quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O VODUM DA CRIAÇÃO: LISÀ OU AGANMA

Transcrição da entrevista "Buscando a Possível Herança Vodun no Batuque", Revista Olorun, n. 17, abr. 2014, prof Charles da Silva.

Nesta transcrição selecionamos o tema Aganma, para que possam ter acesso ao Vodun

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[Página 113 — Imagem 1] Revista Olorun, n. 17, abr. 2014


LISÀ OU AGANMA

Bàbálòrìṣà Erick Óbokún
- No culto a Xapanã, da Nação batuque do R.S., encontraremos a divindade Gama, que por falta das devidas fundamentações, se tornou uma Òsùn do cemitério, seria o mesmo que dizer que existe um Òòṣàlá que veste preto ou faz o dano, impossível de conceituar tal divindade, simples mente por que foge totalmente da sua origem e fundamentos.

Hùngbono Charles - Lisà (Lissa) ou Aganma (Agama – "O camaleão") é uma divindade de origem Aja, ligado a criação. É o princípio masculino da criação, enquanto que Mawu é o princípio feminino. Lisà, "o branco", é uma divindade muito semelhante ao orixá Yorùbá Obátálá / Òòṣàlá, sendo que cosmogonicamente ambos tem a mesma função.

Bàbálòrìṣà Erick Óbokún- Sobre o culto de Gama, no Batuque do R.S. sabemos que esta divindade pode carregar as mesmas cores que Xapanã, Lilás e branco (1x1), e não teia [tem] nada haver com Òsùn e o seu culto, nem mesmo seria feminino.




[Página 114 — Imagem 2 e 3] Revista Olorun, n. 17, abr. 2014


Hùngbono Charles - Lisà é um deus masculino representado pelo Sol, enquanto que Mawu, a deusa-mãe, é representada pela Lua. Lisà ou Aganma também recebe o apelido de Alòkpe - "O da mão pequena" - uma alusão a pata do camaleão. Os mitos dos povos Aja contam que Lisà desceu a terra e se manifestou para eles como Aganma (o camaleão) desde então esse é seu maior símbolo dentre os Ajanu.

Lisà é o céu e Mawu é a terra; Ele representa a força cósmica masculina e Ela e feminina. Também Lisà é a divindade da paternidade, é o pai dos Voduns e dos homens. Conta-se que Lisà é muito temperamental e muito rígido, ele é quem ficou responsável por fazer valer as regras de Mawu, e sempre castiga quem as descumpre. Certa vez, Mawu vendo a impaciência de seu irmão e companheiro para com os homens decretou que Lisà deveria descer a Ayikúngban (a terra, mundo dos homens) e convivendo com os humanos deveria aprender com eles e conhecê-los melhor, e assim Lisà de tempos em tempos vinha a terra e muitas vezes se envolvia com as mulheres humanas e seus filhos eram dados como vodun.

Para os povos do Abomey, onde encontra-se o convento de Jèna, o principal templo dedicado a Mawu-Lisà, estas divindades são a origem [...]



[Página 115 — Imagem 4] Revista Olorun, n. 17, abr. 2014 


de tudo o que é vivo, são os deuses que existiam antes de tudo e de todos. Porém, para os povos das localidades de Dasa-Zumé e entre os Bariba, Mawu e Lisà são gêmeos nascidos de uma divindade mais antiga, chamada Nana Bulukú.

A cor emblemática de Lisà é o branco, e seus Vòdún sempre devem usar a cor branca e são chamados lisàsì ou aganmaví (filhos do camaleão). Diferente de Mawu que se relaciona igualmente a todas as famílias de Vòdún, Lisà é considerado um Ji-Vòdún (Vòdún do céu). Sua saudação é Daá mi Lisà ató nyi gbó Daágbó!


Bibliografia

VERARDI, Jorge, Axés dos Orixás no rio Grande do Sul. Editora Palloti, 1990

SILVA, Charles, MÄWÜ A DEUSA DA CRIAÇÃO NA TRADIÇÃO JEJI, p. 16, 16º Edição Revista Olórun, SET 2013.

SILVA, Charles, CASA JEJE DE AZANSÚ-SAKPATÁ, R. S., p. 25 à 27, 15º Edição Revista Olórun, SET 2013. 

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sábado, 12 de setembro de 2026

QUANDO OS COSTUMES ANTIGOS, NA VISÃO MODERNA, VIRARAM BOBAGEM E IGNORÂNCIA...

POR MOISES MARQUES

(Pai Moisés de Oxalá)

11/09/2026 

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Sou do tempo em que o Orixá, após a obrigação, depois que o okutá recebia o seu quatro pé, era deixado descansar. Só depois era colocado na vasilha e, então, levado para a prateleira.
 
Sou do tempo em que, quando o Orixá iria para a casa de um filho, ele era retirado da prateleira e deixado descansar, para só depois ser levado para a casa desse filho.
 
Sou do tempo em que tínhamos cuidado com os filhos de Bará que estavam em obrigação. Perto da cabeça deles não poderia haver banana, e eles também não comiam dessa fruta, pois ela "inquizilava" Bará.
 
Sou do tempo em que, para passar em frente a um Orixá em transe, nos curvávamos em sinal de respeito. Também não passávamos diante dele carregando um copo de água, uma faca ou qualquer objeto pontiagudo sem que estivesse devidamente coberto por um pano.
 
Sou do tempo em que não podíamos gritar dentro do quarto de santo quando estávamos lidando com o okutá. Não se gritava o nome da pessoa que estava ocupada ou em transe, pois se acreditava que o Orixá poderia se assustar e fugir.
 
Se derrubassem o okutá no chão, ou se batessem com os assentamentos, dizia-se que o Orixá poderia ir embora.
 
Sou do tempo em que, se o filho estivesse em transe e, na hora de o Orixá ir embora, o axêro chegasse chorando, aquilo era entendido como um sinal de que o Orixá estava magoado, descontente, ou que alguma coisa estava errada. Era necessário um desagravo, uma misericórdia, uma forma de apaziguar aquilo que havia acontecido.
 
Sou do tempo em que, se alguém falasse da ocupação do santo, dependendo da situação, o Orixá poderia chegar imediatamente para tirar aquela descoberta da cabeça do filho. Em outras situações, dizia-se que o santo poderia nunca mais voltar. E então seria necessária uma misericórdia para acalmar aquela situação.
 
Sou do tempo em que nossas crianças recém-nascidas eram apresentadas dentro de uma gamela aos Orixás, no quarto de santo.
 
Sou do tempo da Quinzena Seca: toques realizados de quinze em quinze dias para os Orixás, sem corte, sem imolação, apenas com frutas, balas, flores, um atã e a força da fé.
 
Sou do tempo em que, não havendo balança, num toque de dois pés, quando os Orixás não estavam se apresentando, o pai de santo entrava com uma bacia de louça branca cheia de água, coberta por uma toalha. Ao destampá-la, todos os Orixás que ele precisava se manifestavam.
 
Se precisavam de um Lodê no mundo, por algum motivo dentro do Batuque, um alguidar de pipoca era levado para o cruzeiro. Quando entrávamos novamente no terreiro, o Lodê já estava no salão.
 
E agora?
 
Agora, dizem que tudo isso é bobagem dos antigos.
Agora, dizem que era ignorância dos antigos.
Agora, dizem que essas coisas são antiquadas, ultrapassadas, que o mundo evoluiu e que o sagrado também evoluiu.
Pois é...
 
Pode ser uma imagem de tofu 
 
FONTE: Facebook
 
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Transcrição e adaptação: Luiz L. Marins
12/09/2026 
 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

ÁLCOOL É TABU ABSOLUTO DE OGIYAN?

Coletamos esta postagem na página de Moises Lino e Silva, no Facebook, publicado em 03/09/2026.




"ÁLCOOL É TABU ABSOLUTO DE OGIYAN?
Por Moises Lino e Silva

Amanhã, sexta-feira (04/09/26), começa oficialmente o Festival Anual de Ogiyan em Ejigbo. 

Contudo, as preparações já estão literalmente a todo vapor!

Hoje, chegando ao palácio real, encontrei diversas mulheres — das três famílias reais — reunidas e preparando uma bebida fermentada chamada otioka, produzida pela fermentação do sorgo.

Pessoalmente, nunca gostei de bebida alcoólica. No Brasil, sigo uma tradição em que a única bebida com algum teor alcoólico oferecida para Ogiyan é o aruwa (ou aluwa).

Em Ejigbo, o grande tabu alcoólico para Ogiyan refere-se ao emu (vinho de palma). O otioka é uma bebida com teor alcoólico que faz parte da ritualística do Festival de Orisa Ogiyan.

Orisa Ogiyan aceita algum tipo de álcool na sua tradição? Deixem comentários.

EPA AJAGUNAN! OLOROGUN EPA!
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PESQUISA E FOTOS: Moisés Lino e Silva (Agbasaga Ogiyan)" 

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

"OGIYAN E O DENDÊ NA PRÁTICA

Coletamos esta postagem publicada na pagina Agbasaga Ogiyan, no Facebook, postado em 09/09/2026. 


"OGIYAN E O DENDÊ NA PRÁTICA

Por Agbasaga Ogiyan


No terceiro dia do Festival de Ogiyan em Ejigbo (Osun State), tivemos a oportunidade de testemunhar o uso do dendê (epo pupa) na prática ritualística de Orisa Ogiyan.

Os sacerdotes trazem duas cabaças — uma aberta e outra fechada —, 4 obis (16 bandas) e uma panela branca repleta de dendê. Com esses elementos, rezam e realizam uma oferenda pública para Ogiyan, logo no início do dia.

Eeeeeepa Oosa! Epa Ajagunan!

PS: Informações e explicações mais detalhadas sobre o uso do dendê no culto de Orisa Ogiyan em Ejigbo estão em posts mais antigos de nossa página do Facebook.
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FOTOS E PESQUISA: Moisés Lino e Silva (Agbasaga Ogiyan)"
 
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IMPLEMENTAÇÃO DA POSIÇÃO YORUBA DO BENIN

Coletamos esta postagem publicada na página Adetutu Akikenju VI Onishabe do Facebook, em 07/09/2026.



"IMPLEMENTAÇÃO DA POSIÇÃO YORUBA DO BENIN
Publicação : Oba Adetutu Akinmu, Onishabè 



O sudeste e o centro são ocupados pelos Yoruba que vieram em ondas sucessivas de Ifè e Oyo (Nigéria presente) do século XII.


O primeiro, considerado o pré-Oduduwa, estabeleceu-se na parte central ao fundar os reinos de Ifata e Ijèguèdè. A decadência desses reinos entre 18 e 19o deu origem aos subgrupos Isha e Manigri.


Este último, de descendência de Oduduwa, criou os reinos de ketu e Sabe. Os fundadores da Ketu e da Sabè migraram diretamente do Ifè via Oké-Odan.
 

Em seguida, ele teve uma segunda migração de Oyo para Savè no início do século XVIII, a de Babaguidai, que transitou pelo Boko na região de Nikki antes de descer para Savè via Tchaurou, Kilibo e Kaboua.
 

O povo de Sakety, Pobe, Holi, Dassa e Bantè deixou OYO.
 

O terceiro estágio do stand Yorouba corresponde à penetração de Oyo, Egba e Awori. Os Oyo são responsáveis pela fundação de Ohori, Isalè-Ipobè e Ifanyi. Os Awori são originalmente os reinos de Sakete de Akoro e Ajache-Ekpo, enquanto o Egba ocupa Idasha conquistado na antiga propriedade de Ifata.
 

Fonte: Livro “Le Bénin” de Kolawalé Sikirou ADAM e Michel BOKO, página 30. EDICEF, 1983 PARIS"

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EJIGBO FESTIVAL OGYAN 2026

Esta postagem foi publicada na pagina Alaafin Embaixadora Cultura Paula Gomes, Facebook, em 08/09/2026.


"EJIGBO FESTIVAL OGYAN 2026
Por Alaafin Embaixadora Cultura Paula Gomes

 

Cada cidade na terra Yorubá tem a sua história, sua origem e sua ancestralidade.

A identidade de cada cidade está ligada a sua origem , a quem a fundou e a linhagem ancestral de Orisa do fundador que implanta o Asé.

Ejigbo não foge a regra, mais uma cidade cheia de patrimônio… sua origem … sua ancestralidade… Ejigbo é fundado e surge Ogiyan, o grande guerreiro que come azeite de dendê.

Histórico… patrimônio… importante preservar.

Tanto pormenor e como sempre a ligação da família real ao Orisa da cidade , pois são eles os fundadores …

Ogyan é a sua identidade , seu sangue , sua história.

Tudo tem uma história, profunda, vai além de crença….. estamos a falar de identidade …. Ancestralidade.

Vamos mergulhar um pouco em Ejigbo e sua ancestralidade…. o Palacio… o rei.. a família.. o Ojubo de Ogyan … rituais , toques… pormenores , danças, cânticos , como não preservar…."

 

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TIKTOK ERICK WOLFF