terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

KELE É O FIO DE CONTAS DE SANGO

Postado por Yemojagbemi Arike


Foto: Fazendo kele na cidade de Òyó

Kele é o nome do fio de contas do Orisa Sango.
Registro Yemojagbemi Arike 2018 - Òyó Nigéria
Beijos
Yemojagbemi Arike

REALINHAMENTO OU QUEBRA DE FUNDAMENTO

REALINHAMENTO OU QUEBRA DE FUNDAMENTO

Baba Marco

15/02/2021

Publicado no Facebook


"Batuque: denominação de uma das religiões afro-brasileiras, a qual cultua os Orixás, nascida no Rio Grande do Sul.

Dentro deste conceito, o Batuque possui dogmas, tradições, crenças e fundamentos próprios, os quais fazem do Batuque uma religião única.

Fundamento é o alicerce, a base, o conjunto de regras básicas de organização e funcionamento de uma instituição. Se um destes fundamentos é retirado ou mudado, ao ponto de diferenciar-se do original, cria-se algo novo.

Dentro de um culto religioso, mesmo que baseado em outra religião, ainda que matriz, cria-se um novo conceito. O melhor exemplo a ser dado, refere-se às religiões Judaica e Cristã, onde o Cristianismo, originário do Judaísmo, acabou tornando-se outra religião. Obviamente, isso acaba gerando discrepâncias. No Cristianismo, o Deus do velho testamento é completamente diferente do cultuado no Novo Testamento. No Judaísmo, Jesus é apenas um profeta, onde o “salvador” ainda não se manifestou, visto não ter aparecido alguém que preencha os requisitos para ser “o messias”. No Cristianismo, os cristãos acreditam que este messias seja Jesus. No Judaísmo, não há intermediários para se chegar até Deus. No Cristianismo, Jesus diz que “ninguém vai ao pai, senão por mim”. Como a religião é dinâmica e sofre influências externas e internas, alguns seguidores do Judaísmo mesclaram as duas religiões e criaram o “Judaísmo Messiânico”, onde seus membros, que são judeus, acreditam no messianismo de Jesus.

Nos dias de hoje, temos a alegria e a facilidade da internet pois podemos fazer consultas, pesquisas, entrar em contato com várias pessoas de várias localidades do mundo, etc. Particularmente, sou a favor de pesquisas na religião yorùbá para que consigamos algumas explicações necessárias a alguns entendimentos e questionamentos sem ultrapassar o limite do fundamento, evitando descaracterização.

Voltando ao Batuque, o mesmo possui dogmas e fundamentos os quais o diferencia completamente das outras religiões afro-brasileiras e até da religião matriz. Como exemplo, só no Batuque existe o “dogma da ocupação”, onde não se fala sobre a manifestação do Orixá para a pessoa a qual o Orixá se manifesta. Só no Batuque, o culto a Orí é mesclado com o culto a Orixá. Só no Batuque, a leitura do jogo de búzios é realizada por configuração. Esses dois últimos casos são tidos como “fundamento”, visto ser realizado desta maneira somente no Batuque e, se retirados ou alterados, desconfigurariam totalmente o mesmo, criando-se algo novo.

No Batuque, o Borí é considerado iniciático e é realizado com as características do Orixá da pessoa: o número de búzios a ser usado é a conta do Orixá, algumas das aves usadas são da cor do Orixá e canta-se a reza do Orixá da pessoa. Algumas famílias cantam para Orí antes da reza do Orixá. No meu entendimento, seria algum tipo de bênção do Orí da pessoa para o recebimento daquele Orixá e do seu axé na sua vida.

Na Religião Tradicional Yorùbá e, com algumas diferenciações, no Candomblé, o culto a Orí é totalmente desligado do culto ao Orixá, visto que Orí é considerado um Orixá pessoal. O Borí não é iniciático, não há obrigatoriedade da existência de um “igbá orí ou ilê orí” (no Batuque, mantegueira/cremeira) e, quando existente, é realizado de maneira totalmente diferente. Pode-se realizar um Borí em qualquer pessoa, mesmo ela não fazendo parte do culto, não tendo qualquer tipo de vínculo religioso antes e após sua realização.

Basicamente, o jogo é realizado através da consulta dos 16 odus principais, onde são jogados 16 búzios e a quantidade de búzios abertos revela um determinado odu, o qual possui algumas determinações e ebós específicos.

Nos dias atuais, estamos convivendo com discussões pelas redes sociais onde alguns seguidores do Batuque propõem e já fazem, por iniciativa própria, visto que suas famílias originalmente não fazem, um “realinhamento” com a Religião Tradicional Yorùbá, onde Orí seria cultuado separadamente do Orixá. Na carona deste “realinhamento” vem a leitura do jogo de búzios por Odu, visto que é impossível Orí se manifestar totalmente dentro do jogo de búzios por configuração do Batuque. Obviamente que se consegue realizar algumas perguntas com relação ao Orí da pessoa mas, fundamentalmente, quem responde nos búzios do Batuque é Orixá.

Por que impossível a manifestação total de Orí no jogo do Batuque? Simples: Orí responde diante da leitura dos búzios por Odu, a qual é baseada SOMENTE nos 16 odus principais, conforme vimos anteriormente. Ora, se o Batuque realiza a leitura por configuração, de onde viriam os textos dos Odu para a consulta? Dos Odu Ifá, utilizados na Religião Tradicional Yorùbá? Dos Odu utilizados no Candomblé? De qual família?


Obviamente, existem muitas coisas a serem perguntadas nas entrelinhas da minha explanação. Entre estas, a maior delas é: trazer estes rituais que não são do Batuque para dentro do Batuque seria um realinhamento ou quebra de fundamento? Fica a reflexão."

FONTE: publicado no Facebook aqui





ADENDO DA REDAÇÃO DO BLOG

Há uma divergência de fundamentos no Bori do Batuque.

Diferente do que informa o Baba Marcos, o Babalawo Coutinho, dirigente espiritual do Egbe Awo Ase Imoye Oyo Aworeni, descendente da família da mãe Emília Ladja, publicou na sua pagina pessoalinformações sobre a existência do Bori separado do orixá nessa família, como veremos a seguir:
Em 24/11/2022 


[...] As casas de Oyó que ainda funcionam conforme as Tradições da Princesa Emilia de Oyá Ladja possuem os seguintes ritos:[...] 
Nosso Bori não é feito junto com o Orixá! E sim separado! Com rezas e feituras próprias! [...]


Sugerimos que esta diferença ritual no bori do batuque seja objeto de um estudo mais profundo, localizando as famílias que praticam um, ou outro ritual de bori. 

Acesso: 

https://iledeobokum.blogspot.com/2022/12/costumes-e-ritos-do-batuqueo-do-rs.html  

sábado, 11 de fevereiro de 2023

QUEM SÃO OS JEJE!

Este artigo registra uma postagem do autor João Luiz Félix Pereira, que foi compartilhado no Facebook do Babalorixá João.

O texto informa que a palavra Jeje é denominação de quem veio de longe. 

Postado por João Gunga Do Babá

Em 17/01/2023 acessado em 11/02/2023

 

"Em Dahomé, a Nação denominada Jêje, recebeu influência direta do povo que ali vivia, o povo chamado de Fon ou Ewê Fon, que em dialeto local significava "o que veio de outro lugar, ou de longe. Ewê, ou Jêje mais precisamente , instalou-se no leste desse País na localidade de Mahin, litoral do Dahomé onde existiam as minas de pedras preciosas e de extração de ouro, de domínio da Coroa de Portugal, sendo no século XVII, dominada pelos ingleses.

Foi ali nesta localidade litorânea, construído o Forte de São Jorge da Mina, para defender a tão cobiçada cidade e suas riquezas naturais até então, pertencente ao já antigo povo Mahin.

Agora, os preceitos Religiosos da Nação do Povo Jêje, atravessaram o mar vindo para o Brasil, pelas mãos do ilustre Príncipe Custódio de Sakpatá da real família que governava Benin.

No ano de 1864 a Nação Jêje chega ao Brasil e posteriormente no ano de 1883 chega ao Rio Grande do Sul, antes estando em outros estados brasileiros. Posteriormente formou novos Babalorixás e Yalorixás por todo estado gaúcho. E nesse estado brasileiro recebe o nome de Batuque pelas pessoas leigas que ouviam os tambores desta Religião em dias de festa e rituais. É um rito proveniente da Matriz Africana, assim como a Macumba do Rio de Janeiro, o Candomblé da Bahia, o culto chamado tambor de Mina, ou Mina Jêje no Maranhão e o ritual de Xangô no estado de Pernambuco, Batuque é tão somente mais uma variante oriunda do grande continente Africano. Jêje não é portanto uma Nação política ou geograficamente reconhecida, por não existir nenhum lugar na África com esse nome, correto seria então dizer Nação Mahin, cujo apelido ou nome popular , acabará ficando Jêje, que é um Rito do Povo Nagô, dos Yorubás: Todo Jêje é Nagô!
(João Luiz Félix Pereira)"


Fonte https://www.facebook.com/photo/?fbid=2323990747776793&set=a.248804551962100&comment_id=705844741146294&notif_id=1674045995129282&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif
 



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