Enrique Orozco Rubio
Facebook
11/01/2026
ETIMOLOGIA E SIGNIFICADO
A palavra “Babaláwo” vem do iorubá e é composta por duas partes: “baba”, que significa “pai” ou “ancião”, e “awo”, que se refere a segredos, mistérios ou conhecimento profundo. Portanto, etimologicamente, o termo “Babaláwo” se traduz como “pai dos segredos” ou “possuidor de mistérios”. Isso já nos dá uma pista de que seu papel se concentra no manuseio e na transmissão de conhecimento sagrado e especializado (Bascom, 1969).
A FUNÇÃO DO BABALÁWO: ALÉM DAS CATEGORIAS COMUNS.
O Babaláwo é um especialista dentro da religião iorubá e do sistema Ifá. Sua principal função é atuar como intérprete do Ifá, o sistema sagrado de adivinhação, e como guardião do conhecimento espiritual. Diferentemente de um xamã ou um feiticeiro, o Babaláwo não é simplesmente um mediador com os espíritos ou um praticante de magia; seu papel está profundamente ligado à transmissão dos ensinamentos, da ética e da filosofia de Ifá (Abimbola, 1976).
POR QUE O BABALÁWO NÃO É UM XAMÃ, FEITICEIRO OU SACERDOTE.
É um erro comum tentar categorizar o Babaláwo em termos ocidentais como “xamã” ou “feiticeiro”. Um xamã, em muitas tradições, é alguém que viaja entre os mundos espirituais ou cura através do transe. Um feiticeiro, segundo certas visões, é alguém que usa magia para influenciar a realidade. Um sacerdote, no sentido abraâmico, é um mediador ritual entre a comunidade e uma divindade específica. O Babaláwo, por outro lado, é um guardião do corpus de Ifá, um sistema que inclui mitos, histórias, códigos éticos e procedimentos de consulta (Pelton, 1980).
Portanto, chamar o Babaláwo de “feiticeiro” ou “xamã” diminui seu papel e não capta a profundidade de sua função. Seu trabalho não se limita à adivinhação, mas abrange a transmissão de uma visão de mundo completa e a manutenção da tradição oral iorubá.
UM DESAFIO IMPORTANTE PARA A ANTROPOLOGIA.
Um dos grandes desafios da antropologia e etnografia contemporâneas é definir com precisão o que é um Babaláwo. Apesar de inúmeros estudos, essa continua sendo uma “questão pendente”, pois a maioria das definições deriva de uma perspectiva eurocêntrica e colonial que tende a enquadrar os Babaláwo em categorias que não se aplicam a eles (Hallen & Sodipo, 1986).
É comum que muitos acadêmicos com formação na tradição cristã ocidental usem o termo “sacerdote de Ifá” para se referir aos Babaláwo. No entanto, esse rótulo é enganoso e deriva de uma perspectiva colonial que tenta impor categorias cristãs a uma realidade cultural distinta. Na realidade, o Babaláwo não é um sacerdote no sentido cristão, porque seu papel não se limita a oficiar rituais religiosos, mas se estende à salvaguarda e transmissão de um complexo corpo de conhecimento filosófico e ético (Drewal, 1992).
O que é ainda mais significativo é que, devido a essa influência acadêmica e a essa narrativa colonial, muitos praticantes adotaram inconscientemente o termo "sacerdote" para se referirem a si mesmos. Ou seja, a lógica colonial permeou a tal ponto que os próprios Babàlawos, em alguns casos, reproduzem essa categorização, mesmo que ela não reflita verdadeiramente a natureza única de seu papel (Falola & Genova, 2006).
Em conclusão, definir o que é um Babaláwo sem recorrer à simplificação excessiva é uma tarefa que a antropologia e as ciências sociais ainda precisam abordar. É essencial reconhecer que chamá-lo de "sacerdote" é um legado de uma perspectiva colonial e que o Babaláwo ocupa uma categoria única, distinta das categorias religiosas ocidentais. Além disso, devemos estar cientes de como essa categorização influenciou até mesmo os próprios praticantes, levando-os a adotar uma lógica que não é a sua.
CONCLUSÃO: O BABALÁWO COMO UMA FIGURA ÚNICA
Em
resumo, o Babaláwo é uma figura única que não se encaixa nas categorias de
xamã, feiticeiro, sacerdote ou adivinho, porque seu papel é o de guardião do
conhecimento de Ifá e transmissor da sabedoria tradicional iorubá. Considerá-lo
simplesmente como um “feiticeiro” ou um “sacerdote” é uma simplificação
excessiva que não faz justiça ao seu papel.
REFERÊNCIAS
ABIMBOLA, W. (1976). Ifá: An Exposition of Ifá Literary Corpus. Oxford University Press.
BASCOM, W. (1969). Ifa Divination: Communication between Gods and Men in West Africa. Indiana University Press.
PELTON, R. D. (1980). O Trapaceiro na África Ocidental: Um Estudo da Ironia Mítica e do Deleite Sagrado. University of California Press.
DREWAL, M. T. (1992). Ritual Iorubá: Intérpretes, Jogo, Agência. Indiana University Press.
FALOLA, T., & Genova, A. (2006). Identidade Iorubá e Política de Poder. University of Rochester Press.
HALLEN, B., & Sodipo, J. O.
(1986). Conhecimento,
Crença e Bruxaria: Experimentos Analíticos em Filosofia Africana. Stanford
University Press.
____________________________________
FONTE: https://www.facebook.com/share/p/1Bh5D2Cvfk/
Transcrição e adaptação: Luiz L. Marins
https://uiclap.bio/luizlmarins
Tradução
digital por Google, revisada.
Os grifos são nossos.
Prova documental:
