sexta-feira, 3 de abril de 2020

JOGO PARA OBÀTÁLÁ BUSCANDO EQUILIBRIO

Por Erick Wolff de Oxalá
03/04/2020
Nesta manhã de 03, de Abril fizemos um jogo de búzios na tradição do Batuque do Rio Grande do Sul, no Ilê Axé Nagô Kóbi, em porto Alegre, para a minha familia religiosa, buscando um caminho para a situação que todo mundo se encontra, para que possamos achar caminhos para evitar a doença e os males financeiros que rodam nos rondam. 

O jogo informa que:

Não é somente a nossa familia que tem medo;
Que o mundo é criação de Obàtálá, e que devemos procurar aquele que criou tudo que existe no mundo fisico;
Que Obàtálá é o rei dos òrìsà, somente ele pode convocar à todas dividandes para nos auxiliar.

Por isso:


Quando tiver divergência entre os seres humanos Òòsàálá possa trazer harmonia;
Quando houver divergência entre os poderes dos homens, que Òòsàálá apazigue;
Quando houver fome, que Òòsàálá tragar fartura;
Quando houver doenças Òòsàálá convoque as dividandes para curar e proteger todos os seres vivos.

O jogo nos orientou a fazer um Èko cozido de milho branco, em cima banha de ori, oferecendo com água da quartinha do próprio Òòsàálá.


terça-feira, 31 de março de 2020

DAFA PARA CORONA VIRUS

Luiz L. Marins
http://luizlmarins.wordpress.com
31/03/2020

 
A dinâmica mitológica da tradição oral é sempre contemporânea e atualizada com os acontecimentos que afetam uma sociedade ágrafa, algo que a modernidade gráfica não poderá retirar-lhe jamais. Por mais que a mitologia da tradição oral venha ser impressa, jamais poderá ser engessada pela modernidade das obras impressas.

Sobre isso, Roberval Marinho[1] (2010, p. 161) diz que:

“O sistema dinâmico de criação de mitos filosóficos, explicativos e contextuais, relacionados a um fato ou evento ocorrido em determinada época em uma cultura ágrafa [...] através da reimaginação mitológica forma a dinâmica do movimento, adaptação e alegria do mito em suas variantes locais e, sem os rigores da academia, formam a oralidade básica e religiosa...”

Neste mês de março de 2020, em plena pandemia do Corona vírus, o Otuagasa Ifá Temple da família Elebuibon, de Oxobô, Nigéria, publicou sua contribuição através de seu grupo no WhatsApp, apoio à humanidade realizando um jogo para o Corona vírus, como poderemos ver nas imagens no fim do texto.

Corroborando a fala acima, do professor Roberval Marinho, foi criado pelos babalaôs da família Elebuibon, de Oxobô, um novo e importante mito para registrar no odu (signo) Ose’bara, para ajudar a humanidade neste momento difícil. Interessa-nos destacar alguns pontos:

· Ifá diz que esta doença veio do mundo espiritual porque a humanidade se afastou de Deus.
· Ifá diz que esta doença veio para a terra por causa de uma guerra entre dois países.
·  Ifá diz que somente forças poderosas poderão vencer esta doença.
·  Ifá diz que se não houver cooperação entre os povos, outras doenças virão novamente.
·  Ifá confirma o Corona vírus como uma doença respiratória e infecciosa, e que devemos observar as recomendações médicas de higiene.
·  Ifá diz que os líderes devem ter responsabilidade pois serão responsabilizados por suas ações e omissões.
· Ifá diz que as pessoas que estão trabalhando para a solução serão recompensadas pelos deuses, mas que alguns aproveitarão a oportunidade para ganhar dinheiro.
· Ifá diz que os políticos não devem usar a doença como um jogo político e econômico.
·  Ifá confirma que o Corona vírus atingirá mais os idosos.
· Ifá diz que em todo o mundo os líderes serão afetados, mas que alguns nomes não serão divulgados.
· Ifá diz que as nações entrarão em recessão, e que nós devemos evitar o desperdício.
· Ifá diz que devemos colocar óleo de palma na frente de nossas casas para apaziguar os poderes místicos associados com a pandemia.
· Ifá diz que precisamos pedir ajuda aos nossos ancestrais, especialmente egunguns Babalago, com cinco nozes de cola, representando cada um dos cinco continentes.
·  Ifá diz que cada cidade deve fazer seu próprio ritual expiatório.

A mensagem finaliza dizendo que o ebó prescrito por Ifá foi realizado e que devemos divulgar estas informações.

Considerações finais

Julgamos importante registrar esta comunicação do Otuagasa Ifá Temple, da família Elebuibon, de Oxobô, por dois motivos:

· O primeiro, logicamente, pela contribuição dos babalaôs desta família para a humanidade em um momento tão difícil para todos.

· O segundo, mostrar que a dinâmica da tradição oral jamais poderá ser substituída por livros engessados tal como os livros sagrados de outras religiões que ficam fossilizados no tempo. A criação de um novo mito sobre o Corona vírus foi excelente para mostrar que os oráculos iorubas não são engessados, ao contrário, são dinâmicos e atualizados com o seu tempo, de forma que a mitologia oracular será sempre recriada de acordo com a evolução e acontecimentos sociais, políticos e humanitários contemporâneos, tal como já dizia o professor Roberval Marinho.

A seguir fornecemos as imagens da mensagem, em português, com tradução digital:










[1] Professor e pesquisador da Universidade Católica de Brasília. Ogã do Ilê Axé Opô Afonjá. Presidente nacional do Alaindê Xirê.


REFERENCIA:

MARINHO, Roberval. "O Imaginário Mitológico na Religião dos Orixás" em: BARRETTI FILHO, Aulo. Dos Yoruba ao Candomblé Ketu, Edusp, São Paulo, p. 161

quinta-feira, 26 de março de 2020

ÈKO ÒÒSÀÁLÁ

Por Erick de Oxalá
26/03/2020


Os iorubas preparam um alimento a base de uma delicada farinha de milho branca, semelhante ao mesmo preparo que oferecemos aqui na diáspora para Òòsàálá, enrolado na folha de bananeira, algumas pessoas chamam de akassá, no entanto esta palavra não é ioruba.



Procuramos no dicionário Abarahan, e encontramos uma palavra semelhante, com sentido totalmente diferente do èko;

  • Àkàsà – v. aláàkàsà (página 41,)
  • Aláàkàsà = àkàsà = òkàsà = oìóòsà = Lagosta (página 49)


Entretanto na página 184, notamos a palavra èko, conhecido akassá oferecidos para Òòsàálá;


  • Èko – (1). (a) (1) a solid food made from maize (àgbàdo) (uma solida comida a base de milho). (11) v. àkàsù: àpó là: són E.l (b); fó 1 (h) 11; rò A.1 (c). (111) v kókó c. (iv)v ìpàpó . (v) ewé v. kó B. 3b. (vi) ó rò jèko lo. It is as assy as A.B.C.
  • Èkoo mímun= ògìi pípò liquid  èko (muitos resíduos líquidos) (v ògì). (2) Branco, v. ìkòkò l(h). (2ª) y ori: ólóo èko. (3) jé kí èmi máã rí omon so,  sí mi õ (may i have children to throw èko on my corpse!) may god grant me children!
  • (4) (a) dáàko v dé C. 3ª. (b) v ìdáàkomun. (5) Òìbó v èko omondé. (6) v ààfin 4k (7) eléèko (a) (a) seller oi èko. (b) owmer of èko.

O Èko mímun (ekó para beber), pode ser preparado para quem está recolhido ou até mesmo para oferecer para alguma divindade enquanto estiver no mundo.

ABRAHAM, R.C., Dicitionary Of Modern Yoruba
Fonte preparo Èko -
https://www.youtube.com/watch?v=ku2XLD4SEMU&t=46s
Créditos da imagem ignorados: à saber

TIKTOK ERICK WOLFF