domingo, 19 de setembro de 2010

Nosso Lar

Segundo o filme “Nosso Lar”, o livro ao qual se baseia é uma sequencia de erros.

O filme começa com o espírito “André” passando pelos portais, tais que habitam seres perturbados, espíritos que não se conformam com seu estado atormentando causando sofrimentos às demais almas que ali se encontram. Tal dimensão esquecida por “Deus” e habitada por energias negativas que negam a existência de Deus, impossível de serem emanadas pelo criador benevolente tais vibrações. Ao mesmo tempo em que ínsita a pensar que “Deus” abandonaria as almas que sofrem e cometeram erros, com a desculpa do livre arbítrio.

Cenas do  purgatório muito semelhante à visão deformada do inferno segundo Dante, o que faz mais uma vez repensar sobre a originalidade das produções nacionais, que a cada vez mais considero necessário redescobrir sua personalidade e conceitos.

Outro ponto a discutir é sobre o envelhecimento dos espíritos, considerando que ao morrer aquele espírito deixa para trás a sua energia terrena e tanto o envelhecimento quanto barba, pelos e  unhas deixam de crescer. Afinal é transformação que o corpo terreno passa e que não faz mais parte do espírito desencarnado. E este estado de realocação entre os planos espirituais não seriam como os  terrenos, difícil imaginar que seja real esta situação exposta pelo filme.

Claro que o tempo cronológico do espírito e da matéria é diferente, seria impossível calcular um tempo de uma entidade com o tempo material a qual vivemos, mas  o que é certo e podemos  observar é que entre as religiões Afro-brasileiras e até mesmo Espíritas, as entidades ou mentores não fazem aniversario e não mudam de idade. Desta forma o crescimento da barba, unhas e qualquer transformação do espírito seriam muito falsas e equivocadas (o personagem André aparece varias vezes com a barba crescendo).

Assim sendo que o espírito ao morrer irá manter a sua imagem, afinal ali finaliza a materialização e o corpo cessa a constante transformação que ocorre no organismo, eternizando o momento da sua morte.  Mas aí tropeçamos com um problema maior que o filme trás à torna o descrédito e demérito para  a fé religiosa. Se o espírito é eterno então ao reencarnar o espírito deve manter a mesma fisionomia e características que o seu espírito tinha?

Algo que o filme aborda e acho muito bom comentar é que os espíritos fêmeos estão encarnando em corpos femininos, sem mudança dos corpos, assim existindo até mesmo na ideologia do filme uma distinção entre espíritos das mulheres e dos homens. Abrindo precedentes para um estudo da ciência que observa crianças que não se encaixam nos corpos aos quais habitam, considerando a existência do terceiro sexo e da possibilidade dos espíritos estarem em corpos errados. Considerando que o espírito não muda o sexo, então aqueles indivíduos que sofrem com o corpo atual e lutam para a mudança do sexo, deve ser considerada como um erro divino ao quais os sacerdotes se  recusam a aceitar.

Mas se aquele indivíduo que irá reencarnar, poderá ou deverá manter a sua imagem, como afirma a novela das 18hs exibida na TV Globo, que mostra a personagem da “Nathalia Dill” (Viviane), em uma das suas  vidas com características idênticas a atual.  Será possível isso, sendo que o filme aborda o cruzamento de famílias e a permanência do mesmo espírito nas mesmas  famílias, mas  então, porque não vemos aquele ente falecido ressurgindo novamente com a mesma aparência?

Deve ser por isso que as filosofias espiritualistas são tão massacradas, erros como estes distorcem a realidade e a credibilidade da fé.

Um dos piores momentos do filme é a supremacia ariana, que irá perceber que os negros mal aparecem no filme, se aparecem não possuem cargo ou evolução, apenas participam em segunda fase, como se os  negros não evoluíssem,  sem esquecer que os asiáticos nem sequer aparecem, alguém viu algum, se viu me avise,  eu quero clipar?

Mas a exclusão das etnias é muito clara, não vimos um índio sequer, nem brasileiro nem da América do sul, será que estes espíritos não chegam ao “Nosso Lar”, possuem espírito?

Algo que senti falta neste filme Nosso Lar, ele mostrou o purgatório, a cidade ”Nosso Lar” e alguns portais, mas não mostraram “Deus” ou qualquer energia divina que pudéssemos imaginar como a base  divinal destes espíritos. Mal colocaram anjos anunciando desgraça, será que isso é a vontade  de Deus anunciar desgraça?


Deixando de uma vez os espíritos entregues aos próprios espíritos e as energias do mal, será que a realidade deste livro e filme é uma cidade auto produtiva e auto-suficiente sem a presença de  Deus????

Não gostei, achei fraco e esperava algo melhor.


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Reconsiderações

Eu quase me esqueci de comentar sobre a questão dos espíritos necessitarem do alimento, por mais que seja simbólico e a ingestão da sopa ou mesmo a água, contradizem as constantes críticas preconceituosas e discriminativas que sofrem a cultura Afro-brasileira. Injustamente são acusados de cultura primitiva e retrograda.

Considerando que os alimentos possuem energia, que ao serem preparados ritualisticamente, eles sofrem uma imantação muito maior, desta forma tanto a oração, cânticos entoados ou alimentos ofertados aos espíritos, serão sempre recebidos e comungados. Considerando que os templos são recintos preparados energeticamente para receber tais espíritos, observo que ao contrário do que a população imagina, os rituais não fazem os  espíritos descerem ao nosso plano, através do ritual e devidas preparações as vibrações se  elevam ao plano superior alcançando estes espíritos aos quais vemos constantemente incorporados nos templos, existe, portanto uma ritualística e liturgia para tal acesso, que eleva as vibrações e energias para um plano superior.


E considerando que apesar de acharem tais rituais bárbaros, nós podemos encontrar alguns costumes semelhantes até mesmo na cultura oriental que oferecem alimentos aos entes falecidos.

E voltando ao foco da Umbanda e ou Nações Afro-Brasileiras, apenas uma domestica, negra e cheia de fios no pescoço viu o espírito do André, será que a cultura afro-brasileira terá que ser sempre representada pela mãe negra e pobre, houve uma cena com um comentário sobre os negros, ao qual vemos uma família sentada à beira do lago com mais alguns familiares, mas todos com Ojá na cabeça, simples e inculto, observem?

Por Erick Wolff8

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