Transcrição da entrevista "Buscando a Possível Herança Vodun no Batuque", Revista Olorun, n. 17, abr. 2014, prof Charles da Silva.
Nesta transcrição selecionamos o tema Aganma, para que possam ter acesso ao Vodun
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[Página 113 — Imagem 1] Revista Olorun, n. 17, abr. 2014
LISÀ OU AGANMA
Bàbálòrìṣà Erick Óbokún - No culto a Xapanã, da Nação batuque do R.S., encontraremos a divindade Gama, que por falta das devidas fundamentações, se tornou uma Òsùn do cemitério, seria o mesmo que dizer que existe um Òòṣàlá que veste preto ou faz o dano, impossível de conceituar tal divindade, simples mente por que foge totalmente da sua origem e fundamentos.
Hùngbono Charles - Lisà (Lissa) ou Aganma (Agama – "O camaleão") é uma divindade de origem Aja, ligado a criação. É o princípio masculino da criação, enquanto que Mawu é o princípio feminino. Lisà, "o branco", é uma divindade muito semelhante ao orixá Yorùbá Obátálá / Òòṣàlá, sendo que cosmogonicamente ambos tem a mesma função.
Bàbálòrìṣà Erick Óbokún- Sobre o culto de Gama, no Batuque do R.S. sabemos que esta divindade pode carregar as mesmas cores que Xapanã, Lilás e branco (1x1), e não teia [tem] nada haver com Òsùn e o seu culto, nem mesmo seria feminino.
[Página 114 — Imagem 2 e 3] Revista Olorun, n. 17, abr. 2014
Hùngbono Charles - Lisà é um deus masculino representado pelo Sol, enquanto que Mawu, a deusa-mãe, é representada pela Lua. Lisà ou Aganma também recebe o apelido de Alòkpe - "O da mão pequena" - uma alusão a pata do camaleão. Os mitos dos povos Aja contam que Lisà desceu a terra e se manifestou para eles como Aganma (o camaleão) desde então esse é seu maior símbolo dentre os Ajanu.
Lisà é o céu e Mawu é a terra; Ele representa a força cósmica masculina e Ela e feminina. Também Lisà é a divindade da paternidade, é o pai dos Voduns e dos homens. Conta-se que Lisà é muito temperamental e muito rígido, ele é quem ficou responsável por fazer valer as regras de Mawu, e sempre castiga quem as descumpre. Certa vez, Mawu vendo a impaciência de seu irmão e companheiro para com os homens decretou que Lisà deveria descer a Ayikúngban (a terra, mundo dos homens) e convivendo com os humanos deveria aprender com eles e conhecê-los melhor, e assim Lisà de tempos em tempos vinha a terra e muitas vezes se envolvia com as mulheres humanas e seus filhos eram dados como vodun.
Para os povos do Abomey, onde encontra-se o convento de Jèna, o principal templo dedicado a Mawu-Lisà, estas divindades são a origem [...]

[Página 115 — Imagem 4] Revista Olorun, n. 17, abr. 2014
de tudo o que é vivo, são os deuses que existiam antes de tudo e de todos. Porém, para os povos das localidades de Dasa-Zumé e entre os Bariba, Mawu e Lisà são gêmeos nascidos de uma divindade mais antiga, chamada Nana Bulukú.
A cor emblemática de Lisà é o branco, e seus Vòdún sempre devem usar a cor branca e são chamados lisàsì ou aganmaví (filhos do camaleão). Diferente de Mawu que se relaciona igualmente a todas as famílias de Vòdún, Lisà é considerado um Ji-Vòdún (Vòdún do céu). Sua saudação é Daá mi Lisà ató nyi gbó Daágbó!
Bibliografia
VERARDI, Jorge, Axés dos Orixás no rio Grande do Sul. Editora Palloti, 1990
SILVA, Charles, MÄWÜ A DEUSA DA CRIAÇÃO NA TRADIÇÃO JEJI, p. 16, 16º Edição Revista Olórun, SET 2013.
SILVA, Charles, CASA JEJE DE AZANSÚ-SAKPATÁ, R. S., p. 25 à 27, 15º Edição Revista Olórun, SET 2013.
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