quarta-feira, 8 de abril de 2009

O alá de Òòṣàálá

Ara - corpo físico - a morada de Deus para varias culturas, sabe-se que os antigos acreditavam que o corpo era um templo divino e o coração a pedra filosofal ao qual transformava matéria bruta em produtos nobres como ouro e diamante.

òjìji - sombra - aquela que nos acompanha, para alguns a sombra não possui valor, para outros ela abriga o espirito.

Okàn - coração, abriga sentimentos e acredita-se que seu poder alimenta a alma e o corpo.

èmi - respiração - o sopro de olodumaré, aquele que anima o corpo, e nos da vida e estado de individualidade.

Orí - cabeça, abriga nosso intelecto e nosso destino, ela aceita ou não o orisá que nos escolhe, dela o corpo todo depende para movimentar-se e sentir.

Algumas divindades funfun (brancas) são responsáveis pela nossa existência e criação do universo;

Obàtá-nlá - o rei do pano branco, que criou o homem em cima de folhas e com as matérias que Eléda forneceu;

àjàlá - o oleiro do Orun (céu) quem inseriu as características de individualidade do ser humano;

òrúnmìlà - aquele que conhece o destino e sabe o segredo de interpretar o dia, futuro e passado, através do nascimento e morte de cada individuo;

Cada Elegun possui um Ewó (quizila) que deve ser respeitada, porem são os filhos de osálá que mais devem observar seu Ewó que jamais poderão por roupas nas cores pretas ou vermelhas, pois o preto simboliza a escuridão do útero e o vermelho o sangue. Para que os filhos de oxalá ter prosperidade e sucesso deverão sempre usar roupas claras...

Pois Òòṣàálá é o senhor do branco e da pureza da vida, esta representada pelo branco da placenta, por isso ele é o senhor do branco e esta cor que está presente na placenta. Por isso que o osala mais velho sempre estará com um alá estendido sobre o corpo ou sobre a cabeça, o mesmo deve ser observado quando se faz uma obrigação que algumas casas forram o chão com um alá e ou estendem sobre o elegun um ala, assim representa a placenta que protege o Ẹlẹ́gùn.

Para muitas culturas religiosas o elegun fica com o orí coberto durante a obrigação para proteger dos elementos da morte e suas influencias, assim que termina a obrigação é removido o ojá pano branco que cobre a cabeça) que representa tbm a placenta que protege o bebe dos elementos externos. Como para a cultura africana deitar-se para o santo representa morrer para o passado e reviver com uma nova vida e doutrina, esta representação esta mais do que certa e fundamentada.

Outro item a observar é o ala que cobre o corpo do filho no período da obrigação que possui a mesma função de proteger espiritualmente o Ẹlẹ́gùn, como uma placenta que o envolve.

Para os que ainda não dominam os segredos dos povos africanos, talvez o alá não passe de um pano estendido que mais atrapalha sem valor algum, porem os orixás funfun são as divindades que realmente podem se aproximar dos eleguns e suas personalidade alma, pois eles estão próximos ao ori de cada individuo, levando em consideração que os Irun funfun estão próximo as Olodumaré e nós somos uma fração do próprio Olodumaré.
Outro ponto importante a esclarecer é que os eboras (Ògún, Ṣàngó, etc...) as divindades que nasceram das divindades funfun, são mais primitivos, suas energias não participam diretamente do criador como os funfun, por isso que ao fazer o òrìṣà de um elegun existe a necessidade dos preceitos, adaptações, retiros, dedicação e muito cuidado ao lidar com estas energias, pois um Orí que não aceite um òrìṣà o Ẹlẹ́gùn não terá sorte.

Por isso que a meu ver o orí-bi-bọ, tem gde importância, pois ele prepara e testa o orí do Ẹlẹ́gùn para aquela divindade, caso não seja aceita, a vida do elegun terá transtornos para o resto da vida.

Sendo que o Bọrí e a feitura são conseguencias deste orí-bi-bọ, mas observe que tanto o Bọrí ou a feitura termina com a cobertura e reafirmação do orí-bi-bọ, pois é com o pombo que finaliza e cobre a obrigação, e pelo que tenho observado é costume em todas as casas de nàgó, djedje, batuque, efon, angola e ketú cobrir o Bọrí ou a feitura com um orí-bi-bọ, claro que cada uma nação destina um nome adequado ao ritual.

Babá Olomirè

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