quinta-feira, 23 de abril de 2026

ALAAFIN SIYANBOLA LADIGBOLU I

Este ensaio tem por finalidade registrar os costumes e tradições do povo Ioruba.

Na pagina Historical Nigeria - Yoruba, publicaram o seguinte artigo:

 

 

"Alaafin Siyanbola Ladigbolu I: O Monarca por Trás de “A Morte e o Cavaleiro do Rei”, de Wole Soyinka


Como a morte de Alaafin Siyanbola Ladigbolu I em 1946 inspirou uma das maiores obras-primas da literatura africana e revelou o choque entre a tradição iorubá e o domínio colonial.

Alaafin Siyanbola Ladigbolu I (Reinado de 1911 a 1944) permanece um dos monarcas mais icônicos da história iorubá — um governante cuja morte reverberaria muito além dos muros do palácio, inspirando uma das obras mais celebradas da literatura africana. Seu reinado marcou um período de transição política, resiliência cultural e interferência colonial no Império Oyo.

Conhecido pelo reverente nome real “Iku Baba Yeye” — que significa “aquele que pode comandar a morte” — Alaafin Ladigbolu I personificava a grandeza e a autoridade sagrada da monarquia tradicional iorubá. Ele foi um governante tradicional forte que manteve o prestígio do trono de Oyo durante as primeiras décadas do domínio colonial britânico, navegando pela complexa relação entre o antigo sistema político iorubá e a administração colonial moderna.


A Morte Que Abalou um Império
Alaafin Siyanbola Ladigbolu I faleceu em 1944, e sua morte marcou o início de uma série de eventos que se tornariam um símbolo cultural e filosófico da identidade iorubá. Tradicionalmente, quando um Alaafin morre, espera-se que seu Eleshin Oba (o Cavaleiro do Rei) o siga para a vida após a morte por meio de um suicídio ritual — um dever sagrado destinado a preservar a harmonia cósmica entre o mundo dos vivos e o dos ancestrais.


No entanto, quando chegou a hora de realizar esse antigo rito em 1946, oficiais coloniais britânicos intervieram. Vendo o ritual através de uma lente legal ocidental, o Oficial Distrital Britânico prendeu o Eleshin Oba, acusando-o de tentativa de suicídio — um ato criminalizado pela lei britânica.
 

Essa interrupção de uma tradição iorubá profundamente espiritual foi vista pelo povo como uma violação catastrófica da ordem sagrada. O filho do Oba Eleshin, que na época negociava na Costa do Ouro (atual Gana), correu para casa para cumprir seus deveres filiais. Ao descobrir que seu pai ainda estava vivo — e, portanto, havia falhado em cumprir sua responsabilidade espiritual — o jovem, horrorizado com a profanação da honra ancestral, tirou a própria vida.
 

A tragédia não apenas expôs o choque cultural entre a metafísica iorubá e o racionalismo colonial, mas também ressaltou o impacto devastador do mal-entendido imperial sobre os costumes indígenas.
 

Da História à Literatura
Este evento histórico foi pesquisado e registrado pela primeira vez pelo acadêmico franco-brasileiro Pierre Verger na década de 1960. A história mais tarde cativou a imaginação do ganhador do Prêmio Nobel, Professor Wole Soyinka, que a transformou na poderosa peça de 1975, “A Morte e o Cavaleiro do Rei”.
 

A peça de Soyinka não é meramente uma recontagem do incidente histórico — é uma exploração filosófica do dever, do destino, da honra e da tensão metafísica entre o espiritual e o secular. Através do seu uso magistral da cosmologia iorubá e da linguagem poética, Soyinka retrata as consequências trágicas da arrogância cultural e a complexidade moral tanto do poder colonial quanto da obrigação indígena.
 

O reconhecimento global da peça solidificou seu lugar como uma das obras literárias mais importantes da África, frequentemente estudada por seu profundo retrato do conflito intercultural e da beleza trágica da filosofia iorubá.

O Legado do Alaafin
O reinado de Alaafin Siyanbola Ladigbolu I, embora marcado pela interferência colonial, permanece um símbolo da resiliência e da autoridade iorubá. Ele governou durante um período em que a monarquia de Oyo estava se redefinindo sob as pressões da governança moderna, da expansão missionária e do controle político britânico.

Seu nome e legado continuam a ter significado espiritual em Oyo, onde o título de Alaafin permanece um dos mais reverenciados na Iorubalândia. Sua vida e morte se encontram na interseção da história, da espiritualidade e da literatura — um testemunho de como um único evento na história real iorubá se tornou um tema eterno de reflexão filosófica e artística.

Contexto da foto: 
Alaafin Siyanbola Ladigbolu I, Alaafin de Oyo (1911–1944).
Evento: Morte e o ritual real interrompido que inspirou "A Morte e o Cavaleiro do Rei".
Nota cultural: “Iku Baba Yeye” — Aquele que comanda a morte e, ainda assim, é pai de todos.

Referências:
1. Verger, Pierre (1964). Notes sur le Culte des Orishas et Vodouns à Bahia, la Baie de Tous les Saints, au Brésil et à l'Ancienne Côte des Esclaves en Afrique.
2. Soyinka, Wole (1975). Death and the King’s Horseman. London: Methuen Publishing." (tradução google)


Fonte acessada em 23/01/2026, às 18h - https://www.facebook.com/share/p/1JwjWh65Lq/
Imagem comprobatória - 



Neste artigo, coletado na página 




"Uma foto rara de um adivinho, Alaafin de Oyo e o quase lendário Capitão William A. Ross, que ajudou o Alaafin de Oyo a recuperar a proeminência como governante supremo dos iorubás. Ele residiu em Oyo de 1914 a 1931 e era amigo da Princesa I. Ross."

Fonte acessada em 23/01/2026, às 18h - https://www.facebook.com/share/p/1CLoKjVMv5/
Imagem comprobatória 



ESTUDO DE CASO: OYA DIRÂ E OYA ATIMBOWA AS IANSÃS DO PÁTIO


Neste trabalho coletamos depoimentos e registros que atestam que Oya Dirã e Oya Atimboa são divindades cultuados no pátio.

Neste extrato pai Juares do Bara, informa que:


Neste outro extrato pai Juares completa que:

  

No livro Os fundamentos religiosos da Nação dos Orixás, 2 edição, 1994, Paulo Tadeu registra que Oiá Dirã é um orixá que fica no pátio.

Vejamos:

 

 

[...] IANSÃ (Oiá Timboá, Oiá Dirá): Podem ser misturadas as inhalas.[...]


Idem na página 220:

  

 [...] separando-se apenas as dos Orixás de rua (Bara Elegba; Lodê; Ogum Avagã; Oiá Timboa, Dirã), que também poderão ficar juntos em suas respectivas classes, na mesma peça (casa). [...] (o grifo é nosso)

  

Idem na página 222:

 

 

 [...] IANSÃ (Oiá Imboá, Oiá Dirã) 

Podem ser misturadas as inhalas. [...] 

 

Idem página 223:

 

 [....] IANSÃ (Oiá Timboa, Oiá Dirã)

Fazer as inhalas dos animais de quatro patas destes Orixás, [...] Coloca-se o sarrabulho na frente dos orixás antes de ser comido pelas pessoas. Pode ser feito numa vasilha só e juntos, se os Orixás estiverem na mesma peça (casa), do contrário, separa-os. [...] 

 

Da elaboração do livro ao lançamento Paulo Tadeu, declara que pertencia a família do pai Cleon de Oxalá, conforme página 191:

 

[...] INICIADOR E APRONTADOR RELIGIOSO DO AUTOR, Babalorixá JOÃO CLEON MELO FONSECA (CLEON, DE OXALÁ ELEFÃ) [....]

Inclusive assina e atesta o livro publicado: 

[...] Declaro, para os devidos fins, que após examinar os originais do livro "OS FUNDAMENTOS RELIGIOSOS DA NAÇÃO DOS ORIXÁS", NAÇÃO DE CABINDA, escrito pelo Babalorixá Paulo Tadeu Barbosa Ferreira, está integralmente dentro dos preceitos religiosos da Nação de Cabinda, cultuada no Rio Grande do Sul. Que o seu conteúdo é de grande valia para a instrução e o aperfeiçoamento religioso dos Babalorixás e Yalorixás desta Nação de Orixás, bem como, para enriquecer os conhecimentos religiosos de Dirigentes Espirituais de outras Nações de Orixás.

setembro, 1983. [...]

Entretanto, após alguns anos, pai Cleon muda os conceitos e afirma o contrário, dizendo que Oiá Dirã seria uma Iansã cultuada dentro do quarto de orixá, vejamos:


Fontes pesquisadas:


@erickwolffz ESTUDO DE CASO: Oyá Dirã e Oyá Atimbowa #batuque #oya #iansa ♬ som original - erickwolffz

PAI CLEON DE OXALA, H0MENAGEM PÓSTUMA

Hoje 26/01/2026 coletamos homenagens de algumas páginas do Facebook, com intuito de registrar um Baluarte da Kambina, notavelmente que ele formou uma grande família que se estende pelo Brasil, países da  América latina.


"Por Reino de Oxalá - Soc. Ben. 7 Flexas e Oxalá (https://www.facebook.com/reinodeoxalasbsfo)



A saudade vira reverência, e a memória se transforma em axé. 🤍
✨
Há 5 anos, Pai Cleon de Oxalá retornou ao Orum, deixando um legado eterno no Batuque do Rio Grande do Sul. Homem de fé firme, palavra justa e coração guiado por Pai Oxalá, ele marcou gerações, formou casas e ensinou que o sagrado se constrói com humildade, verdade e amor ao próximo.

Pai Cleon não partiu… ele se encantou. Vive na memória de seus filhos, nos toques do tambor, nos fundamentos preservados e em cada prece feita com respeito aos Orixás. Seu nome permanece vivo, honrado e guardado como um verdadeiro ícone da nossa religião.

Neste momento tão significativo, expressamos também nossa profunda gratidão a Pai Walter de Oxum e à sua família, que conduzem com zelo, responsabilidade e axé um preceito tão importante em nossa casa. 
 
Com respeito aos fundamentos e aos ancestrais, damos início à nossa obrigação aos eguns, mantendo viva a tradição e a continuidade espiritual que Pai Cleon sempre nos ensinou a preservar.

Que Oxalá nos cubra com sua paz, que Oxum nos abençoe com amor e equilíbrio, e que o legado de Pai Cleon de Oxalá siga iluminando nossos passos. 🕊️💙"

Fonte - https://www.facebook.com/reel/1972512306665496

Imagem comprobatória:

IMPORTÂNCIA CULTURAL DO YORUBA NA SOCIEDADE BENINENSE

Coletamos esta postagem na página Adetutu Akikenju VI Onishabe, no Facebook, de para registro da influencia dos povos Iorubás na cultura Fon.



"Importância cultural do Yoruba na Sociedade Beninense
Por John O. Igué


A importância cultural do Yoruba na sociedade continua a ser o principal elemento da civilização beninense. Isso foi feito a partir da dominação política que Ouch primeiro exerceu em Abomey e a vassalização depois dos reinos de Sabè e Kétou por este último a partir de 1870. É a partir desses elementos políticos que essa influência cultural iorubá se impôs sobre outras sociedades beninesas. Isso pode ser medido no nível político, religioso e urbano. Essa influência cultural também resulta de um longo processo de mistura que ocorreu entre grupos AJA-Fon e grupos Yoruba desde o período pré-produzido. 


No nível político, o impacto cultural iorubá nas instituições políticas AJA-Fon foi relatado principalmente por Paul Mercier, Montserrat Palau Marti e Isaac Adeagbo Akinjogbi. Em sua tese '' Dahomey and its Neighbours', o professor Akinjogbi mostrou bem como todas as instituições políticas de Aja-Fon são baseadas no parentesco (ou seja, '' èbi''), assim como no país Yoruba . A manifestação de tal instituição primeiro se sente no caráter eletivo do rei, no fato de que os príncipes não têm poder no reino, na imprecisão da ideia de nobreza. Assim, toda a liberdade é dada a cada príncipe para se casar com qualquer mulher no reino, incluindo um escravo, da mesma forma, a princesa tem a oportunidade de se casar com um plebeu. Essa noção de parentesco também explica a importância do conselho do rei em todos os reinos de Aja-Fon. Como no país iorubá, cada elemento do conselho permanece ligado a uma linhagem. O peso do parentesco nas instituições destrói a noção de feudalismo como mencionado nas instituições sociopolíticas africanas. 


O segundo aspecto da semelhança das instituições políticas Aja-Fon com as dos Yoruba é o caráter sacrossanto dos reis, como Palau Marti mostrou em sua obra "O Rei, Deus em Benim". Em Tado, Abomey e Porto-Novo, assim como em Ilé-Uri e Oyo, alguns reis são elevados ao posto de Deus após a sua morte e assim tornam-se líderes eternos. É o caso de Oduduwa em Ilé-Uri, de Alaafin Sango a Oyo e o Rei Adjahouto em Allada. Willington D. Jones e Auguste, os eriçados, foram capazes de escrever, o primeiro falando de Oyo e o segundo sobre Abomey que o caráter quase divino dos mortos dá à história algo de mistério. A história assume um caráter santo; Ela não é apenas o momento das glórias de uma tribo fundadora de um reino, ela ainda toca o maravilhoso. Mas no campo religioso que a influência Yoruba permanece decisiva nas culturas do Benim. Esta influência pode ser analisada em três níveis: o do número de deuses que constituem o panteão Yoruba, é composto de quatrocentos um deus chamado "Orisa". O mais importante desses deuses são Nana Buruku, Oduduwa, Obatala, Ogun, Sanpona, Sango. Todos esses Orisa, chamados Vodun sul do Benim, constituem todo o Panteão Aja-Fon. 


Em todos os conventos do sul do Benim, a língua de iniciação é o nago; Da mesma forma, o Nago é usado pelos fiéis desses cultos e os títulos carregados por dignitários estão frequentemente em Nago. 


O peso dominante da influência cultural Yoruba sobre as populações do sul do Benin não está apenas ligado ao fato de que o pano de fundo do assentamento é de origem Yoruba, mas também a um movimento de enxerto e mistura que é feito através de contribuições de escravidãoA maioria de origem Yoruba. O status de escravo desses Yoruba não lhes deu a oportunidade de se afirmar politicamente. É sobretudo o plano cultural que estes últimos mantiveram toda a sua influência. No momento das cerimônias de nascimento e morte, esses grupos mostram sua pertença cultural. Muitos deles preservaram seu nome Yoruba, outros tomaram nomes de Aja-Fon e só se encontram Yoruba através dos poemas de saudação (Oriki). O peso desses escravos, em particular aqueles que não foram embarcados na América, é decisivo na disseminação de Oro e Egungun na AJA. Quanto ao Yoruba retornado do Brasil, muito poucos se lembram de sua origem. Preferem manter suas denominações portuguesas ou brasileiras, ao contrário do que aconteceu em Abèokuta onde a maioria dos escravos voltou da Serra Léone ou do Brasil retomaram seu nome Yoruba. A consciência brasileira ou portuguesa desenvolveu-se tanto mais desde que estes escravos se constituíram durante muito tempo neste país, a primeira camada de intelectuais sobre a qual os europeus se baseavam para estabelecer a sua administração bem como as estruturas do tráfico de tráfico . Esta situação reforçou ainda mais a conscientização da classe desses afro-brasileiros “nesta parte sul do Benim. Esta consciência estava ainda mais enraizada, uma vez que atingiu profundamente as forças imperialistas. Isso deu a esses ex-escravos a oportunidade de se vingar dos tratadores AJA-Fon que os haviam vendido aos comerciantes de escravos portugueses. É praticamente a partir da recusa de integração em um ambiente que não é deles originalmente que esses escravos retornaram do Brasil foram capazes de construir uma banda separada, mesmo praticando a endogamia para ser capaz de retirar melhor a pressão que a sociedade poderia exercer sobre eles. 


A partir dessas descobertas, poderíamos prescindir do afro-brasileiro "Benin como Yoruba. Mas além de um verniz brasileiro, muitos ainda falam Yoruba em suas concessões. Melhor ainda, diante do desenvolvimento da consciência africana que se manifesta hoje pelo retorno à autenticidade, a maioria afro-brasileiros, depositou sua máscara para começar a viver intensamente sua cultura iorubá. Podemos citar como exemplo o caso de DA Sylva, paraïso em Porto-Novo, prudencio de Ouidah. Este retorno à autenticidade Yoruba fortaleceu na comunidade AJA-Fon as garras da cultura Yoruba através do culto dos fantasmas (Egungun). 


O último evento cultural Yoruba é o do desenvolvimento urbano. De fato, uma das originalidades da civilização iorubá é o boom excepcional nas cidades tradicionais. Os Yoruba, como os Hausa, são primeiro urbanos antes de serem pessoas rurais. As cidades iorubás constituem, portanto, os principais executivos das civilizações. Estes incluem várias gerações e têm influenciado outras civilizações, nomeadamente as do sul do Benim. Esta civilização urbana excedeu o seu enquadramento original para estender-se ao Tado (Togo), berço do povo Aja-Fon, Allada, Porto-Novo e Abomey. Suas características essenciais se relacionam a três elementos principais: um palácio real de uma natureza imponente em torno do qual a cidade é estruturada, um mercado oposto ao palácio e as linhas de fortificação, composta de uma vala, uma parede ou ambos ao mesmo tempo , que são perfurados com várias portas de entrada. 


A influência cultural iorubá ainda é significativa no Golfo do Benim. Esta parte de ilé-rast (atual Nigéria), espalhou-se até a porta de Accra (Gana) moldando o assentamento de tal forma que as populações entre o Delta do Níger e a foz do The Volta, são profundamente dependentes do patrimônio cultural Yoruba. Isso se manifesta primeiro pelo peso dos religiosos na sociedade. Mas se o verdadeiro Yoruba começou a se distanciar do forte controle das religiões tradicionais, estes ainda estão vivos no Benim através do conceito de "vodun" atestando o nível de apropriação e internalização desta cultura Yoruba por povos de origem Aja-Fon. 

 

Publicação : Oba Adetutu Akinmu, Onishabè" (tradução on-line Google) 


Fonte - https://www.facebook.com/share/p/17XDxD6zx5/


quarta-feira, 22 de abril de 2026

CELEBRAÇÃO DO OLOYE YEYE AJUGBOTOSUN OF OYO

Coletamos estes vídeos que registram o OLOYE YEYE AJUGBOTOSUN OF OYO, da Iya Osunronke.

 
 Cerimônia de instalação do Oloye


E neste vídeo Celebram

"Hoje celebro mais que um oye/título , celebro uma caminhada guiada pela fé, pela disciplina e pela força do sagrado. 

Nada disso foi sozinha. Houve mãos que orientaram, vozes que aconselharam e sacerdotes que sustentaram cada passo com sabedoria, fundamento, humildade e Aṣẹ. 

Esse reconhecimento carrega o nome de todos que parteciparam de alguma forma para manter viva a chama do conhecimento ancestral e a Identidade Yorùbá. 

Receber esse título é honrar o compromisso de seguir fazendo mais, com verdade, respeito e propósito. Que essa conquista não seja um ponto final, mas um novo começo ainda mais forte. Gratidão a todos os sacerdotes e à espiritualidade que nunca deixou faltar direção. 

Seguimos firmes, porque quando o propósito é verdadeiro, o caminho sempre se abre. 

Kabiesi Obá Alaafin Kabiesi Sàngó 
Ore yeye Ọṣun 
Asaorisa ti gbogbo wa ni 

Akika Asegé" 

Fonte https://www.facebook.com/reel/1870939580254331

O REINO DE SHABÈ NA REPÚBLICA DO BENIM

Coletamos esta postagem do perfil Adetutu Akikenju VI Onishabe, publicado em 22/04/2026 às 9h30min, na mídia social Facebook.


"O REINO DE SHABÈ NA REPÚBLICA DO BENIM
Publicação: Kabiyesi Oba Adetutu Akinmu, Onishabè


1- O TERRITÓRIO DO ANTIGO REINO
O antigo reino cobriu quase 8.000 km2, dos quais aproximadamente 2.000 km2 estavam na atual Nigéria. Este território foi claramente definido por duas vias navegáveis: o rio Oyan a leste e o rio Ouémé a oeste. O rio Okpara, que atualmente forma a fronteira com a Nigéria, flui através do meio desta bacia hidrográfica. Os limites do território do antigo reino eram as aldeias de Iwoye, localizada a 5 km a nordeste de Dirin (Kétou) e Guinirou, além de Tchaourou.
 Este foi o território do reino antes da colonização francesa em 1894. (Mapas 1)
 


2- O TERRITÓRIO ATUAL
A administração colonial, estabelecida sob o reinado de Oba Akenmu Mamadou (1888-1925) em 1894, dividiu o território longitudinalmente ao longo do rio Okpara, arbitrariamente escolhido para marcar a fronteira entre as regiões francesas e britânicas. A maioria do antigo território Shabè, agora excluindo sua porção nigeriana, foi assim incorporada à colônia de Daomé.  Sob administração colonial, o antigo reino passou por várias reformas, mudando do distrito de Savalou-Carnoville (Agbassa) até 1909, para o distrito de Savè até 1920, depois para a subdivisão de Savè (dentro do distrito de Savalou) até 1958, compreendendo três cantões: Savè, Kilibo e Ouèssè. Esta subdivisão tornou-se a sub-prefeitura de Savè sobre a independência do Daomé em 1960.
(Mapa 2)


O Reino de Shabè compreende atualmente aproximadamente 140 aldeias ou chefes tradicionais, mais de quarenta dos quais têm mais de duzentos anos e estão distribuídos pelos oito distritos da Comuna de Savè, os nove da Comuna de Ouèssè e os dois da Comuna de Tchaourou.
 Tem uma população de aproximadamente 250.000 habitantes (RPH-4, 2013) e uma área de mais de 6.000 km2.
O país de Shabè se estende do sul (rio Ouémé) ao norte por mais de 100 quilômetros, fazendo fronteira com o Reino de Parakou e os estados de Ogun, Oyo e Kwara, na Nigéria.





Imagem comprobatória


 
 Versão em português  (tradutor online)

Link https://www.facebook.com/share/p/1JgnVNnGCV/

A LINDA TRAJETÓRIA DA FAMÍLIA PIRES NO BATUQUE DO RIO GRANDE DO SUL

Coletamos este depoimento do perfil do Pai André de Oxalá Ylle Oxala Bocum Oxum Panda, ao qual faz uma homenagem à família Pires, nela relata que a bisavó era oriunda do Candomblé.  
Ainda no texto ele relata que foi batizado no Batuque do R.S., e chama o ritual de Oribibo.
 


"A LINDA TRAJETÓRIA DA FAMÍLIA PIRES NO BATUQUE DO RIO GRANDE DO SULTexto por Pai André de Oxalá Ylle Oxala Bocum Oxum Panda 
Publicado em 14/04/2026 e acesso em 22/04/2026 às 8h40min. 

Esta raiz vem de 1860 oriunda da escravidão ( Filha de Escrava) Paulina Rekelme viveu 96 anos ( Tinha sua Obrigação de Candomblé) minha ( Bisavó)

Avó de minha saudosa Mãe Maria de Lourdes, eu André sou a quarta geração de acordo com o depoimento de meu Pai carnal José Antônio Pires ( vivo ) com 82 anos, o mesmo afirma que minha saudosa Mãe teve convívio durante seus primeiros anos de vida 5 anos com sua avó ( materna).
 
Nasce em 1951 minha mãe no dia 11 de Maio uma criança com muitas dificuldades e com uma mediunidade ímpar.
 
O tempo passa...
Em Janeiro de 1970 eles se conhecem José Antônio Pires e Maria de Lourdes, meu pai e minha mãe. meu Pai trazendo uma força espiritual de minha avó Paterna Dionísia Pires oriunda do Kardesismo, deste casamento, nascem 3 filhos.
 
Andre Pires 1973
Elaine Pires 1975
Rosane Pires 1976
 
Nasci com problemas sérios de saúde e um estrabismo nos dois olhos, totalmente strabico, com uma anemia incurável foi aí que meu Pai carnal teve um sonho, um aviso de que irria me perder, 9 meses depois de eu nascer, mas em 23 de Abril de 1974 no Axé de Xangô Aganju Loní da saudosa Mãe Theresa filha de Santo de Airton Albuquerque de Oxum.

Fui batizado na Nação por saúde a 52 anos, os Orixás respondem e o Pai Oxalá Bocum me assume, Mãe Thereza fez a confirmação de minha cabeça logo após realizou o Batismo com Duas Galinhas Brancas, uma quartinha branca, uma guia branca ( Aribíbó) que estão comigo todos estes anos de minha vida. Neste dia mudou toda minha vida!

Após o batismo já se passando 5 anos meu Pai marca a viajem de Trem Húngaro de Uruguaiana para Porto Alegre, destino a casa de PAI JOAO VÓ DE OXUM DOCÔ
( BACIA JEJE VOODO) 

Isso em 1978 no aniversário de Mãe Oxum Docô ,foi realizado o (OBORI) adjunto e mais 5 santos (encostados) deixando pra o proximo ano o apronte em vasilhas de 4 pés e axes de Búzios e Facas.

Em 1979 dia 23 de setembro realizou-se o apronte de minha mãe Maria de Lourdes, e eu André Pires, meu Pai neste momento já era Pronto de Vasilha pela Mãe ( Ilca de Yensã Dirã) 17 Júlio de 1970 completando este ano 56 anos de Vasilha de Ogum Onira e outros.
 
Estando ali presente no meu apronte e de minha mãe carnal...
Pai João vó de Oxum docô/ Meu Pai de Santo nesta data!
Pai Tião de Bara Lode
Pai Airton de Oxum
Pai Cleon de Oxalá
Pai Perica de Xangô
Mãe Taia de Xapanã

E outros Babás e Yabás amigos chefes religiosos da época que saudoso Pai João vó era amigo ou ( João das Guias ) como carinhosamente chamavam .
 
Heranças ;
Orixá Oxum Balé ( Saudosa Mãe Carnal)
Umbanda de minha finada Vó Paterna Seara ( Cacique 7 Flechas), herdo também a Umbanda de minha Saudosa Mãe, Seara ( Cacique Oxossi ) de Ogum Beira Mar,
Exu Destranca Rua nasce em 23 agosto de 1989 no fundamento de Kirumbo feito este Exu pela faça de POMBAGIRA MARIA PADILHA DAS DAS ALMAS de minha Mãe carnal vindo este fundamento da feitura de Saudoso JORGE THEODORO da Rainha das Almas ( Pai Jorge de Yemanjá Bocí )
Abaixo na foto em pé minha Mãe carnal
Sentada minha primeira mãe de Santo Mãe Thereza de Xangô Aganju loní
Eu estou agarrado a minha Avó Paterna Mãe de meu Pai carnal .
Foto colorida artificialmente @destacar"

 

OYA DIRÃ CULTUADA NO PÁTIO

Neste vídeo publicado em 3 de março de 2026, no nosso canal do Tiktok, reúne vídeos de sacerdotes da Kambina, inclusive o livro Nação dos Orixás, do Paulo Tadeu, que registra os costumes e tradições da família dele.

Estudaremos o caso da Oya Dirã, cultuada como orixá que fica no pátio ou no quarto de orixá.

 


@erickwolffz ESTUDO DE CASO: Oyá Dirã e Oyá Atimbowa #batuque #oya #iansa ♬ som original - erickwolffz

terça-feira, 21 de abril de 2026

ESCLARECIMENTOS DE MÃE ALINE DE OYA DIRÃ

Coletamos esta postagem da mídia social Facebook, com o intuito de registrar os costumes e tradições do Batuque, segmento Kambina.

Mãe Aline Roman é filha de mãe Thais de Xapanã, neta de pai Cleon de Oxalá, segmento Kambina. Mãe Aline relata que é filha de Oyá Dirã, e fundamenta que Oya Dirã é um orixá de rua.

 
"MÃE ALINE DE OYÁ
Postado em 18/04/2026 
 
Com respeito ao Orixá que habita o Orí de cada irmão(a), bem como a veracidade da sua feitura. Eu caminho com firmeza, sem invadir, sem julgar, sem ultrapassar o que não me foi permitido.
 
Honro o destino de cada um, porque sei que cada cabeça carrega seu tempo, sua verdade e seu sagrado. Minha palavra não é imposição — é direção. Minha força não é controle — é fundamento. 
 
E minha espiritualidade não negocia caráter.
 
Com respeito a todos, eu não ultrapasso, eu não invado, eu não negocio.
 
Cada cabeça carrega seu destino E eu não brinco com destino.
 
Minha palavra não pede espaço - ela abre caminho. Minha presença não disputa -ela se impõe com fundamento. E minha espiritualidade não se vende, não se molda e não se corrompe.
 
Não existe melhor Orixá, nem pior - existe feitura.
 
Não é sobre comparação, é sobre fundamento. Não é sobre quem brilha mais, é sobre quem sustenta o que carrega.
 
Cada Orí responde ao seu destino Cada caminho exige verdade.
 
Orixá não erra - quem falha é a feitura mal cuidada, o caráter desalinhado, a falta de compromisso com o sagrado.
 
Aqui não tem ranking espiritual. Tem responsabilidade, tem raiz, tem respeito .
Mãe Aline de Oyá 📍Ilé Àse Oyá Dirá
🇦🇴 Nação Cabinda - Batuque do Rio Grande do Sul." (acessado em 20/04/2026 às 10h58min) 
 
VÍDEO:
 
Transcrição:
  • [00:00] "Gente, boa tarde. Eu me chamo Mãe Aline de Oyá e no decorrer desta semana me deparei com um vídeo falando sobre Orixás de rua, especificamente sobre Oyá Dirá. E nada melhor que uma filha legítima de Oyá Dirá para falar sobre Oyá Dirá."


  • [00:18] "Eu não estou aqui para entrar no mérito fundamento. Eu respeito todas as casas, todas as roças, todas as nações. Porém, eu, como filha legítima de Oyá Dirá, estou aqui para esclarecer o que é carregar um Orixá de rua no ori, como é carregar a força de Oyá Dirá no meu ori."


  • [00:35] "Sem entrar no mérito fundamento e com respeito a todas as formas de se cultuar Oyá Dirá... venho neste momento tentar acabar de vez com as polêmicas de rechaçamento sobre carregar um Orixá de rua no ori."


  • [00:48] "No decorrer desta semana, me deparei com um vídeo nas redes sociais falando sobre a feitura de Oyá Dirá. E muito me espanta a forma como as pessoas se referem ao Orixá Oyá Dirá de forma ainda pejorativa, principalmente de um Orixá que traz e carrega uma força imensurável, onde somente um filho legítimo deste Orixá tem capacidade para falar sobre como é carregar no ori."


  • [01:10] "Neste vídeo, há um paradoxo entre a força dos Orixás de rua tal como energias negativas e, vejam bem gente, até mesmo espíritos obsessores."


  • [01:25] "Então, novamente digo para vocês, eu não estou aqui para polemizar a feitura e como se cultua o Orixá Oyá Dirá, mas estou aqui para dizer para vocês que somente quem carrega um ori legítimo de um Orixá de rua tem propriedade para falar deste assunto, sobre o que é carregar essa força de um Orixá de rua em nossa vida."


  • [01:40] "Eu sou filha de Oyá Dirá, as minhas obrigações são feitas na rua. Eu carrego a essência de um Orixá de rua e mudar isso seria mudar toda a minha trajetória de vida, seria mudar toda a minha ancestralidade."


  • [01:55] "É como se fosse uma caixa preta, cada um, cada pessoa, cada ser humano possui a sua. Eu sou uma mulher casada, eu sempre trabalhei a minha vida inteira, eu sempre estudei, sou formada em Administração de Empresas. A minha casa é uma casa próspera, o meu axé é um axé próspero."


  • [02:15] "Então, o que eu quero dizer para vocês é: parem de aplaudir aquilo que vocês não têm conhecimento e propriedade no assunto." (os grifos são nosso)

Imagem comprobatória 


 Link https://www.facebook.com/reel/2804346706565176

quarta-feira, 8 de abril de 2026

AGANMA: VODUN LIGADO A ORIGEM DA CRIAÇÃO

Neste ensaio registramos a divindade Aganma, um vodun masculino representado pelo camaleão.
 
 

Culto de Mawu e Lisa no Vodu
Por Robson Ifáwole

[...] Lisa pode ser chamado também de Alökpe (Alökpe significa mão pequena, isso seria uma apelido de Lisa referindo-se a pata de um camaleão o seu animal sagrado ao qual Lisa é simbolizado) o culto a Lisa teria aparecido primeiro com os Aja por isso refere-se à cidade de Aja o nascimento de culto a Lisa em uma lenda no qual Lisa teria descido do céu em forma de um camaleão (Aganma) assim se tornando o patrono dos Ajanu e por sua aparição em forma de camaleão ganhou o apelido de Alökpe.

A filiação desse vodun é muito difícil de se estabelecer em uma só verdade porque isso se estenderia a outras duas famílias de culto vodun, a familia xévyoso e a família Sapata. Porém as versões mudam de acordo com as famílias de culto. De acordo com um sacerdote de um templo de Djèna, do par primordial Mawu e Lisa nasceu Agé, o caçador, Gu o ferreiro e ji a serpente do arco-íris ( arco-íris é chamado de Aydo-hwedo) e só mais tarde apareceriam os voduns do panteon de Hevyoso e Sakpata. Antes disso estão os voduns reais, começando por Yegu Tenu Gesu mais conhecido por Ajahuto e no panteon vodun chamado de Agasu.

De acordo com o sacerdote de Djèna, Mau e Lisa teriam existido antes de tudo e todos pois eles criaram os voduns e os homens como também tudo o que a no planeta Terra. Mau é simbolizada pela a Lua, representando o elemento feminino e Lisa o Sol ( Lisa também é também representado pelo camaleão chamado Aganma.

De acordo com a tradição Ajanu (Ajanu= vindo de Aja) esse animal é anacrônico e sua aptidão ao Mimetismo faz dele um animal muito misterioso tornando-o intimo a Lisa e assim Lisa tendo o poder de fazer uma metamorfose de cameleão o seu animal preferido. Outro mito diz que Lisa; pode ter criado todas as coisas e teria escolhido o camaleão, um dos seres mais primitivos, para sua representação. Outra versão menciona que a Lisa apareceu desta forma para os Ajanu em uma forma de passar respeito, pois o camaleão é um animal sagrado para os Ajanu) representando o elemento masculino. Em todo caso, estas duas divindades são inseparáveis dentro dos pensamentos dos Fon que os vê como o par primordial, herança dos nossos mais antigos antepassados, as divindades responsáveis da criação. [...] ( o grifo é nosso) acessado em 08/04/2026 às 13:00
 
Imagem comprobatório
 
Fonte - https://pt.scribd.com/document/53882572/COLEGIO-DE-MAWU-E-LISA 


Nesta imagem o vodun Aganma (o camaleão ) está em destaque.
 
[...]Tohossou, Aganma (la Prosperità, il Camaleonte), Sakpata - Cyprien Tokoudagba - Africa Today - Vetrina Roma - Roma [...]  acessado em 08/04/2026 às 13:10
 
Imagem comprobatória:
 
Fonte - https://www.flickr.com/photos/spalluzza/2401782430/in/photostream/ 

 


terça-feira, 31 de março de 2026

ANCESTRALIDADE AFRICANA: UMA DIMENSÃO DE SUA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL

 

 

Marcelo Osanyinwumi Candido

06/02/2026

 

“Quando não souber para onde ir, olhe para trás e saiba pelo menos de onde vem. ”

(Provérbio africano)

 

Há perguntas que parecem simples, mas carregam dentro delas um mundo inteiro de sentidos e significados. “O que é ancestralidade africana? ”. É uma delas.

Não existe uma única definição capaz de abranger todas as cosmologias africanas, mas é possível identificar princípios estruturais que atravessam algumas correntes.

Compreender quem nós somos não pode ser dissociado da pergunta de quem nós éramos. E mais do que isso, não pode ser dissociado da pergunta de quem continuamos sendo quando preservamos memória, quando mantemos um culto, quando reconhecemos uma linhagem, quando sustentamos uma continuidade.

A África não é homogênea.

É um continente de povos, línguas, filosofias e cosmologias distintas. Falar de ancestralidade africana envolve diferentes tradições e diversas formas de compreender o tempo, o invisível e a vida. Ainda assim, existe um princípio comum que atravessa muitas dessas visões: ancestralidade não é passado. É presença. É fundamento. É continuidade.


ANCESTRALIDADE COMO MODO DE EXISTIR


Em muitas cosmologias africanas, a ancestralidade não é uma categoria do passado, mas uma estrutura viva que sustenta a continuidade do ser na comunidade. Não se trata de memória distante, mas de condição de existência. Nela, os mortos integrados ao campo do culto deixam de ser apenas indivíduos e passam a operar como princípio coletivo de identidade, memória, ética e equilíbrio social.

Ancestralidade africana não é lembrança afetiva. Não é apenas genealogia. Não é honrar antepassados de forma abstrata. Tampouco se reduz a herança genética ou a traços psicológicos familiares. Não é memória emocional transmitida.

É um campo estruturado de conhecimento, ética e consciência coletiva, transmitido por meio do rito, da linhagem e da continuidade cosmológico-cultural, que atravessa gerações e permanece ativo no presente e na organização da vida comunitária.

Quando a linhagem e o culto contínuo se interrompem, essa forma estruturada pode enfraquecer. Ainda assim, a ancestralidade não desaparece: pode permanecer como memória viva e, em contextos de ruptura histórica, reorganizar-se por meio de reconstruções comunitárias, recriando formas de continuidade mesmo após interrupções profundas.

Existe memória individual, que pode ser preciosa, mas não possui a mesma densidade ritual e coletiva de uma ancestralidade ativa e organizada. Por isso, cultura não é detalhe: é sustentação, é eixo e é direção.


CULTURA, RUPTURA E CONTINUIDADE


Quando um povo perde sua cultura, perde suas referências, linguagem simbólica, crenças e orientação sobre si mesmo. Perde também sua identidade e a forma pela qual compreende o mundo e a si próprio.

A cultura funciona como estrutura de proteção simbólica e espiritual de uma comunidade. Quando enfraquecida ou atacada, o corpo social torna-se vulnerável à desorganização e ao apagamento.

Como sintetizou a antropóloga cultural Marimba Ani, ao refletir sobre processos de desestruturação cultural: “Sua cultura é seu sistema imunológico. ”

A colonização produziu formas profundas de desorganização ao interromper sistemas culturais que sustentavam identidade, ética e equilíbrio comunitário. Essa ruptura não foi apenas territorial, política e/ou econômica. Foi também simbólica e espiritual. Em muitos contextos, configurou o que pensadores contemporâneos chamam de epistemicídio: a desqualificação sistemática e a tentativa de apagamento de sistemas inteiros de conhecimentos e crenças, frequentemente substituídos por modelos considerados superiores ou universais.

Desse modo, legítimos saberes ancestrais foram perseguidos, ridicularizados e reinterpretados por olhares euro centrados e fetichizantes, que reduziram sistemas complexos a caricaturas, rotuladas como “misticismo primitivo” ou “exotismo espiritual”.

A transmissão cultural, por si mesma, não é alienação; tampouco é imposição de pensamento ou supressão da autonomia. Toda cultura transmite símbolos, valores, narrativas e estruturas de sentido. Isso faz parte do processo humano de socialização. Ninguém nasce fora de um campo simbólico. A questão está na forma como essa transmissão ocorre.

Quando uma linhagem transmite memória, forma identidade, insere o indivíduo em um campo simbólico e preserva continuidade cultural, está promovendo socialização estruturante, não aprisionamento. Alienação ocorre quando há coerção, medo, silenciamento ou impossibilidade de reflexão.

A existência de dogmas rituais e de segredos iniciáticos não configura dogmatismo opressivo, mas um mecanismo de preservação identitária e de proteção de saberes que dependem de transmissão qualificada. Uma tradição viva não exige submissão cega, mas permite maturidade, diálogo e até mesmo a decisão consciente de permanecer ou transformar.

A ancestralidade, quando saudável, não aprisiona; estrutura o ser e amplia a consciência, sem se converter em rigidez dogmática. Ela não se apresenta como verdade universalizante; sustenta-se como continuidade interna de uma linhagem, transmitida entre aqueles que compartilham seu próprio campo simbólico. Sem ancestralidade ativa, a sociedade perde sua sombra.

É como se a árvore, ao esquecer a raiz, adoecesse por dentro, perdendo a essência de quem é, a força dos frutos e a promessa das sementes que sustentam sua continuidade.

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O Sopro dos Ancestrais
(Souffles – Birago Diop)
“Escuta mais frequentemente
as coisas do que os seres.
Escuta o vento que passa
e conta a história do mundo.
É o sopro dos ancestrais.
Aqueles que morreram nunca partiram:
estão na sombra que se ilumina
e na sombra que se espessa.
Os mortos não estão sob a terra:
estão na árvore que estremece,
estão na madeira que geme,
estão na água que corre,
estão na água que dorme,
estão na cabana,
estão na multidão.
Os mortos não estão mortos.
Escuta mais frequentemente
as coisas do que os seres.
Escuta o fogo que crepita,
escuta a voz das águas.
Escuta no vento
o arbusto em soluço:
é o sopro dos ancestrais.
Aqueles que morreram nunca partiram:
estão no seio da mulher,
estão na criança que chora,
estão no tronco que cresce.
Os mortos não estão sob a terra:
estão no fogo que se apaga,
estão nas ervas que choram,
estão na rocha que geme,
estão na floresta,
estão na casa.
Os mortos não estão mortos.”

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Nesse poema, a ancestralidade aparece como sopro que atravessa o mundo, como continuidade vital que respira na árvore, na água, na madeira, na mulher, na criança e na casa. Trata-se de uma percepção ampla da presença ancestral, que não se limita ao corpo físico nem se reduz à memória psicológica.

Em diferentes contextos africanos, essa experiência da ancestralidade pode manifestar-se como presença que atravessa a natureza, como força vital que circula entre o visível e o invisível.

Em algumas culturas da África Ocidental, por exemplo, a ancestralidade assume formas rituais próprias. Entre os povos fon, manifesta-se na figura do Zangbeto, guardião ancestral que emerge sob o cone de palha, expressão de uma cosmologia distinta da ioruba. 

Ver: 

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Em outros contextos africanos, assume ainda outras configurações simbólicas e institucionais.

Essa pluralidade não fragmenta o princípio da ancestralidade. Ao contrário, revela sua riqueza e a diversidade das formas pelas quais diferentes povos estruturam a presença de seus ancestrais.

No universo iorubá tradicional, em contextos onde o culto ancestral é formalmente organizado, essa presença assume forma estruturada e institucional.

É nesse ponto que a ancestralidade deixa de ser apenas sopro e passa a ser campo organizado de continuidade coletiva.


EGÚNGÚN COMO ANCESTRALIDADE ESTRUTURADA


É nesse contexto que a ancestralidade, no universo ioruba tradicional, assume forma concreta e institucional. A imagem que acompanha este texto registra a manifestação de Egúngún que integram o campo ancestral da linhagem Ẹgbẹ́wọlé, incluindo os primeiros bàbálósányìn dessa linhagem, responsáveis pela organização e continuidade do culto de Òsányìn no âmbito familiar em Ilé-Ifè.

Aqui a presença ancestral deixa de ser apenas sopro e se afirmar como estrutura organizada de continuidade dentro do culto. Podemos compreender Egúngún, em termos filosóficos, como a expressão organizada da herança de uma linhagem iorubá.

No pensamento ioruba, ancestralidade não é apenas memória que vibra na natureza, mas continuidade formalmente reconhecida, ritualizada e integrada à organização social. Egúngún é essa continuidade tornada campo coletivo. Significa, de forma ampla, aquele que retorna do Òrun para visitar os vivos. Mas, em sentido profundo, não se trata de um morto específico. Egúngún é a presença viva da ancestralidade organizada.

É a memória espiritual de uma família, clã ou cidade. É a consciência coletiva dos mortos ilustres de uma determinada linhagem.

Não é espírito individual.

Não é entidade errante.

Não é manifestação isolada.

É a expressão espiritual coletiva de ancestrais reunidos sob um mesmo princípio de linhagem.

Quando uma pessoa morre e recebe os ritos corretos, torna-se ara-ọrun, habitante do mundo espiritual. Depois se integra ao campo ancestral da família e, com o tempo, deixa de ser apenas um nome individual para tornar-se força ancestral coletiva.

Aqui está a diferença fundamental.

No universo iorubá tradicional, em determinadas linhagens, a ancestralidade assume forma estruturada e institucional, constituindo uma herança que sustenta a continuidade do ser dentro da linhagem. Metaforicamente, pode-se dizer que Egúngún pode ser compreendido como a memória espiritual organizada da linhagem.

Tudo o que aquela família foi, viveu, errou, venceu e construiu permanece inscrito nesse campo ancestral. Ele não representa apenas continuidade espiritual, mas continuidade social, ética e normativa.


O CORPO RITUAL


No culto tradicional, Egúngún se manifesta através do Eku, o traje sagrado. Não se trata de fantasia ou representação teatral, mas de uma manifestação ritual reconhecida como presença ancestral. É a ancestralidade materializada.

Naquela roupagem não está um indivíduo, mas a memória viva de uma comunidade e a continuidade de uma linhagem de saberes teológicos, rituais e filosóficos. Por isso ninguém toca sem permissão, ninguém encara sem preparo, ninguém brinca com Egúngún.

O Eku funciona como condensador físico da memória ancestral. É como se toda a linhagem vestisse aquele corpo ao mesmo tempo.

Ali não há indivíduo.

Há princípio coletivo.


O QUE EGÚNGÚN NÃO É


Egúngún não é espírito errante.

Não é entidade solta.

Não é obsessor.

Não é guia pessoal.

Não é morto recente.

No universo tradicional, sua existência está vinculada à família estruturada, à linhagem reconhecida, ao sacerdócio legítimo e ao culto contínuo. Sem esses elementos, fala-se mais propriamente de espírito individual, e não da estrutura ancestral coletiva chamada Egúngún.


FUNÇÃO DA ANCESTRALIDADE


Egúngún não se limita ao consolo individual. Sua função principal é coletiva.

Não é apenas diálogo com os mortos, mas princípio ativo de manutenção da ordem moral e da continuidade da tradição. Egúngún intervém na correção de desvios éticos, restaurando o equilíbrio moral e social da família, reafirmando seus valores e responsabilidades compartilhadas e lembrando os vivos de que não estão separados da história coletiva.

Sua presença recorda que ninguém nasce isolado: cada indivíduo é continuidade de uma história. Egúngún não é apenas presença benevolente. É também instância de reequilíbrio, reafirmação e orientação. É a ancestralidade lembrando que sua vida não começa em você.


SÍNTESE


A ancestralidade africana é um sistema espiritual coletivo de memória viva, identidade, ética e continuidade do ser na comunidade. É defesa cultural e espiritual diante das rupturas históricas e das tentativas de desqualificação de seus fundamentos.

Nem a travessia do mar, nem o ardor do chicote nas costas, nem as múltiplas violências impostas ao longo da história puderam apagar essa continuidade.

Ancestralidade também é enfrentamento. É luta pela preservação do direito de existir como se é. É resistência diante das tentativas de apagamento.

Não é apenas herança; é afirmação. Mesmo em terras iorubas, onde o cristianismo e o islamismo expandiram-se ao longo dos séculos e onde a ancestralidade tradicional foi tensionada por ideologias de apagamento, seus fundamentos reorganizaram-se, coexistiram e, em muitos casos, preservaram seus princípios estruturais.

Ancestralidade não é objeto que se carrega; é essência que se manifesta na vida. Manifesta-se na escuta do oráculo, que orienta o rito e revela o caminho. Na roupa e nas cores. Na voz e no sorriso. No ritual, nas folhas e nas oferendas consagradas segundo a revelação oracular. Nos saberes, nos ofò e nos mitos que se transformam em ritos da cultura e memória ancestral.

Nas comidas, nas danças e nos tambores. Na cosmologia e na continuidade da própria linhagem. E quem reconhece suas raízes conhece sua identidade e aprende a insistir em ser. Sabe o tempo de trocar as folhas para fertilizar o chão que o sustenta. Sabe firmar-se contra as correntes de vento. Sabe a hora de florescer e exalar sua beleza e seu cheiro.

Sabe acolher a chuva e receber o sol. Sabe o valor de sua forma e de suas cores, que revelam quem é. Sabe devolver à natureza e aos seres humanos o àṣẹ que respira dentro de si. Oferecer a doçura dos frutos, a sombra, os remédios e os encantos.

E, em todas as estações, discernir o momento de semear novas sementes ou de afirmar seus espinhos. Tudo isso porque quem reconhece suas raízes sabe quem é, de onde vem, qual é sua direção e honra sua essência.

Ẹ̀pà Egúngún! Ẹ̀pà!

Ọ̀sányìnwumi

Bàbálọ̀sányìn Ẹ̀gbẹ́wọlé no Brasil

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Fonte:

FACEBOOK - Osanyinwumi

https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=892753577015799&id=100088434954773


Transcrição e adaptação: Luiz L. Marins

https://uiclap.bio/luizlmarins 

TIKTOK ERICK WOLFF