yorubas, Lagos, 1937, escreve: "Òòṣàálá é encarregado do poder criador e é considerado um co-trabalhador de Ọlọ́run. Supõe-se que o homem tenha sido feito por Deus e modelado por Òòṣàálá.
Seus adeptos se distinguem pelo uso de colares de contas brancas e pelas roupas brancas. Não podem beber vinho de palmeira.
Os sacrifícios por eles oferecidos não podem conter sal.
Os albinos, os anões, os estropiados e os corcundas são considerados sagrados por esse Òrìṣà.
Òòṣàálá é o nome comum, conhecido e adorado em diversas cidades e sob diversos nomes: Òrìṣà Oluofin em Iwofin, Òrìṣàko em Oko, Òrìṣàkire em Ikire, Òrìṣàgiyan em Ejigbo, Òrìṣàeguin em Owu, Òrìṣàjaye em Ijaye, Obàtálá em Oba." Òòṣàálá é o Òrìṣà associado à criação do mundo e da espécie humana.
Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Òrìàjiyán, e velho – chamado Oṣalufan. Os símbolos do primeiro é uma idá (espada), "mão de pilão" e escudo. O do segundo Òrìṣàjiyán é o branco levemente mesclado com azul, a de Oṣalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos na africa é a sexta-feira.
No Nàgó é domingo.
Sua saudação é ÈPA BÀBÁ !
Òòṣàálá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Òrìṣà do panteão africano. Simboliza a paz é o pai maior nas nações das religiões de tradição africana.
É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Òrìṣà e todas as nações.
A Òòṣàálá pertence os olhos que vêem tudo.

Alguns Oriṣás
Òòṣàálá cultuados entre os templo do segmento Nàgó’Kọbi:

Òrìṣà Óbokún = O rei de Ijesá, conhecido entre os Nago como Òṣàlá porem foi um guerreiro, filho de mais novo de Odùdúwá (branco rajado de cinza claro ou cinza muito clarinho).
Òrìṣà Olokun - senhor do oceano para os Yorubás, pai de Yemonjá. (branco com cristal 1x1)
Òrìṣà Dakùn ou Olofon – o fiador de algodão (branco).
Òrìṣà Jobokún – que traz as águas. (branco)
Òrìṣàálá /Obàtálá - é casado com Yemowo, suas imagens são colocadas uma do lado da outra e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no ilésin, local de adoração, dizem que Yemowo foi a única mulher de Òrìṣàlá - Obàtálá um caso excepcional de monogamia entre Òrìṣà e eboras (branco com cristal 1 x 1)
Òrìṣà de Orumiláia = importantíssimo para o culto Yorubá, pois com ele recebemos nosso àṣe de búzios (branco com preto 1 x 1)
Òrìṣà Oduduwá = O Òrìṣà funfun mais antigo, irmao de Obàtálá. (branco)

Saudação: Epaô Baba!
Dia da Semana: Domingo
Número: 08 e seus múltiplos
Cor: Branco para todos com exceção de Branco com preto para Òòṣàálá de Orumiláia ou cinza bem claro para Óbokún
Guia: toda branca fora 01 branca, 01 preta, 01 branca para Òòṣàálá de Orumiláia
Oferenda: canjica branca, Igbin, merengue e coco ralado
Ferramentas: jóias em prata, caramujo, sol, cajado, pomba de prata, moedas e búzios, para Òòṣàálá de Orumiláia acrescentamos olhos de prata.
Ave: Galinha branca com exceção de galinha branca mais galinha preta para Òòṣàálá de Orumiláia
Quatro pé: cabrita branca e cabrita branca com pequenas manchas pretas para Òòṣàálá de Orumiláia.

Oduduwa, foneticamente escrito como Odùduwà, e às vezes contraído como Odùdúwá, Oòdua, geralmente é mantido entre os Yorubas por ser o ancestral dos reis Yorubas coroados. Brasil É um Òrìṣà, Odùduà - Oduduwa - Odùduwà , foi um rei que teria vindo do leste, no momento das correntes migratórias causadas por uma invasão berbere no Egito. Segundo Pierre Verger, esse fato provocou deslocamentos de populações inteiras, expulsando-se progressivamente umas às outras, em direção ao oeste, para terminar em Borgu, também chamada região dos Baribas. O rei Oduduwa ou Oduwa, era o pai de Oranian o fundador de Òyó.

Lendas
Òòṣàálá é preso injustamente
Òòṣàálá Jobocum era um rei muito idoso que andava com dificuldade, apoiado em seu cajado (opaṣorô). Um dia, sentindo saudades do filho Ṣàngó, resolveu visitá-lo. Mas, um babalaô recomendou que não viajasse, no entanto Oṣalá estava determinado e foi aconselhado a levar três roupas brancas e limo da costa e fazer tudo o que lhe pedissem.
Sua viagem teve início e no meio do caminho, encontrou Èṣù Elepô, dono do azeite-de-dendê, sentado à beira do caminho, com um pote ao lado, este solicitou a ajuda do ancião para colocar o pote no ombro. E Òòṣàálá assim o fez, lembrando-se das palavras do babalawô, mas, Eṣú derramou o dendê sobre Òòṣàálá. O Òrìṣà manteve a calma, limpou-se no rio e vestiu outra roupa para prosseguir a viagem. Mais adiante encontrou Èṣù Onidu, dono do carvão, e Èṣù Aladi, dono do óleo do caroço do dendê. Por duas vezes mais foi vítima dos brincalhões, mas limpou-se e trocou de roupa e prossegui viagem até o reino de Ṣàngó. Ao chegar aos domínios do filho, avistou um cavalo perdido que outrora foi dado como presente a Ṣàngó e o amarrou para levar de volta ao seu dono. Os soldados do palácio o julgaram um ladrão. E o espaçaram até quebrar os ossos e o colocaram no calabouço. Usando seus poderes, Òòṣàálá fez com que não chovesse mais desse dia em diante, as colheitas foram prejudicadas e as mulheres ficaram estéreis.
Preocupado com isso, Ṣàngó consultou seu babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos foi acusado de roubo indevidamente. O Òrìṣà dirigiu-se á prisão e reconheceu o pai. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpa-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao pai. Pai de todos os Òrìṣà e mortais, Òòṣàálá é o maior e mais respeitado Òrìṣà nas Nações africanas, a paz e a harmonia espiritual são as características deste que é o Criador e Administrador do Universo. Quando moço, se manifesta em seu Cavalo-de-Santo dançando como os outros Òrìṣà, quando se apresenta em suas passagens velhas, chega se arrastando caminhando com dificuldade, muitas vezes fica parado no lugar esperando o auxílio de algum Òrìṣà moço. Pertence a OÒòṣàálá de Orumiláia a visão espiritual, como consequência o jogo de Búzios
Òrìṣàjiyán manda libertar o amigo preso injustamente
O filho de Òòṣàálá tornou-se um guerreiro forte e decidiu um dia conquistar um reino para si. Partiu em companhia de seu amigo Auoledjê, conquistou Ejigbô, tornando-se seu rei, o Elejigbô. O rei tinha uma grande paixão, comer inhame pilado, e comia com gula, tanto que o chamavam Òrìṣàjiyán, que quer dizer" Òòṣàálá Comedor de Inhame Pilado". Um dia Auoledjê, que era grande babalaô, precisou partir de Ejigbô, antes disso, aconselhou Òrìṣàjiyán que fizesse oferendas, que tornariam o reino próspero. Assim, como previa Auoledjê, Ejigbô tornou-se uma grande cidade, rica e bem guardada pelos bravos soldados de Òrìṣàjiyán. O rei Elejigbô vivia em fausto entre seus súditos, por quem era chamado de "Kabiyesi", que é o mesmo que Sua Majestade. Na intimidade os amigos o chamavam de "Comedor de Inhame Pilado", mas em público isso era uma heresia. Anos mais tarde, Auoledjê retornou a Ejigbô. Ao adentrar a cidade, procurou logo por Òrìṣàjiyán, "Onde está o Comedor de Inhame Pilado?", perguntaram, os soldados, que não o conheciam, ficaram furiosos com tamanha insolência. Isso era jeito de se referir ao rei? Prenderam e maltrataram o desconhecido amigo de Kabiyesi, Auoledjê ressentiu-se da humilhação, com seus poderes mágicos, vingou-se. Durante sete anos todas as catástrofes conhecidas, e não faltando a seca, assolaram o reino de Òrìṣàjiyán. Òrìṣàjiyán, desesperado, procurou os Òrìṣàjiyán libertou-o, mas ainda ressentido, escondeu-se na mata. Elejigbô buscou o velho amigo, suplicando seu perdão, Auoledjê cedeu com uma condição: que nuca aquele povo se esquecesse dessa injustiça, Todos os anos o povo deveria flagelar-se, em memória do funesto acontecido. Assim, todos os anos, o rei deveria mandar pessoas à floresta cortar varetas. Os súditos, divididos em dois grupos, tomariam as varas, simulariam golpes uns nos outros, sem parar, até que as varetas se quebrassem, para que nunca se esquecessem daquela injustiça praticada contra o amigo de Òrìṣàjiyán. Assim foi feito e o reino de Òrìṣàjiyán voltou à tranqüilidade e Òrìṣàjiyán foi o maior dos reis de Ejigbô. Quando ele foi para o Òrum, transformado em oriá, seu culto não se esqueceu do velho amigo babalaô, coma as varetas de Òrìṣàjiyán, com atoris, seus adeptos renovam sempre a memória da injustiça, para que ela não volte a acontecer.


 Òrìṣàjiyán inventa o pilão
Òòṣàálá, rei de Ejigbô, vivia em guerra, ele tinha muitos nomes, uns o chamavam de Elemoxó, outros de Ajagunã, ou ainda Aquinjolê, filho de Oguiriniã. Gostava de guerrear e de comer, gostava muito de uma mesa farta, comia caracóis, canjica, pombos brancos, mas gostava mais de inhame amassado, jamais se sentava para comer se faltasse inhame. Seus jantares se estavam sempre atrasados, pois era muito demorado preparar o inhame, Elejigbô, o rei de Ejibô, estava assim sempre faminto, sempre castigando as cozinheiras, sempre chegando tarde para fazer a guerra. Òòṣàálá então consultou os babalaôs, fez oferendas a Exu e trouxe para humanidade uma nova invenção. O rei de Ejigbô inventou o pilão e com o pilão ficou mais fácil preparar o inhame e Elejigbô pôde se fartar e fazer todas as suas guerras. Tão famoso ficou o rei por seu apetite pelo inhame que todos agora o chamam de "Oriṣá Comedor de Inhame Pilado", o mesmo que Òrìṣàjiyán na língua do lugar.

Òòṣàálá
cria a galinha d'angola e espanta a Morte
Há muito tempo, a Morte instalou-se numa cidade e dali não quis mais ir embora. A mortandade que ela provocava era sem tamanho e todas as pessoas do lugar estavam apavoradas, a cada instante tombava mais um morto. Para a Morte não fazia diferença alguma se o defunto fosse homem ou mulher, se o falecido fosse velho, adulto ou criança. A população, desesperada e impotente, recorreu a Òòṣàálá, rogando-lhe que ajudasse o povo daquela infeliz cidade. Òòṣàálá, então, mandou que fizessem oferendas, que ofertassem uma galinha preta e o pó de giz efum, fizeram tudo como ordenava Òòṣàálá. Com o efum pintaram as pontas das penas da galinha preta e em seguida a soltaram no mercado. Quando a Morte viu aquele estranho bicho, assustou-se e imediatamente foi-se embora, deixando em paz o povo daquela cidade. Foi assim que Òòṣàálá fez surgir a galinha d'angola. Desde então, as iaôs, sacerdotisas dos òrìṣà, são pintadas como ela para que todos se lembrem da sabedoria de Òòṣàálá e da sua compaixão.

Orialá ganha o mel de Odé
Òrìṣàálá vivia com Odé debaixo do pé de algodão, Odé ia para a caça e levava sempre Òòṣàálá, eles eram grandes companheiros, mas Odé reclamava sempre de Òrìṣàálá, que era muito lento e andava devagar, estava muito velho o òrìṣà do pano branco, e Orialá reclamava de Odé (Òṣòssi), que era muito rápido e sempre andava bem depressa, era muito jovem o caçador, então os dois resolveram se separar, mas Odé estava muito triste, porque fora criado por Òrìṣàálá, e Òrìṣàálá estava muito triste, porque fora ele quem criara Odé. Odé disse então a Òrìṣàálá que todo o mel que ele colhesse seria sempre dado a Òrìṣàálá e que ele mesmo nunca mais provaria uma gota, reservando tudo o que coletasse ao velho òrìṣà, e que Òrìṣàálá sempre dele se lembrasse, quando comesse seu arroz com mel do caçador. Nunca mais Odé comeu do mel, nunca mais Òrìṣàálá de Odé se esqueceu.
Conceitos -  Ilé-ọba Óbokún Àṣẹ Nàgó

9 comentários:

  1. Axé.

    Segundo Bolaji Idowu (1962), o "sopro" que dá vida ao ser humano é atributo apenas de Olorun, sendo que esta função não pertenceria à Obatala.

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  2. Oi Luiz L. Marins, não sei se interessaria o que Bolaji pensa e sim o que você acredita, segundo você, quem tem o poder de soprar a alma nos s eres humanos?

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  3. Oloórun, o Incognoscível que faz surgir Òbátalá (a Criação Latente, o hálito divino, Emí)

    Mas temos Emí também como hálito divino de Olodumaré, mesmo porque Exu é o resultado do hálito divino que lhe transmitiu o Emi, o elemento-origem da vida, e este Irunmale foi feito a partir das forças de Olodumaré e não de Obatalá. No mito da criação fala em Obatalá apenas criar os "seres inanimados" e esta "animação", ou seja, o Emi, seria dado por Olodumaré.

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  4. Caro euricon,

    O senhor deve ter pesquizado apenas a versao da criação por Oduduwá, seria interessante fazer mais algumas pesquizas de campo com mais peso para poder ter acesso a mais conceitos sobre a criação e o povo yoruba...
    Eu sei que deve ter acesso há muito conteudo já que irá se torna uma autoridade no assunto...
    Gostaria de nos explicar quais são suas bases e conceito perante as afirmaçoes que fez, pois ficou meio confuso e não conseguimos enteder corretamente..
    Por favor tente separar os assuntos para que possamos identificar sobre e o que está falando e quando?

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  5. Eurico, por favor, me esclareça.

    Você está afirmando que Obatala é o próprio hálito divino de Olódùmarè, quando diz: "Oloórun, o Incognoscível que faz surgir Òbátalá (a Criação Latente, o hálito divino, Emí)"

    Sim, eu sei o que Juana Elbein registrou sobre Èsù, mas não entendi quanto à Obàtálá.

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  6. O meu comentário é explanar ambos os lados, tanto quanto Emí sendo transmitido por Obatalá, quando por Olodumaré, mas a minha posição quanto a isso é, Emí é poder de Olodumaré, e não de Obatalá, mas respeito o pensamento contrário disso pois existe sim passagem que transmitem o entender Emí de mais de uma forma e coloquei aqui essas duas formas de entendimento do assunto.
    E no que se trata de autores, acho que fontes de cultura oral estão se transformando demais em pesquisa e isso é que vem gerando certa diversidade de informações a respeito de uma mesma coisa. Não mudarei minha liturgia nem minha forma de pensar a cerca de assuntos que me acompanham desde minha iniciação.
    Parece que esta na moda,as pessoas abordarem africanistas com a frase "me cite fontes".
    Se o espaço é para pesquisadores e não para africanistas, desculpe pois aqui falo como sacerdote, e apenas coloquei minha posição quanto a isso.

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  7. “O meu comentário é explanar ambos os [...] e coloquei aqui essas duas formas de entendimento do assunto.”
    Poderia informar onde foi que o senhor viu que Obàtálá, fornece o sopro da vida? Pois todos nós sabemos que Obàtálá molda e Ọlọ́run dá a vida com o chamado sopro da vida. Poderia nos fornecer o texto ao qual e a pagina onde viu este conteúdo?
    “E no que se trata de autores, acho que fontes de cultura oral estão se transformando demais em pesquisa e isso é que vem gerando certa diversidade de informações a respeito de uma mesma coisa. Não mudarei minha liturgia nem minha forma de pensar a cerca de assuntos que me acompanham desde minha iniciação.”
    Aqui o senhor fala duas coisas distintas, fontes e liturgia, fonte oral e tradição tem sido estudada e a mesma tem fornecido muitos diplomas para intelectuais e estudiosos,visto que a maioria tem trabalhado e se empenhado para fornecer um bom conteúdo de estudo e base para resgate das culturas. O problema que alguns autores são duvidosos e nem citam suas fontes qdo o fazem algumas delas são ele mesmo, o senhor deve saber que uma fonte de um estudo com base nele mesmo não deve ter peso... Da mesma forma dos Itan palha que mais geram conflito do que trazem luz ao conhecimento...
    Agora mudar sua liturgia, o senhor pertence ao batuque não?
    Poderia me informar qual Itan usado no batuque que explica a criação do Homem?
    Qual o conceito de vida e morte e quando um Egungun é cultuado o que está sendo cultuado ali no Igbalè da casa?
    Quem faz o papel de ku no ritual do Batuque?
    Para que possamos entender melhor a sua liturgia?

    “Parece que esta na moda,as pessoas abordarem africanistas com a frase "me cite fontes".
    Se o espaço é para pesquisadores e não para africanistas, desculpe pois aqui falo como sacerdote, e apenas coloquei minha posição quanto a isso. “
    Eu fico muito feliz de saber que um sacerdote visita meu blog e pode contribuir com seu rico pensamento, mais ainda quando cita fontes, elas nos ajudam a saber a origem daquele pensamento...

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  8. Você fala sobre "Itan no batuque" como se o Batuque fosse uma religião que não a do Yorubá, não entendo suas colocações, estamos falando de culto a orixás?
    O Itan que me foi passado, é segundo Ketu, pois meu avô de orixá foi feito lá, portanto de Oduduwa e Obatalá, os batuqueiros aprendem o Itan através da partilha dos poderes de Nanã, e acredito que isso carregue a marca dos povos ewe-fon (jeje-nago) que resulta nesse ver o mundo, "entre dois mundos".
    E, a liturgia da minha casa, jamais vai ser aberta em um blog de internet, esta é a diferença de um pesquisador e de um sacerdote, e se o senhor esqueceu de sua carta sacerdotal, eu lembro da minha e de meu cargo dentro do meu ilê. E se existe patrimonio oral dentro da fala dos sacerdotes de Ifá (UNESCO), porque um Babalorixá em sua fala poderia ser menos do que a fala dos livros? Um Ilê é fonte de cultura oral sim, de muita relevancia para Antropologia, talvez não para História. Problema é querer se buscar fontes de pureza, isso é totalmente inviavel ao se estudar cultura. Termino por aqui.

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  9. “Você fala sobre "Itan no batuque" como se o Batuque fosse uma religião que não a do Yorubá, não entendo suas colocações, estamos falando de culto a orixás? “

    Sim estamos falando apenas do culto aos òrìṣà, eu acredito que este primeiro post veio de algum ìtàn – “Oloórun, o Incognoscível que faz surgir Òbátalá (a Criação Latente, o hálito divino, Emí)
    Mas temos Emí também como hálito divino de Olodumaré, mesmo porque Exu é o resultado do hálito divino que lhe transmitiu o Emi, o elemento-origem da vida, e este Irunmale foi feito a partir das forças de Olodumaré e não de Obatalá. No mito da criação fala em Obatalá apenas criar os "seres inanimados" e esta "animação", ou seja, o Emi, seria dado por Olodumaré. “ – logo devo considerar que um ìtàn seria – “ìtàn (história)”... devo considerar que este ìtàn ao qual o senhor Baba retirou de algum lugar, alguma referencia não deve ter sido da intuição, deve ter vindo de algum lugar.
    Agora o que não entendi bem foi o seguinte, poderia me ajudar com a frase - "Itan no batuque" como se o Batuque fosse uma religião que não a do Yorubá – poderia me explicar?

    “E, a liturgia da minha casa, jamais vai ser aberta em um blog de internet, esta é a diferença de um pesquisador e de um sacerdote, e se o senhor esqueceu de sua carta sacerdotal, eu lembro da minha e de meu cargo dentro do meu ilê.”
    Bom estamos falando novamente de duas coisas diferentes, quando apresentei o editorial - Ògún e a serpente. - http://iledeobokum.blogspot.com/2010/03/ogun-ejo-e-serpente.html , eu resgatei um elo quebrado da cultura do culto á ògún com a representação da serpente, não discuti fundamento e sim cultura, se eu considerasse cultura fundamento eu deveria temer muito, pois com certeza seria muito esquivo e minimizado meu mundo espiritual. Por outro lado ao apresentar a cultura e resgatar um dado tão importante eu estou fortalecendo o culto... Não tenho medo de apresentar dados e conversar num blog sobre vários assuntos, pois tenho certeza que o que eu apresento é concreto e devidamente embasado, assim meus amigos e aqueles que seguem meu blog esperam e confiam que não sairá besterol e muito menos estarei enganando-os com pregações volúpias.

    “Problema é querer se buscar fontes de pureza, isso é totalmente inviavel ao se estudar cultura.”

    Pureza? Não estamos buscando pureza, mas estudando a própria religião e povo, eu acredito que seja o mesmo que o senhor faz de outra forma... as pessoas precisam entender que o culto pertence a todos é praticado por todos.

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