sábado, 20 de julho de 2024

FALANDO SOBRE O BATUQUE DO SUL, NA VISÃO DA SACERDOTISA LYA TAROSH

Nesta postagem coletamos do perfil da sacerdotisa Lya de ode, no Facebook.

Postado em 19/07/2024, acessado em 20/07/2024

"FALANDO SOBRE O BATUQUE DO SUL
Por Lya Tarosh


No Batuque não cultuamos somente Orixás como Ogum, Oyá,Odé, Oxum ...mas também cultuamos Voduns e Inkisis.
Há Nação ( a minha Ijexá ) que cultua os voduns Agué , Sapatá , Avagã , Sogbo , Dã
Já na nação Cabinda por exemplo cultuam Lebá, sendo que este não se dá cabeça de filhos para ele, e sim é apenas cultuado.
As Nações cultuadas no Rio Grande do Sul são Ijexá , Oyó Cabinda , Jeje-ijexá , Jeje-Oyó, e já não existe Nação "pura" , pois todas ao longos dos anos receberam interferência de outra Nação co-irmã.
Os Orixás , Voduns e Inkisis dentro da roda do Batuque são bem independentes ; diferente por exemplo do Candomblé ;
pois nas nossas casas de Batuque não temos cargos de Ekedis , Mãe ou Pai Pequeno, não usamos troca de roupa (vestir o santo).Outra particularidade do Batuque que além de não vestir Santo não podemos entrar em roda de Batuque e dançar para Orixá de calçado ; dançar de calçados é somente em ritos de Axexê.
Nossa feitura para o sacerdócio normalmente é composta de 12 a 16 principais divindades do panteão que são Assentadas , cada qual em sua respectiva vasilha onde é matado um animal quadrúpede para cada um, como leitão , ovelha, carneiro, cabritos, e "calçadas" cada uma também com suas respectivas aves e casal de pombos , para que só assim uma pessoa possa ter casa aberta como Babalorixá ou Iyalorixá e exercer as funções do Batuque , e seguir iniciando outras pessoas; pois no Apronte como Babalorixá ou Iyalorixá recebemos nosso axé de Obé (que normalmente são 3 facas) e nosso jogo de Búzios.
Existem graus de Obrigações que são determinadas pelo Jogo de Búzios e necessidade de cada filho ou filha.
Na minha Nação Ijexá por exemplo podemos abater além de animais quadrúpedes como citei acima , também patos, marrecos, angolistas, igbins, determinados tipos de peixes, pombos, e coelhos.
E não podemos assentar toda uma África de Orixá somente com aves e dizer que a pessoa é um Babalorixá ou Iyalorixá.
A maioria das divindades do panteão iorubá , fon , jejê , que se manifestam em seus filhos de cabeça, dançam freneticamente ao ritmo do Ilu ( tambor de cordas tocado no Batuque ).
Esse tambor , assim como os Obés e o jogo de Búzios também "comem obrigação" , por isso no dia a dia mantemos esse Ilu deitado no chão e com as cordas frouxas para o tambor "descansar" , e só em dias de obrigações na casa é que as cordas são devidamente apertadas novamente afinando assim o som do tambor.
Quando uma divindade se manifesta em seu filho(a) na tradição do Batuque , leva alguns anos para receber "axé de fala" e só recebe após passar por algumas provas que só os mais velhos no Batuque conhecem. Então as divindades que receberam o "axé de fala" passam a responderem as rezas ( Orins , músicas cantadas ) todas de Bará a Oxalá no dialeto iorubá , que são puxadas pelo tamboreiro (ogã).Sim, essas divindades respondem a todas as rezas de Bará a Oxalá cantadas durante todo o Batuque , diferente do Candomblé em que somente o Ogã canta e as divindades não cantam.Vejam bem , não estou jamais querendo "diminuir" o Candomblé , somente explicando para que vocês entendam as diferenças que existem entre um culto e outro.
No Batuque as divindades não usam nenhuma paramenta que lhes tampe o rosto e ficam de olhos abertos tal qual são as manifestações na África Mãe.
Também não raspamos nem catulamos ; somos feitos no Santo como costumamos dizer , mas percebe-se que de uma forma bem diferente do Candomblé brasileiro como já expliquei.
Batuque e Candomblé não podem ser comparados , nenhum é melhor que o outro ; pois são cultos com tradições na maioria bem diferentes , mas com o mesmo propósito de cultuar ancestrais e divindades africanas.
As obrigações e iniciações no Batuque variam dependendo de 24 horas a 16 dias de recolhimento.Nosso preceito é de 32 a 40 dias dependendo a nação.Também temos restrições a alimentacão, as "quizilhas" de Orixá.
Os filhos iniciados e recolhidas são cuidados na obrigação pelo próprio Babalorixá ou Iyalorixá, padrinhos e madrinhas ou pelos irmãos mais velhos de tempo e de obrigação no asé.
Também podemos fazer inúmeros trabalhos religiosos pela Nação , como abertura de caminhos , limpezas espirituais , axés para melhora da saúde , para amor , e todas as pessoas podem participar , desde dos recém nascidos aos mais idosos.
Fazer parte e se iniciar no Batuque não interfere em nada se você já é de Umbanda e Kimbanda ; pode continuar com seu desenvolvimento e trabalho nestas vertentes; para nós são cultos bem distintos e não se misturam.Por exemplo , não pode chegar um guia de umbanda em uma roda do Batuque pois logo é indentifica do.
Essas divindades só "nascem" no tempo que elas próprias quiserem , e as vezes pode levar 5 , 10 , 15 anos ou mais para se manifestarem dentro de uma roda de Batuque.Pois nós Batuqueiros entendemos que o tempo das divindades não é o nosso e essas divindades são sagradas.
Não podemos desenvolver um Orixá de cabeça no filho ou filha. Também não podemos e nem devemos obriga-los a fingir que estão "ocupados" com Orixá no salão.Então por exemplo uma pessoa pode fazer suas Obrigações de Santo , ser feita no Santo , ser -Pronta- , ter casa aberta , filhos e netos de santo e não necessariamente o Orixá desse Babalorixá ou Iyalorixá precise se manifestar ; e também não há avisos prévios quando o Orixá vai "nascer", simplesmente uma noite durante uma Obrigação ou do Xirê do Batuque ele se manifesta , poderoso e lindo como se sempre esteve manifestado em seu filho ou filha.
Valhe ressaltar que é terminantemente, expressamente, proibido e considerada uma falta gravíssima tirar fotos ou filmar as divindades que se manifestam em seus cavalos de santo no Batuque.
Um filho ou filha do Asé que comete essa falta é mandado imediatamente expulso da casa , e se for um convidado proibido de voltar.
Fotos e filmagens no Batuque podem serem realizadas antes do início do toque ou depois que termina , mas jamais com os Orixás manifestados.
Então você pode se ocupar ( incorporação ) a 30, 40 anos com seu Orixá no Batuque e nunca verá uma foto sequer desta divindade manifestada em você.
No Candomblé a "virada" das divindades manifestadas se chama de Erê ; o que para nós do Batuque chamamos de Axerô.
Em um Terreiro de Batuque como o nosso Castelinho do Caçador temos Assentada a África de Odé que é o meu Orixá de cabeça.
Essa África é composta por assentamentos de Bará a Oxalá que são : Bará , Ogum , Oyá , Xangô , Ossaym , Odé , Otim , Obá , Xapanã , Ibeijis , Oxum , Iemanjá e Oxalá , eles são o meu Asé ( outro dia explico melhor sobre isso para vocês entenderem ).E temos em separado os assentamentos dos Orixás de cada filho da casa desde de uma quartinha de Aribibó , Bori , e Assentamentos da África dos que são prontos.
A África individual de cada filho é levada devidamente para sua casa quando é aberta a casa de santo deste filho ou filha.
O Batuque é magnífico para quem vive ele.
Sou muito grata!
Créditos do texto : Lya Tarosh "

Coletamos alguns comentários do debate:

"Norton Corrêa

Muito interessante o teu texto. Nem todas as pessoas percebem que algumas divindade jêje que citas são mencionadas nos cânticos do batuque. Talvez uma característica do teu ritual, mas nunca vi, nos batuques da antiga, a presença de inkises, que são de origem banto, regiões do Congo, Angola e Moçambique. São cultuadas no candomblés de caboclo. E, concordando contigo, quando um caboclo baixa num batuque é imediatamente despachado, como vi várias vezes. É logo identificado porque dança com as mãos fechadas. No batuque, parece que o vodum Elegbara, do jêje, foi dividido em dois, surgido o Léba. O sacerdote João do Xapanã, da turma do Oió, se não me engana, me mostrou um vulto de Léba: uma imagem de madeira toda pintalgada que ficava num lugar fora do templo dele e em outro local que não a casinha do Bará e Avagã. Era, segundo ele, ligado aos cemitérios. Mas, embora a separação, continuam a mencioná-lo pelo nome inteiro, Elegbara, na abertura do jêje, Quanto a "ilu", o tambor, nunca ouvi tal palavra na antiga do batuque, e sim, no candomblé baia no e no Recife. Bem antes de Antes de eu começar a pesigamente, na casa da Mãe Moça da Oxum, "

Fonte https://www.facebook.com/lyalyatarosh/posts/pfbid025FSgiNsvt2C24DU4xJknRfqmCiDDNL6zHdooijcd8hUSjMH5jgxCW4gGvdaD4bZal?comment_id=512819361259256&reply_comment_id=807407151516997&notif_id=1721411109523330&notif_t=comment_mention&ref=notif 

Imagem comprobatória:



sexta-feira, 12 de julho de 2024

ÒSÁNYÍNWUMI, UM PRESENTE MUITO ESPECIAL…

Esta postagem foi publicada por Luiz L. Marins, na comunidade Orisa University, em 07/07/2024, acessada em 12/07/2024.

Trata-se de um material coletado pelo Marcelo Cândido, que possuem informações inéditas sobre o culto de Osanyin.

 

"ÒSÁNYÍNWUMI, UM PRESENTE MUITO ESPECIAL…
Por Marcelo Cândido
De lá da Nigéria um querido Bàbálosányin junto de Òsányín, me fizeram um belissimo cortejo no primeiro dia do ano de 2023.
Fiquei muito alegre e emocionado pela oportunidade de poder ver e ouvir meu pai, orixá de grande sabedoria e magia, em sua antiga essência através de um Ojubó encantado, me dedicando uma especial e linda oração com seu piado de pássaro.
O nome que a mim foi concedido por Òsányín ao ser legitimando por ele próprio como seu filho: “Òsányínwumi - Eu Amo Òsányín”, me vestiu como uma roupa feita sob medida, presente que somente poderia ser ofertado por aquele que me conhece intimamente pelo lado espiritual.
Obrigado meu pai por todo acolhimento, e também pelas palavras de presságio sobre como será o meu ano em 2023, estou muito alegre e feliz por este novo caminho o qual me conduzistes.
Haverá um dia pelo qual conseguirei lhe honrar pelo privilégio de poder te chamar de pai, até este dia chegar, farei o que estiver ao meu alcance em prol desta busca.
Òsányín é toda a essência, propósito e encanto presentes em minha vida.
Logo mais estaremos juntos.
- Èwé Ô! Èwé Ô!"

 


Os principais comentários desta postagem a seguir:

"Ronaldo Ti Sango

ASE AWURE.O MOJUGBA.

ASA ORISA ALAFIA OYO.

EWE, EWE, OSSAIN. ASA, ASA, ORISA.

 

Marlene Pinto Fibger

Desculpe me. Eventualmente posso estar enganado. O aluwo quando para de falar a garganta fica mexendo....o pomo de Adão mexe....parece ventríloquo. Repare bem.....Ou ele canta ou vem o assovio. Nunca os dois.

 

Bàbá Àkẹ̀renà

[Marlene Pinto Fibger] Então, o que ele está fazendo seria, análogo, ao que alguns sacerdotes aqui do Brasil fazem com um pequeno apito, ou assobiando, literalmente, reproduzindo as palavras, ou ìlà de Ọ̀sanyìn.

 

Osanyinwumi

[Bàbá Àkẹ̀renà] Bom dia meu irmão! Estive com o ojubo em minha mãos, e os assobios “saem de dentro dele”… Na minha pagina: Osanyinwumi, existe um vídeo registrando este encontro, estou com ele sozinho em mãos…

 

Bàbá Àkẹ̀renà

[Osanyinwumi] Eu não duvido, não, irmão. Só que explicar o sagrado / sobrenatural, nem sempre é viável.

 

Osanyinwumi

[Bàbá Àkẹ̀renà] Tem toda razão! Em algumas ocasiões, estive sozinho com ojubo dentro do quarto onde ele é guardado. Os sons saem de dentro dele.

https://www.facebook.com/share/r/eFqAHqjxQiVGYaii/?mibextid=D5vuiz


Moura Falefa

Qual o povo cultuava, ou cultua Ossanhe na Nigéria .

 

Osanyinwumi

[Moura Falefa] Tradicionais Babalosanyin são raros, mas sou da família Egbewole, que é de Ilê Ifé. O sacerdote é de uma família dela.

 

Hérick Lechinski

Qual é sua mensagem através deste vídeo nobre irmão [Luiz L. Marins]?

 

Luiz L. Marins

Àse. Divulgar o culto de Osanyin conforme os registros do irmão [Osanyinwumi].


Hérick Lechinski

O Culto de Ọ̀sanyìn na Nigéria, é um culto envolto em mistérios, com muitos segredos e muita magia. Ọ̀sanyìn é um poderoso mago que detém o poder das folhas e de inúmeras magias (oògùn). Seu culto não é preservado em muitas cidades, mas existe de forma muito forte em algumas aldeias nigerianas.


Hérick Lechinski

O relato do irmão [Ọ̀sanyínwùmí] é muito bonito, fico feliz por ele, é muito bom quando cultuarmos o Òrìṣà que amamos com todo amor e gratidão.

Mas nós que somos estudiosos e praticantes das tradições espirituais iorubás sabemos do ventriculismo dentro do culto de Ọ̀sanyìn, mas isso não diminui em nada este culto, pelo contrário, um dos cultos mais poderosos das terras iorubás.


Bàbá Àkẹ̀renà

[Hérick Lechinski] Ọ̀sanyìn "divide" esse epíteto de Deus da Magia, o segredo sobre a magia, com Ọrúnmìlà. Por isso, os cubanos o temem e sabem que os sacerdotes de Ọ̀sanyìn não precisam de IFÁ.

(relato de Bàbáláwo)

Citei porque achei interessante.


Hérick Lechinski

[Bàbá Àkẹ̀renà] os cubanos possuem um culto (afro-cubano) muito forte para Ọ̀sanyìn. Algo que no Brasil não se preservou... 🥲


Osanyinwumi

Bàbá Àkẹ̀renà No culto tradicional de Osanyin, Opele e Ikin são oráculos proibidos, por se tratar de um culto com seu próprio oráculo, mas falarei deste assunto através de um livro para deixar isso registrado.

 

Bàbá Àkẹ̀renà

[Hérick Lechinski] preservou sim. Entretanto, há diferença pela miscigenação com o Vodun Agẹ̀ (Agué).

Além disso, sofreu uma releitura nas religiões do norte do Brasil, através da miscigenação com práticas ritualisticas indígenas, logo, a prática da jurema e do tambor de mina são, praticamente, formas de culto, afro-indígena brasileiro, a Ọ̀sanyìn


Luiz L. Marins

[Bàbá Àkẹ̀renà] OFF-TOPIC ... a propósito, nenhum Olorisa "precisa" de Ifá. O culto aos orisa são independentes. É só um off-tópic, não quero desenvolver um tema paralelo.


Bàbá Àkẹ̀renà

[Luiz L. Marins] Sim, irmão! EU SEMPRE FALO ISSO!!! MAS AS PESSOAS NÃO QUEREM ENTENDER!

E, GERALMENTE, BÀBÁLÁWO FINGE QUE NÃO ESCUTA... lógico.


Osanyinwumi

[Hérick Lechinski] Bom dia irmão! Na minha pagina existe um vídeo o qual estou sozinho com o ojubo em mãos. Os assobios veem de dentro do ojubo. Não é ventriloquismos!


Dote Hungbono Etalakemin Savaluno

Mas Osanyin é um Orixá ou um Irumolé?

 

Osanyinwumi

[Dote Hungbono Etalakemin Savaluno] Bom dia meu irmão!

Vou publicar nos próximos dias um livro que vai me ajudar a desmistificar este tipo de dúvida. Como será um livro aberto, poderei dar visibilidade dele nesta pagina. Terá bastante informação sobre Osanyin.


Luiz L. Marins

Gostaria de destacar esta fala do irmão [Osanyinwumi] ...

Luiz L. Marins

Sim muito ... a diáspora precisou adaptar-se à sua própria realidade para que o culto continuasse.


Erick Wolff

Venho notando que muitos orixás não usam odu e nem precisam.

 

Osanyinwumi

[Erick Wolff]

No culto tradicional de Osanyin, “não se utilizam de versos de odu”, sejam eles merindilogun ou ifá. O oráculo do culto de Osanyin é o próprio ojubo que assobia, e as narrativas mitológicas sobre Osanyin, seguem padrão próprio de um itan (narração mitologica), sem o contexto de verso métrico de oito partes utilizados para os ese (versos) de odu.


Osanyinwumi

[Erick Wolff]

O Babalaô Ifatokun esclareceu anteriormente que, babalaôs não se iniciam em outros orixas.

Desta forma, por exemplo, subentende-se que não exista o ato litúrgico de “Itefa”, feito por uma outra família de orisa que não seja de a Orunmila, ou seja, ele não poderia ser feito utilizando-se do oráculo obi, seja pela família de Ogun, ou através do merindilogun de Obatala, para sacar um Odu-Ifa para uma pessoa, e sim somente com Opele e/ou Ikin, pois são oráculos próprios de Orunmila para este feito.

Então, pela fala de Ifatokun, somente um babalaô inicia outro babalaô, pelas métricas que envolvem determinadas liturgias versus oráculos especificos.

Mas, igualmente ao que foi feito com o Ifatokun, vamos deixar o nativo, Oluwo Babalosanyin Asapeola, dar a sua resposta, pois no culto de Osanyin, existe oráculo próprio e independente, então portanto, parecidos com os “credos da família de Orunmila”, a de Osanyin também não reconhece outros oráculos, que não seja o seu próprio, para as suas liturgias.

No culto tradicional de Osanyin, Opele e Ikin são tabus !!!


Osanyinwumi

Osanyin e Opele ou ikin não podem estar no mesmo lugar porque Osanyin pode falar e Osanyin vê profundamente do que Opele. Osanyin e Opele lutam desde os tempos antigos.

(Oluwo Babalosanyin Asapeola).

 

Ifágbèmiṣolá Ọbátàlágbemi Ifa

Um aprendizado muito grande aqui. Vou acompanhar e me aprofundar sobre as falas e experiências do Baba [Osanyinwumi].

Concordo plenamente que o culto tradicional não precisa de Ifa e vice versa. Essas discussões se deram a valer aqui no Brasil por causa da ganância, poder e ego envolvidos na religião. E sabemos tbm que em terras Yorubas se há o respeito tanto pelos Babalawos e Babalorisas .

O que me intrigou é, nos versos de Odu, precisamente em quase todos os odus se fala da importância de Ossayin.

Claro que esse importantíssimo Irunmole não precisa de Ifa, de odu, pois ele tem seu culto a parte, cheios de mistérios e magias pelo qual nos instiga em conhecer.

Porém, sabemos aqui que Opele e Ikins são oráculos de Ifa e não se remete a Orisa. Oráculos tbm muito importantes. Mas fiquei com esse questionamento, sobre os odus falando de Ossayin.

Ou esse tabu se remete ao oráculo?

Ase Baba

Estou lhe acompanhando para aprender!

Àṣé!


Osanyinwumi

[Ifágbèmiṣolá Ọbátàlágbemi Ifa]

Na diáspora, talvez pela ausência de um autêntico Babalosanyin, se utilizou por muitos anos, os trabalhos de William Bascom (Ifa Divination e Sixteen Cowries) e Bernard Maupoil (La Géomancie à L'ancienne Côte des Esclaves), livros que falam por odu sobre Osanyin, a exemplo: “Escravo comprado em uma feira por Orunmila”, o que na realidade é uma tremenda falácia e teve influências negativas sobre as teologias de Osanyin no Brasil.

Embora, ainda hoje esses livros sirvam como referências para estudos principalmente na diaspora, mas suas estórias, falo sobre Osanyin especificamente, a maioria estão equivocadas e não são reconhecidas pelos babalosanyin.

O culto de Osanyin, ainda hoje é mantido em segredo pelos tradicionais sacerdotes babalosanyin, neste culto Osanyin “nunca foi escravo”, ou se submeteu a qualquer outro culto iorubá em uma relação de subserviência. Se prestar atenção os anos deste culto mantidos em segredo falam por si mesmos.

O craculo de Osanyin não se utiliza de ese odu, sejam eles de merindilogun ou ifá, pois segue uma outra lógica e uma diferente tradição.

 

Ifágbèmiṣolá Ọbátàlágbemi Ifa

[Osanyinwumi] eu não gosto dessa real falácia onde se trata um Orisa sendo escravo ou dependente de outro. Isso fora Ossayin. Muito povo de Ifa, pratica Orunmilá como um verdadeiro Deus onipotente e nós que somos realmente do Ifá verdadeiro, sabemos que não existe isso. O que complica são as escritas que temos acesso. Fato que cada culto defende suas ideologias. Mas de fato, fica compreensível suas palavras para quem realmente quer estudar. Vou lhe acompanhar porque quero aprender. Adupé Baba !

 

Osanyinwumi

[Erick Wolff]

No culto tradicional de Osanyin, “não se utilizam de versos de odu”, sejam eles merindilogun ou ifá. O oráculo do culto de Osanyin é o próprio ojubo que assobia, e as narrativas mitológicas sobre

Osanyin, seguem padrão próprio de um itan (narração mitologica), sem o contexto de verso métrico de oito partes utilizados para os ese (versos) de odu.

 

Osanyinwumi

[Erick Wolff]

Osanyin e Opele ou ikin não podem estar no mesmo lugar porque Osanyin pode falar e Osanyin vê profundamente do que Opele. Osanyin e Opele lutam desde os tempos antigos.

(Oluwo Babalosanyin Asapeola).

 

Osanyinwumi

[Ifágbèmiṣolá Ọbátàlágbemi Ifa]

Na diáspora, talvez pela ausência de um autêntico Babalosanyin, se utilizou por muitos anos, os trabalhos de William Bascom (Ifa Divination e Sixteen Cowries) e Bernard Maupoil (La Géomancie à L'ancienne Côte des Esclaves), livros que falam por odu sobre Osanyin, a exemplo: “Escravo comprado em uma feira por Orunmila”, o que na realidade é uma tremenda falácia e teve influências negativas sobre as teologias de Osanyin no Brasil.

Embora, ainda hoje esses livros sirvam como referências para estudos de odu principalmente na diaspora, mas suas estórias, falo sobre Osanyin especificamente, a maioria estão equivocadas e não são reconhecidas pelos babalosanyin.

O culto de Osanyin, ainda hoje é mantido em segredo pelos tradicionais sacerdotes Babalosanyin, neste culto Osanyin “nunca foi escravo”, ou se submeteu a qualquer outro culto iorubá em uma relação de subserviência. Se prestar atenção os anos deste culto mantidos em segredo falam por si mesmos.

O craculo de Osanyin não se utiliza de ese odu, sejam eles de merindilogun ou ifá, pois segue uma outra lógica e uma diferente tradição.


Erick Wolff

Caro amigo [Osanyinwumi], penso que outra polêmica que na diáspora brasileira, Osanyin ser seis meses homem e seis meses mulher, algo que difundiu no candomblé dos anos 80.

Apesar que no Batuque, sempre consideraram uma divindade masculina.


Osanyinwumi

[Erick Wolff]

Simpson em 1991, trouxe um importante oriki de uma família de Osanyin quando esteve em Ibadan. Esse oriki, consta em seu livro: Yoruba Religion & Medicine in Ibadan.

Este mesmo oriki é bastante difundido no Brasil, nele existe um verso que explica a sua pergunta:

Aro abi-okó líelié.

O aleijado que possui pênis forte.

Assim, como na família de Osanyin em Ibadan, a de Ile Ife também cultua-o como uma divindade masculina. Babalosanyin são raros, na grande maioria eles se conhecem. Dificilmente, vamos encontrar uma versão, tendo ele como uma divindade feminina no culto tradicional iorubá."


Fonte - https://www.facebook.com/reel/718177809745942

Imagens comprobatórias











quinta-feira, 11 de julho de 2024

OBALESUN FOI GERADO NAS NUVENS



Isanideobatala


No começo de abril foi lançado o nosso livro OBATALA e está disponível para download gratuito em PDF > aqui

O livro rememora a coroação do @obaobatalafaseyi - Obà Oribato Obàtálá Ilé Ifè (Agbaye).

Em um dos trechos do livro está escrito pelo o @obaobatalafaseyi sobre Deus na nossa Religião Tradicional Yoruba:

“TAANI Olorisa? Quem acredita em Deus — Olódùmarè —através de Òrìşà? Deus sabe quem o adora, e os Òrìşà sabemquem acredita em Deus através deles. 

Nós, humanos,sabemos quando somos favorecidos através de Deus e dosÒrìşà? Os Òrìşà sempre favorecerão quem procurar por elesquerendo algo. Ninguém pode enganar a Deus, como nunca se pode enganar Òrìşà.”

Em outro trecho é possível entender a conexão entre Deus e os Orixás:

“Nós acreditamos, que Olódúmarè é Deus, e em divindades que são mensageiros de Olódùmarè, os Òrìşà. Eles moravam todos no céu, entre as nuvens. 

O primeiro Òrìşà, a maior divindade,se chama Obàtálá. Olódùmarè deu muitas tarefas para Obàtálá fazer. Disse a ele para vir a este mundo, a Terra,e criá-lo. 

Para isso, Olódùmarè deu a ele vários materiais:terra, uma corrente (para descer das nuvens até a terra) e folhas também, pequenas folhas chamadas de ewe koko. 

Obàtálá desceu até a terra e no meio do céu. No meio do céu existem nuvens que usou para descansar. E Obàtálá tem uma esposa que é sua favorita, que se chama Yemòó. 

Eles tiveram um filho entre o céu e a terra, não neste mundo, mas nas nuvens. Esse filho se chama Obalesun, que significa “orei pode dormir”.”


Fonte:

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Transcrição e adaptação: Luiz L. Marins



Prova documental:




TIKTOK ERICK WOLFF