terça-feira, 28 de abril de 2026

YEMANJÁ COME CARNEIRO

Debate sobre o tema Iemanjá comer carneiro ou não.

Em 20/05/2025, Dra Paula Gomes fala sobre o costume de Iemanjá comer carneiro em Oyo, Nigéria.


Em 20/05/2025, o Teólogo dr. Baba Hendrix, comenta sobre o costume de de uma família entregar carneiro para Iemanjá no Batuque do R.S.


"Por Hendrix Silveira 

Yemanjá come carneiro.
#hendrixsilveira #afroteologia #filosofiaafricana #teologia #orixas #orixás #orixa #orixalidade #ancestralidade #batuque #batuquers #ileaseorisawure #yemanja #carneiros"

 

Comentários:

Ola desculpe a correção mas Yemoja não é uma orisa dos egba isso já foi completamente desacreditado, inclusive fiz duas matérias em Abeokuta em dois templos diferentes de Yemoja que os próprios egba , Ibara e gbagura dizem que ela veio do norte ( Ibara egba e gbagura -
povos de Abeokuta ) a propósito Abeokuta foi fundado em 1830.
A cidade principal que yemoja viveu se chama Saki no estado de Oyo - ali a principal mitologia dela acontece : ela se casou com o rei Okere ( título de reinado como ALAAFIn em oyo )
O rio Ogun ( yemoja) se origina no norte de oyo, tanto que o maior reservatório de água de área yoruba è feito com água do rio Ogun dentro do estado de oyo .
Contribuindo com o tema : Do norte ao sul de área yoruba yemoja é cultuada, estive em mais de 10 templos em todos yemoja come carneiro.
 
[Yemojagbemi Omitanmole Arike] Não me culpe. Culpe Pierre Verger, que além de afirmar que ela é cultuada em Abeokutá, diz que em Ijexá nunca se ouviu falar em Yemanjá. Que por muito tempo se disse que viveu quase 10 anos na Nigéria e Benin.
 
[Hendrix Silveira] não estou lhe culpando , apenas atualizando já que as buscas por orisa não terminaram com verger . A fonte continua viva ! Verger fez um trabalho incrível , contudo talvez faltou apurar algumas outras fontes - aliás diz ele que ela surge em algum lugar entre Abeokuta e Ibadan ( caminho longuíssimo aí ) de duas cidades que foram fundadas em 1830.
As fontes estão vivas, yemoja tb è cultuada em Abeokuta só não tem origem ali …
Abeokuta è fundada em 1830, depois que os egba que migraram até ali ficaram escondidos na Olumo Rock durante 3 longos anos … história bem facinho de encontrar, a história de yemoja esposa de okere bem famosa e bem registrada tb por outros pesquisadores (realmente não temos só verger ) veremos Saki Norte de oyo como um dos cenários mais conhecidos desta orisa. Ou seja… ela não só esta presente no território de oyo como tem protagonismo em uma cidade do Estado.
 
[Yemojagbemi Omitanmole Arike] Entendo que as tradições de matriz africana são dinâmicas e por isso podem sofrer alterações de interpretação ao longo do tempo. Percebo que é de certa forma comum um povo determinar que a sua divindade principal possui uma origem externa. Acontece com Oduduwa, Obatalá, Orunmilá, sendo que este último é dito que tem origem em Meca. Há também, a interpretação de que o Itan que narra a fuga de Yemanjá seja uma representação simbólica da fuga dos egbás e sua chegada em Abeokutá.
 
[Hendrix Silveira] acho que não é sobre a dinâmica exatamente a questão è sobre avaliar a área yoruba toda apenas por um autor : Verger , existem dezenas de outros autores antes e depois dele que registraram culto e como disse as fontes estão vivas e lembram de sua história ..
Reafirmo dezenas de outros autores não falam de yemoja sendo egba nem os próprios egba.
Nunca ouvi essa interpretação do Itan de yemoja nem mesmo narrada pelos próprios egba … gostaria de ouvir essa versão pode me dar a fonte exata ? Sacerdote que falou?
 
https://olumorock.ng/about-olumo/ a história sendo contada por eles mesmos .. yoruba fonte viva falando sobre si. Os egba e Olumo rock .
 
Voltando ao Carneiro e então a literatura antiga .. Willian Bascom que registrou muitos versos do erindilogun de África yoruba ano 1980 bem próxima a publicação Orixás de Verger : registra no odu Ogunda : yemoja fica feliz a com carneiro apresenta até mesmo uma canção .. que me lembrou bastante uma canção de candomblé.
 
Bibliografia: Bascom, William Sixteen Cowries – Yoruba Divination from Africa to the New World - Coleta Salako Oyo - Nigéria- Página 450
Compartilho o Verso traduzido:
1. "Otere, ile ayo;
2. “Otere, ile ayo:
3. “ Isso foi feito com sucesso por aqueles que vieram antes.
4. “ Deverá ser anotado por aqueles que vem depois.
5. Consulta feita para Yemọja Atárámàgbá
6. Moashogbobogbayo
7. Yemọja o que você precisa fazer para ter uma vida agradável/longa/próspera?
8. Ela colocou a mão na cabeça e foi consultar os sacerdotes
9. Eles disseram que ela tem que oferecer 26.000 búzios
10. Eles disseram que ela tem que oferecer um galo
11. Eles disseram que ela tem que oferecer um pombo
12. Eles disseram que ela tem que oferecer ègbo ( canjica branca)
13. Eles disseram que ela tem que oferecer ewa¹ ( Feijão)
14. Ela deveria fazer o ébo
15. Yemọja coletou os itens do ébo e ela fez o ébo
16. Ela propiciou²
17. Yemọja começou a ter filhos
18. Yemoja começou a ter prosperidade , Ela ficou rica
19. Ela estava dançando e muito feliz
20. Ela estava louvando seus adivinhos
21. E os adivinhos estavam louvando os Orisa
22. Ela dizia que seus adivinhos falaram a verdade
23. “Otere, ile ayo”
24. “Otere, ile ayo”
25. “ Isso foi feito com sucesso por aqueles que vieram antes.
26. “ Deverá ser anotado por aqueles que vem depois
27. Adivinhação feita para Yemoja Atárámàgbá
28. Moashogbobogbayo,
29. Ela cantou:
30. “Se eu vir iyán (comida preparada para yemoja), vou dançar
31. Yemọja
32. Se eu vir um carneiro , vou festejar
( Bó ríyán a jó Yemọja Bó rágbò a yò̩ Yemọja...)
33. Yemọja
34. Òrìsà disse
35. As deidades ordenaram
36. Onde nós vemos em Ogunda.
 
Notas:
1- Barcelos, Renata : Alteração da tradução do original em Inglês de Bascom Ewa traduzido para milho para Ewa traduzido para feijão. Church Missionary Yoruba: A diccionary of the Yoruba language : na tradução Beans (feijão) inglês = ewa.
 2– Bascom escreve: ò kérù, o tu. Traduz como: She appeaed the goods, Reinterpretação da tradutora: Ela propiciou.
Kérù: v èro - èro= Propiciar (Abraham, R. C. (1958) Dictionary of Modern Yoruba)
3- Avaliação Canção Yemoja : Nathan Lugo.
4- Correção Nathan Lugo"
 
 
Imagens 


 
Em 21/05/2025, Renata Arike posta sobre o culto de Iemanjá em Oyo, Nigéria. 

 

Em 22/05/2025, Hérick Lechinski postou um artigo sobre o carneiro de Iemanjá.

YEMỌJA “COME” CARNEIRO CAPADO?
Por Hérick
Postado em 22/05/2025
 

Bom, vi o bonde do pessoal falando sobre o oferecimento de carneiro capado para Yemọja e resolvi acompanhar o bonde também.

Primeiro, é de grande importância o esclarecimento, principalmente para aqueles que não sabem, Òrìṣà nenhum come bicho, ou bebe sangue de bicho, pois, Òrìṣà não é vampiro. 

Quando sacralizamos, abatemos religiosamente um animal para um Òrìṣà, o motivo são dois, o primeiro, através do sangue daquele animal, que contém grande parte do seu poder vital, e através do poder do Òrìṣà transferimos aquele poder vital do animal para nós, e segundo, alimentar nossa comunidade através da carne daquele animal abatido, estes são os dois motivos de abatermos animais para os Òrìṣà. Como vamos transferir a vitalidade e o poder daquele animal para nós, é completamente indispensável que o animal esteja o mais perfeito possível, para que aquele poder (ÀṢẸ) venha o mais perfeito possível para nossas vidas. 

Quando abato um galo, receberei vitalidade, vigor, proteção, etc. Quando abato um carneiro, irei receber calma, força, invencibilidade, etc. Os chifres de um bicho são símbolos de força, poder e proteção, já que é com seus chifres que eles se protegem e brigam, como então vou oferecer um animal mocho, sem chifres? O pênis, o órgão reprodutor do animal tem o poder de fertilidade e reprodução, como vou oferecer e receber o àṣẹ de um animal sem seu órgão reprodutor? 

Sabe o que gosto da minha religião? Ela tem explicação para tudo, só não sabe quem não aprendeu.
Agora falando de Yemọja, na Nigéria, a maioria, senão todas, as famílias de culto à Yemọja oferecem Àgbò (carneiro) para ela, além da simbologia e poder próprio do carneiro, é também dado a sua ligação com Ṣàngó e Egúngún. Ainda desconheço uma família que não sacralize carneiro para Yemọja, pode ser que exista, mas ainda desconheço. Já no Brasil, no Candomblé Kétu, algumas tradições do mesmo também oferecem carneiro para Yemọja, mas nunca soube de ser capado, sei de bode capado para Ọ̀ṣun Ọ̀pàrà no Candomblé Kétu, mas nunca escutei falar de carneiro capado para Yemọja no Candomblé Kétu. Ah mas se oferece em alguma tradição do Batuque, tudo bem. 

Concluo este artigo dizendo que, dentro do Ẹ̀sìn Òrìṣà Ìbílẹ̀ (Culto Tradicional Iorubá aos Orixás) não temos o hábito de sacralizar animais mutilados para Òrìṣà ou Ẹgbẹ́ Ọ̀run ou Egúngún, pelos motivos já descritos, achamos ilógico, masssss, é importante deixar claro que, respeitamos as tradições religiosas do Candomblé e do Batuque, mesmo não concordando com elas, é nossa obrigação respeitá-las e nem tudo do Candomblé ou do Batuque deve se basear como se faz na Nigéria, Benim, Togo, etc., porque o Candomblé e o Batuque são religiões afro-brasileiras, tradições africanas recriadas no Brasil e adquirindo tradição própria, por isso denominadas afro-brasileiras e não africanas.

Que cada um possa seguir suas tradições e com respeito a do irmãozinho, se não está contente, muda de religião, é simples, agora não se pode usar a régua de uma, para medir a outra.
Me empolguei, o texto ficou grande! Hehehe.
Éépà Omi o!
Yemọja á gbè wá ooo!
Hérick Lechinski, Paranaguá, 21 de maio de 2025
Uma criação IA minha, de Yemọja recebendo um carneiro de um devoto

 Fonte - https://web.facebook.com/share/p/1Beii9on1v/

 Imagem



RIO GRANDE DO SUL LIDERA PRESENÇA DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA E REVELA IDENTIDADE PRÓPRIA NO SUL DO PAÍS

O jornal Porto Alegre 24h, publicou um artigo que revela a realidade das religiões de matrizes africanas no sul do país.  

 

"Por Bruna Canali (jornal Porto Alegre 24H)

Postado em 27/04/2026, acessado em 28/04/2026 às 8h36min

O Sul do Brasil também é território de Axé — e com características únicas que desafiam estereótipos. Dados recentes do IBGE revelam que o Rio Grande do Sul é, proporcionalmente, o estado com maior número de adeptos de religiões de matriz africana no país.

Diferente do imaginário popular, que costuma associar essas práticas principalmente ao Candomblé, no território gaúcho são outras vertentes que predominam: Umbanda, Quimbanda e Batuque. Essas tradições estruturam a vivência religiosa em grande parte dos terreiros, com fundamentos, entidades e rituais que refletem a construção histórica e cultural da região.

Em cidades como Porto Alegre, essa presença se intensifica ainda mais. A capital gaúcha figura entre os municípios com maior concentração de praticantes dessas religiões, consolidando-se como um importante polo de expressão espiritual afro-brasileira.

Segundo os dados, cerca de 3% da população do estado se declara adepta dessas religiões — índice significativamente superior à média nacional. O número evidencia não apenas crescimento, mas também maior visibilidade e afirmação dessas tradições no Sul.

Entre as vertentes, o Batuque se destaca como uma das expressões mais antigas e enraizadas da cultura afro-gaúcha. Já a Umbanda segue em expansão, dialogando com diferentes públicos e contextos urbanos. A Quimbanda, por sua vez, mantém uma identidade própria, muitas vezes cercada de preconceitos, mas firmemente presente no cotidiano religioso.

O cenário reforça uma ideia central: o Axé no Sul não é uma reprodução de outras regiões, mas uma tradição construída ao longo do tempo, com identidade própria e forte enraizamento cultural.

Mais do que números, os dados revelam diversidade, resistência e a pluralidade de formas de viver a espiritualidade no Brasil.


Foto: Reprodução/Ilustrativa"

Fonte - https://poa24horas.com.br/noticias/2026/04/rio-grande-do-sul-lidera-presenca-de-religioes-de-matriz-africana-e-revela-identidade-propria-no-sul-do-pais/#goog_rewarded

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ALAAFIN SIYANBOLA LADIGBOLU I

Este ensaio tem por finalidade registrar os costumes e tradições do povo Ioruba.

Na pagina Historical Nigeria - Yoruba, publicaram o seguinte artigo:

 

 

"Alaafin Siyanbola Ladigbolu I: O Monarca por Trás de “A Morte e o Cavaleiro do Rei”, de Wole Soyinka


Como a morte de Alaafin Siyanbola Ladigbolu I em 1946 inspirou uma das maiores obras-primas da literatura africana e revelou o choque entre a tradição iorubá e o domínio colonial.

Alaafin Siyanbola Ladigbolu I (Reinado de 1911 a 1944) permanece um dos monarcas mais icônicos da história iorubá — um governante cuja morte reverberaria muito além dos muros do palácio, inspirando uma das obras mais celebradas da literatura africana. Seu reinado marcou um período de transição política, resiliência cultural e interferência colonial no Império Oyo.

Conhecido pelo reverente nome real “Iku Baba Yeye” — que significa “aquele que pode comandar a morte” — Alaafin Ladigbolu I personificava a grandeza e a autoridade sagrada da monarquia tradicional iorubá. Ele foi um governante tradicional forte que manteve o prestígio do trono de Oyo durante as primeiras décadas do domínio colonial britânico, navegando pela complexa relação entre o antigo sistema político iorubá e a administração colonial moderna.


A Morte Que Abalou um Império
Alaafin Siyanbola Ladigbolu I faleceu em 1944, e sua morte marcou o início de uma série de eventos que se tornariam um símbolo cultural e filosófico da identidade iorubá. Tradicionalmente, quando um Alaafin morre, espera-se que seu Eleshin Oba (o Cavaleiro do Rei) o siga para a vida após a morte por meio de um suicídio ritual — um dever sagrado destinado a preservar a harmonia cósmica entre o mundo dos vivos e o dos ancestrais.


No entanto, quando chegou a hora de realizar esse antigo rito em 1946, oficiais coloniais britânicos intervieram. Vendo o ritual através de uma lente legal ocidental, o Oficial Distrital Britânico prendeu o Eleshin Oba, acusando-o de tentativa de suicídio — um ato criminalizado pela lei britânica.
 

Essa interrupção de uma tradição iorubá profundamente espiritual foi vista pelo povo como uma violação catastrófica da ordem sagrada. O filho do Oba Eleshin, que na época negociava na Costa do Ouro (atual Gana), correu para casa para cumprir seus deveres filiais. Ao descobrir que seu pai ainda estava vivo — e, portanto, havia falhado em cumprir sua responsabilidade espiritual — o jovem, horrorizado com a profanação da honra ancestral, tirou a própria vida.
 

A tragédia não apenas expôs o choque cultural entre a metafísica iorubá e o racionalismo colonial, mas também ressaltou o impacto devastador do mal-entendido imperial sobre os costumes indígenas.
 

Da História à Literatura
Este evento histórico foi pesquisado e registrado pela primeira vez pelo acadêmico franco-brasileiro Pierre Verger na década de 1960. A história mais tarde cativou a imaginação do ganhador do Prêmio Nobel, Professor Wole Soyinka, que a transformou na poderosa peça de 1975, “A Morte e o Cavaleiro do Rei”.
 

A peça de Soyinka não é meramente uma recontagem do incidente histórico — é uma exploração filosófica do dever, do destino, da honra e da tensão metafísica entre o espiritual e o secular. Através do seu uso magistral da cosmologia iorubá e da linguagem poética, Soyinka retrata as consequências trágicas da arrogância cultural e a complexidade moral tanto do poder colonial quanto da obrigação indígena.
 

O reconhecimento global da peça solidificou seu lugar como uma das obras literárias mais importantes da África, frequentemente estudada por seu profundo retrato do conflito intercultural e da beleza trágica da filosofia iorubá.

O Legado do Alaafin
O reinado de Alaafin Siyanbola Ladigbolu I, embora marcado pela interferência colonial, permanece um símbolo da resiliência e da autoridade iorubá. Ele governou durante um período em que a monarquia de Oyo estava se redefinindo sob as pressões da governança moderna, da expansão missionária e do controle político britânico.

Seu nome e legado continuam a ter significado espiritual em Oyo, onde o título de Alaafin permanece um dos mais reverenciados na Iorubalândia. Sua vida e morte se encontram na interseção da história, da espiritualidade e da literatura — um testemunho de como um único evento na história real iorubá se tornou um tema eterno de reflexão filosófica e artística.

Contexto da foto: 
Alaafin Siyanbola Ladigbolu I, Alaafin de Oyo (1911–1944).
Evento: Morte e o ritual real interrompido que inspirou "A Morte e o Cavaleiro do Rei".
Nota cultural: “Iku Baba Yeye” — Aquele que comanda a morte e, ainda assim, é pai de todos.

Referências:
1. Verger, Pierre (1964). Notes sur le Culte des Orishas et Vodouns à Bahia, la Baie de Tous les Saints, au Brésil et à l'Ancienne Côte des Esclaves en Afrique.
2. Soyinka, Wole (1975). Death and the King’s Horseman. London: Methuen Publishing." (tradução google)


Fonte acessada em 23/01/2026, às 18h - https://www.facebook.com/share/p/1JwjWh65Lq/
Imagem comprobatória - 



Neste artigo, coletado na página 




"Uma foto rara de um adivinho, Alaafin de Oyo e o quase lendário Capitão William A. Ross, que ajudou o Alaafin de Oyo a recuperar a proeminência como governante supremo dos iorubás. Ele residiu em Oyo de 1914 a 1931 e era amigo da Princesa I. Ross."

Fonte acessada em 23/01/2026, às 18h - https://www.facebook.com/share/p/1CLoKjVMv5/
Imagem comprobatória 



ESTUDO DE CASO: OYA DIRÂ E OYA ATIMBOWA AS IANSÃS DO PÁTIO


Neste trabalho coletamos depoimentos e registros que atestam que Oya Dirã e Oya Atimboa são divindades cultuados no pátio.

Neste extrato pai Juares do Bara, informa que:


Neste outro extrato pai Juares completa que:

  

No livro Os fundamentos religiosos da Nação dos Orixás, 2 edição, 1994, Paulo Tadeu registra que Oiá Dirã é um orixá que fica no pátio.

Vejamos:

 

 

[...] IANSÃ (Oiá Timboá, Oiá Dirá): Podem ser misturadas as inhalas.[...]


Idem na página 220:

  

 [...] separando-se apenas as dos Orixás de rua (Bara Elegba; Lodê; Ogum Avagã; Oiá Timboa, Dirã), que também poderão ficar juntos em suas respectivas classes, na mesma peça (casa). [...] (o grifo é nosso)

  

Idem na página 222:

 

 

 [...] IANSÃ (Oiá Imboá, Oiá Dirã) 

Podem ser misturadas as inhalas. [...] 

 

Idem página 223:

 

 [....] IANSÃ (Oiá Timboa, Oiá Dirã)

Fazer as inhalas dos animais de quatro patas destes Orixás, [...] Coloca-se o sarrabulho na frente dos orixás antes de ser comido pelas pessoas. Pode ser feito numa vasilha só e juntos, se os Orixás estiverem na mesma peça (casa), do contrário, separa-os. [...] 

 

Da elaboração do livro ao lançamento Paulo Tadeu, declara que pertencia a família do pai Cleon de Oxalá, conforme página 191:

 

[...] INICIADOR E APRONTADOR RELIGIOSO DO AUTOR, Babalorixá JOÃO CLEON MELO FONSECA (CLEON, DE OXALÁ ELEFÃ) [....]

Inclusive assina e atesta o livro publicado: 

[...] Declaro, para os devidos fins, que após examinar os originais do livro "OS FUNDAMENTOS RELIGIOSOS DA NAÇÃO DOS ORIXÁS", NAÇÃO DE CABINDA, escrito pelo Babalorixá Paulo Tadeu Barbosa Ferreira, está integralmente dentro dos preceitos religiosos da Nação de Cabinda, cultuada no Rio Grande do Sul. Que o seu conteúdo é de grande valia para a instrução e o aperfeiçoamento religioso dos Babalorixás e Yalorixás desta Nação de Orixás, bem como, para enriquecer os conhecimentos religiosos de Dirigentes Espirituais de outras Nações de Orixás.

setembro, 1983. [...]

Entretanto, após alguns anos, pai Cleon muda os conceitos e afirma o contrário, dizendo que Oiá Dirã seria uma Iansã cultuada dentro do quarto de orixá, vejamos:


Fontes pesquisadas:


@erickwolffz ESTUDO DE CASO: Oyá Dirã e Oyá Atimbowa #batuque #oya #iansa ♬ som original - erickwolffz

PAI CLEON DE OXALA, H0MENAGEM PÓSTUMA

Hoje 26/01/2026 coletamos homenagens de algumas páginas do Facebook, com intuito de registrar um Baluarte da Kambina, notavelmente que ele formou uma grande família que se estende pelo Brasil, países da  América latina.


"Por Reino de Oxalá - Soc. Ben. 7 Flexas e Oxalá (https://www.facebook.com/reinodeoxalasbsfo)



A saudade vira reverência, e a memória se transforma em axé. 🤍
✨
Há 5 anos, Pai Cleon de Oxalá retornou ao Orum, deixando um legado eterno no Batuque do Rio Grande do Sul. Homem de fé firme, palavra justa e coração guiado por Pai Oxalá, ele marcou gerações, formou casas e ensinou que o sagrado se constrói com humildade, verdade e amor ao próximo.

Pai Cleon não partiu… ele se encantou. Vive na memória de seus filhos, nos toques do tambor, nos fundamentos preservados e em cada prece feita com respeito aos Orixás. Seu nome permanece vivo, honrado e guardado como um verdadeiro ícone da nossa religião.

Neste momento tão significativo, expressamos também nossa profunda gratidão a Pai Walter de Oxum e à sua família, que conduzem com zelo, responsabilidade e axé um preceito tão importante em nossa casa. 
 
Com respeito aos fundamentos e aos ancestrais, damos início à nossa obrigação aos eguns, mantendo viva a tradição e a continuidade espiritual que Pai Cleon sempre nos ensinou a preservar.

Que Oxalá nos cubra com sua paz, que Oxum nos abençoe com amor e equilíbrio, e que o legado de Pai Cleon de Oxalá siga iluminando nossos passos. 🕊️💙"

Fonte - https://www.facebook.com/reel/1972512306665496

Imagem comprobatória:

IMPORTÂNCIA CULTURAL DO YORUBA NA SOCIEDADE BENINENSE

Coletamos esta postagem na página Adetutu Akikenju VI Onishabe, no Facebook, de para registro da influencia dos povos Iorubás na cultura Fon.



"Importância cultural do Yoruba na Sociedade Beninense
Por John O. Igué


A importância cultural do Yoruba na sociedade continua a ser o principal elemento da civilização beninense. Isso foi feito a partir da dominação política que Ouch primeiro exerceu em Abomey e a vassalização depois dos reinos de Sabè e Kétou por este último a partir de 1870. É a partir desses elementos políticos que essa influência cultural iorubá se impôs sobre outras sociedades beninesas. Isso pode ser medido no nível político, religioso e urbano. Essa influência cultural também resulta de um longo processo de mistura que ocorreu entre grupos AJA-Fon e grupos Yoruba desde o período pré-produzido. 


No nível político, o impacto cultural iorubá nas instituições políticas AJA-Fon foi relatado principalmente por Paul Mercier, Montserrat Palau Marti e Isaac Adeagbo Akinjogbi. Em sua tese '' Dahomey and its Neighbours', o professor Akinjogbi mostrou bem como todas as instituições políticas de Aja-Fon são baseadas no parentesco (ou seja, '' èbi''), assim como no país Yoruba . A manifestação de tal instituição primeiro se sente no caráter eletivo do rei, no fato de que os príncipes não têm poder no reino, na imprecisão da ideia de nobreza. Assim, toda a liberdade é dada a cada príncipe para se casar com qualquer mulher no reino, incluindo um escravo, da mesma forma, a princesa tem a oportunidade de se casar com um plebeu. Essa noção de parentesco também explica a importância do conselho do rei em todos os reinos de Aja-Fon. Como no país iorubá, cada elemento do conselho permanece ligado a uma linhagem. O peso do parentesco nas instituições destrói a noção de feudalismo como mencionado nas instituições sociopolíticas africanas. 


O segundo aspecto da semelhança das instituições políticas Aja-Fon com as dos Yoruba é o caráter sacrossanto dos reis, como Palau Marti mostrou em sua obra "O Rei, Deus em Benim". Em Tado, Abomey e Porto-Novo, assim como em Ilé-Uri e Oyo, alguns reis são elevados ao posto de Deus após a sua morte e assim tornam-se líderes eternos. É o caso de Oduduwa em Ilé-Uri, de Alaafin Sango a Oyo e o Rei Adjahouto em Allada. Willington D. Jones e Auguste, os eriçados, foram capazes de escrever, o primeiro falando de Oyo e o segundo sobre Abomey que o caráter quase divino dos mortos dá à história algo de mistério. A história assume um caráter santo; Ela não é apenas o momento das glórias de uma tribo fundadora de um reino, ela ainda toca o maravilhoso. Mas no campo religioso que a influência Yoruba permanece decisiva nas culturas do Benim. Esta influência pode ser analisada em três níveis: o do número de deuses que constituem o panteão Yoruba, é composto de quatrocentos um deus chamado "Orisa". O mais importante desses deuses são Nana Buruku, Oduduwa, Obatala, Ogun, Sanpona, Sango. Todos esses Orisa, chamados Vodun sul do Benim, constituem todo o Panteão Aja-Fon. 


Em todos os conventos do sul do Benim, a língua de iniciação é o nago; Da mesma forma, o Nago é usado pelos fiéis desses cultos e os títulos carregados por dignitários estão frequentemente em Nago. 


O peso dominante da influência cultural Yoruba sobre as populações do sul do Benin não está apenas ligado ao fato de que o pano de fundo do assentamento é de origem Yoruba, mas também a um movimento de enxerto e mistura que é feito através de contribuições de escravidãoA maioria de origem Yoruba. O status de escravo desses Yoruba não lhes deu a oportunidade de se afirmar politicamente. É sobretudo o plano cultural que estes últimos mantiveram toda a sua influência. No momento das cerimônias de nascimento e morte, esses grupos mostram sua pertença cultural. Muitos deles preservaram seu nome Yoruba, outros tomaram nomes de Aja-Fon e só se encontram Yoruba através dos poemas de saudação (Oriki). O peso desses escravos, em particular aqueles que não foram embarcados na América, é decisivo na disseminação de Oro e Egungun na AJA. Quanto ao Yoruba retornado do Brasil, muito poucos se lembram de sua origem. Preferem manter suas denominações portuguesas ou brasileiras, ao contrário do que aconteceu em Abèokuta onde a maioria dos escravos voltou da Serra Léone ou do Brasil retomaram seu nome Yoruba. A consciência brasileira ou portuguesa desenvolveu-se tanto mais desde que estes escravos se constituíram durante muito tempo neste país, a primeira camada de intelectuais sobre a qual os europeus se baseavam para estabelecer a sua administração bem como as estruturas do tráfico de tráfico . Esta situação reforçou ainda mais a conscientização da classe desses afro-brasileiros “nesta parte sul do Benim. Esta consciência estava ainda mais enraizada, uma vez que atingiu profundamente as forças imperialistas. Isso deu a esses ex-escravos a oportunidade de se vingar dos tratadores AJA-Fon que os haviam vendido aos comerciantes de escravos portugueses. É praticamente a partir da recusa de integração em um ambiente que não é deles originalmente que esses escravos retornaram do Brasil foram capazes de construir uma banda separada, mesmo praticando a endogamia para ser capaz de retirar melhor a pressão que a sociedade poderia exercer sobre eles. 


A partir dessas descobertas, poderíamos prescindir do afro-brasileiro "Benin como Yoruba. Mas além de um verniz brasileiro, muitos ainda falam Yoruba em suas concessões. Melhor ainda, diante do desenvolvimento da consciência africana que se manifesta hoje pelo retorno à autenticidade, a maioria afro-brasileiros, depositou sua máscara para começar a viver intensamente sua cultura iorubá. Podemos citar como exemplo o caso de DA Sylva, paraïso em Porto-Novo, prudencio de Ouidah. Este retorno à autenticidade Yoruba fortaleceu na comunidade AJA-Fon as garras da cultura Yoruba através do culto dos fantasmas (Egungun). 


O último evento cultural Yoruba é o do desenvolvimento urbano. De fato, uma das originalidades da civilização iorubá é o boom excepcional nas cidades tradicionais. Os Yoruba, como os Hausa, são primeiro urbanos antes de serem pessoas rurais. As cidades iorubás constituem, portanto, os principais executivos das civilizações. Estes incluem várias gerações e têm influenciado outras civilizações, nomeadamente as do sul do Benim. Esta civilização urbana excedeu o seu enquadramento original para estender-se ao Tado (Togo), berço do povo Aja-Fon, Allada, Porto-Novo e Abomey. Suas características essenciais se relacionam a três elementos principais: um palácio real de uma natureza imponente em torno do qual a cidade é estruturada, um mercado oposto ao palácio e as linhas de fortificação, composta de uma vala, uma parede ou ambos ao mesmo tempo , que são perfurados com várias portas de entrada. 


A influência cultural iorubá ainda é significativa no Golfo do Benim. Esta parte de ilé-rast (atual Nigéria), espalhou-se até a porta de Accra (Gana) moldando o assentamento de tal forma que as populações entre o Delta do Níger e a foz do The Volta, são profundamente dependentes do patrimônio cultural Yoruba. Isso se manifesta primeiro pelo peso dos religiosos na sociedade. Mas se o verdadeiro Yoruba começou a se distanciar do forte controle das religiões tradicionais, estes ainda estão vivos no Benim através do conceito de "vodun" atestando o nível de apropriação e internalização desta cultura Yoruba por povos de origem Aja-Fon. 

 

Publicação : Oba Adetutu Akinmu, Onishabè" (tradução on-line Google) 


Fonte - https://www.facebook.com/share/p/17XDxD6zx5/


TIKTOK ERICK WOLFF