quinta-feira, 20 de maio de 2021

CARTA DE AGRADECIMENTO (JOGO DE BUZIOS UNESCO)

Postado por Paula Cristina Gomes

Em 20/05/2021



Sua Majestade Imperial, Iku Baba Yeye, Alase Ekeji Orisa, Oba (Dr.) Lamidi Olayiwola Adeyemi III, JP, CFR, LLD, SAP, D.LITT, DPR, o Alaafin de Oyo, o Presidente Permanente do Conselho do Estado de Oyo de Reis e Chefes e o Guardião Supremo da Cultura e Tradicão iorubá, deseja expressar sua gratidão a todos os seus filhos e filhas envolvidos no processo de IDAASA ERINDILOGUN para se tornar um Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Este é um marco histórico, uma conquista imensurável para o Patrimônio Cultural iorubá e para todos os praticantes de Orisa ao redor do mundo.
Muitos desafios foram enfrentados, mas o reconhecimento das práticas de Orisa diante um organismo internacional como a UNESCO reafirma ainda mais nossa sólida ascendência.
IDAASA ERINDILOGUN é um dos oráculos mais antigos da terra iorubá originada por Obatala; É uma prática antiga usada por muitas comunidades de Orisas. [ o grifo é nosso]
A todas as comunidades de Orisa em Oyo, em terras iorubás e na diáspora, aos membros da Asa Orisa Alaafin Oyo, aos esforços da Embaixadora Cultural Paula Cristina Gomes e a todos os filhos e filhas listados abaixo que apoiaram essa conquista minha gratidão:
Os nossos melhores cumprimentos da realeza



Fonte -
Facebook

quarta-feira, 19 de maio de 2021

ỌYA GBÁLẸ̀, VAMOS ENTENDER UM POUCO MAIS SOBRE ELA?

Por Hérick Lechinski

Postado em 18 de janeiro 

Antes de adentrar no assunto Ọya, vou expor algumas palavras em iorubá para vocês entenderem.


- Baálé é o líder (homem) de uma casa ou família.

- Baálẹ̀ é o líder (homem) de uma comunidade, de uma aldeia.

- Gbá é o verbo varrer, limpar em iorubá.

- Gbálé significa varrer/limpar a casa (ilé).

- Gbálẹ̀ significa varrer/limpar o chão (ilẹ̀).

- Gbalẹ̀/Gbilẹ̀ significa espalhar, estender ao redor. 

- Ìgbálẹ̀ significa vassoura em iorubá.

- Ìgbàlẹ̀ é denominação dada ao local onde ficam e se cultuam os Egúngún (Ancestrais veneráveis).

Prestem a atenção na diferença da escrita, e consequentemente no tom e significado das palavras.


Quando falamos Ọya Gbálẹ̀, estamos falando "Ọya varre o chão", em referência ao vento (um dos atributos e poderes de Ọya) que limpa, que varre o chão e a atmosfera. 


Embora Ọya possui ligações fortes com Egúngún (Ancestrais veneráveis), com o Egúngún Ológbojò por exemplo, que chega a sair com Ọya no festival anual de Ọya em Ọ̀yọ́. Esta ligação não chega a ser como é falada e ensinada no Brasil, que Ọya veste branco, que deu a luz a nove Egúngún, que Ọya Gbálẹ̀ mora no cemitério. Gentem, os iorubás tradicionais não possuem cemitérios, eles enterram seus mortos em suas casas ou quintais.


Entre os iorubás não existe esta coisa de nove Ọya, Ọya é uma só.


Pode ser que Ọya seja cultuada e até "assentada" em algum Ìgbàlẹ̀ (local de culto a Egúngún), pode ser, ainda não tive o prazer de adentrar em um Ìgbàlẹ̀ iorubá. Mas isso não faz dela se vestir de branco e ser cultuada de forma diferente.


Ọya é Ọya, uma só.

Onírá é Ọya, uma só.


Então, não caiam nesta loucura que vemos na Internet, de 500 Ọya, uma faz assim, a outra faz assado, como já dizia meu querido e adorado padre Quevedo, ISSO NO ECXISTE!!!


ỌYA Á GBÈ WA ÒÒÒ.


Texto de: Hérick Lechinski

📸 Fotos do Festival Anual de Ọya em Ọ̀yọ́, em 2019
Link - 
(1) Orisa University : Ọya òòò. ⚡🌪️⚡🌩️🔥🔥🔥 | Facebook

segunda-feira, 17 de maio de 2021

PRECEITOS DE EGUN NUMA CASA DE ORIXÁ

Por Erick Wolff de Oxalá


Sacerdote de orixá desde 1989, na tradição do Batuque do Rio Grande do Sul

17/05/2021

Respeitando o direito de cada um e a liberdade de culto, este ensaio tem por finalidade esclarecer alguns conceitos sobre o culto de Egun e o ritual de Orixá ou Ori, nos rituais do Ilê Axé Nagô Kóbi, tradição Batuque do Rio Grande do Sul. 

No dia 10 de maio, publicamos um ensaio esclarecendo alguns pontos sobre o que seria Iboku, Balé e os rituais dos mortos (O link está disponível no final da  página). No entanto, sabemos que na tradição da Kanbina, antes de rituais de Orixá é costume dar de comer aos ancestrais, para poderem nos orientar e apaziguar os nossos mortos, entre eles louvamos o nosso Olùpilèsè (fundador).

Conforme pontuamos acima, antes de obrigações que envolvam orixá, ou ori, deve alimentar os mortos, o que pode levar um ou três dias, pois é inviável manter a casa em preceito de Egun por 32 dias, sendo que no ano temos apenas 12 meses, o que diminuiria para seis meses livres para rituais e obrigações de Orixá ou Ori, sendo assim impossibilitaria até mesmo da prática de serviços ou jogo de búzios durante estes 32 dias de rituais de Egun. Lembrando que algumas casas ainda possuem rituais de Umbanda ou Exu que necessitariam de ficar em preceito, devendo esperar o termino dos rituais de Egun. 

Outro fator que devemos considerar é sobre o kamuka o rei da Kanbina, que em caso de morte de algum individuo da família religiosa, e, caso o Kamuka esteja comendo, não perderá a obrigação, mas terá restrições, como silenciar o tambor, e finalizar as obrigações, para assim que possível darem o início aos rituais do morto (egun), desta forma sendo a única a não perder as obrigações arriadas. 

O que não fica claro, como é que alimentam o Kamuka durante a obrigação para que não se perca o que está sendo feito, caso não possua a segurança do meio do salão, ou, não tem ele sento.

A segurança do Kamuka que fica no meio do salão, não existe nenhum corte especial ou oferenda em cima que se possa afirmar que esteja comendo, para poder segurar a casa enquanto estiver em rituais.


Considerações finais

Antes das obrigações de orixá ou ori, alimentam os mortos, em rituais de alguns dias.

Fica totalmente inviável manter o terreiro 32 dias em preceito de Egun, antes de qualquer obrigação, pois as suas atividades ficariam limitadas, considerando que o ano possui apenas 12 meses. 

Para que Kamuka segure a obrigação, ele deve estar comendo. 

Referencias 

DIFERENÇAS DOS RITUAIS FUNEBRES PARA OS MORTOS DO BATUQUE


TIKTOK ERICK WOLFF