quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

O AXÉ DA CRIAÇÃO NA RELIGIÃO YORUBA.

O AXÉ DA CRIAÇÃO NA RELIGIÃO YORUBA.

Erick Wolff

09/02/2023



Os mitos Ioruba da criação do mundo são dicotômicos. Ora o protagonista da criação é Oduduwa, ora é Obatala.

Pierre Verger no livro "Lendas Africanas dos Orixas", quarta edição, Ed. Corrupio, o protagonista da criação é Oduduwa após Obatala dormir, seguindo-se após uma guerra vencida por Oduduwa. Neste mito, por ter trazido a terra para o mundo, Oduduwa torna o proprietário da terra.

Luiz L. Marins, a partir de uma releitura de fontes mais antigas publicou no livro "Obatala e a Criação do Mundo Ioruba", quarta edição (do autor) o mito de Obatala como criador do mundo (sem Oduduwa), e criador dos seres humanos, animais, plantas e árvores. Neste mito, é Obatala o proprietário da terra.

Entretanto, somente Obatalá possui o abá e o axé da criação dados a ele por Olôdumare. Vemos nesta dicotomia mitológica que o elemento principal de disputa é a posse da terra.

Há, entretanto, uma tentativa atual de acomodação mitológica, com a atual realidade política de Ilé-Ifé, governada pelo Ooni Ifé, que ocupa o trono de Oduduwa, e Obalesun, descendente de Obatalá. O Ooni Ilé-Ifé ocupa o trono de Oduduwa só pode reinar se receber o axé que lhe é outorgado pelo Obalesun, do templo de Obatala.

Nesta acomodação mitológica para ajustar-se a atual realidade política, Obatalá por embriagar-se, não consegue terminar o trabalho da criação. Olôdumare envia então Oduduwa para completar e governar. Obatala é o criador do mundo e detentor do axé e o aba, forças da criação, inclusive do axé que ele outorga à Oduduwa, mas Oduduwa torna-se o proprietário da terra por tê-la trazido para o mundo.

Em "Itapa, identidade ritual e poder no festival de Obatalá e Iyemoô", Jacob Oluponã mostra porque motivo Obatala outorga seu axé a Oduduwa para que possa governar, e como foi crucial a atuação de Iyemoô para que isso.

O mito no qual Obatalá cria o mundo e os seres humanos, e Oduduwa termina devido à embriaguez de Obatalá, está publicado no "Dictionary of African Mythology A-Z, de Patricia Ann Lynch & Jeremy Roberts, " 2004, [2010], está transcrito abaixo:


[tradução digital, corrija se necessário]


"OBATALA


Obatala (Obatala, Olufon, Rei do Branco Pano) Yoruba (Nigéria).



Em alguns relatos, o segundo em comando no panteão Yoruba de divindades, conhecido como o orisa [sendo Olôdumare o primeiro].


Como deputado do Supremo Olorun, Obatalá é o representante de Olorun na terra. Em alguns relatos, Obatala é considerado como o fundador da primeira cidade Yoruba, Ife.


Na mito da criação Yoruba, Obatalá criou terra, vegetação e seres humanos. De acordo com os iorubás, no início, a Terra era apenas uma vasta extensão de água e pântanos. Obatala sugeriu a Olorun que a Terra seria melhorado se houvesse terra sólida em que orisas e outras formas de vida poderiam viver.


Olorun concordou, então Obatalá disse que se encarregaria da tarefa. Ele foi a Orunmila, o deus da adivinhação, que poderia adivinhar a melhor maneira de proceder a qualquer empreendimento, e perguntou-lhe como começar. Seguindo o de Orunmila instruções, Obatalá desceu à Terra em uma corrente e derramou areia nas águas.


Ele então colocou uma galinha e um pombo na areia. Os pássaros arranharam na areia, espalhando-a em todas as direções. Onde a areia caiu, as águas viraram terra seca. Obatalá desceu para a terra, que ele chamou de Ife.

Ele plantou uma palmeira que gerou muito mais palmeiras árvores. Quando Olorun enviou seu servo, o camaleão Agemo, à Terra para perguntar como estava Obatalá. Obatalá disse que as coisas melhorariam com mais luz. Então Olorun criou o Sol.

Depois de um tempo, Obatalá decidiu que as coisas iriam seria melhor se houvesse pessoas na Terra. Ele moldou figuras humanas de barro e convocou Olorun para dê vida a eles.

Porém, enquanto Obatalá era formando os humanos, ele ficou com sede e teve bebeu muito vinho de palma (o malandro Exu era disse tê-lo tentado com o vinho). de Obatalá a embriaguez o levou a deformar alguns dos figuras. Quando Obatalá ficou sóbrio, ele viu que alguns de suas criações tinham membros torcidos, costas curvadas, e outras deformidades.


Ele estava cheio de remorso e resolveu ser o protetor especial de todos os humanos com deficiências.


Obatala então deu às pessoas as ferramentas eles precisavam para a vida, e a humanidade floresceu e cresceu. Obatala governou Ife por muitos anos. Eventualmente ele ficou com saudades de casa, subiu a corrente de ouro e voltou para o céu.

De acordo com a tradição de Ife, enquanto Obatala era dormindo os efeitos do vinho de palma, Olorun viu que ele havia deixado seu trabalho desfeito. Olorun enviou Oduduwa (o primeiro rei de Ife) para completar a tarefa de criação. Oduduwa criou seus próprios humanos e passou a governar Ife."


Considerações Finais

 

Procuramos o escritor Luiz L. Marins, para coletar informações sobre o mito onde Oduduwa finaliza a criação, que nos informou que conhecia, porém evitou usar o mito em seu trabalho "Obàtálá e a Criação do Mundo Ioruba", por falta de fontes primárias.

Luiz L. Marins informa que autor Falokun Fatunmbi no livro "Obatala" (1994) fala sobre Olodumare ter enviado Oduduwa para terminar o trabalho de Obatalá, porém, Falokun não cita as fontes primárias. Informou ainda que este mito de Falokun foi republicado no livro "Obatala e a Criação do Mundo Ioruba".

Assim, por ora, apesar da conveniência política do mito onde Obatalá inicia a criação, e Oduduwa termina, mantendo assim a harmonia socialde Ilé-Ifé, até que se encontre uma fonte legítima (caso exista, não temos conhecimento) o mito deve ser olhado com reservas. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

ORIKI DE OGUN

Educa Yoruba postou este vídeo, se trata de um oriki de Ogun. 

Postado em 15/09/2019 acessado em 06/02/2023




MÃE LÚCIA DE XAPANÃ TOCANDO TAMBOR

Esta postagem do Jornal do Batuqueiro é um registro dos costumes e tradições do Batuque, onde mulheres tocam tambor, e o ritmo é cadenciado e melodioso. 


Postado pelo Jornal do Batuqueiro
Em 27/01/2023 acessado em 06/02/2023 às 15:18hs




"A matriarca da família Marques Guimarães.

Mãe Lúcia de Xapanã com seus 70 anos de vasilha de seu orixá, tocando para o seu rico pai com divina maestria!
Como legítima filha de Agenor da Silva Guimarães (comba), o pai Agenor do Ogum e tamboreiro, demonstrando um pouco do dom que corre nas veias e que lhe foi herdado...
Que pai Xapanã continue te cobrindo de muita saúde e te conservando cada vez mais.
Abawô 
💜
👑
📿
🧹
Homenagem: sua Neta Duda Guimarães"

 

Fonte 
https://www.facebook.com/jornaldobatuqueiro/videos/3413819502262465 

domingo, 5 de fevereiro de 2023

ÀMÀLÀ ÀTI GBẸ̀GÌRÌ: TEM SIDO ESPERANÇA NA ÍNDIA

Postado por Owolabi Kola
Em 04/02/2023 acessado em 05/02/2023 às 10:41h

"OÚNJẸ YORÙBÁ, TI DI GBAJÚGBAJÀ NÍ ORÍLẸ̀-ÈDÈ ÍNDÍÀ (INDIA)"

AMALA E GBEGIRI, COMIDA YORBA, TEM SIDO ESPERANÇA NA ÍNDIA (Índia)




Fonte - https://www.facebook.com/kolawoleowolabi/videos/575094071138780/?idorvanity=490762104267876

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

MARIA GENOVEVA DO BOMFIM - TWENDA KWA NZAAMBI

A postagem publicada pelo candomblecista Ozéias, informa que Maria Genoveva do Bonfim era gaúcha, e foi para o nordeste do país se iniciar no Candomblé Bahiano.

Postado por Ozéias Santos



Em 14/09/2022

"Maria Genoveva do Bonfim - Maria Neném (Twenda Kwa Nzaambi).

(1865 - 1945).

Segundo relatos e estudos, Maria Neném era gaúcha, corretora de imóveis, possuía um temperamento enérgico e semblante fechado, riso difícil, mas de caráter irrepreensível e de bom coração. Contam os mais antigos que ela adotou 17 crianças, outros narram 21 filhos adotivos que criou até a fase adulta. No entanto, o que mais importa ao Munzenza é que a partir dela o candomblé bantu gerou muitos frutos.

 

A Nzo Tumbensi foi fundada em 1850, aproximadamente, considerado o primeiro terreiro de candomblé Angola no Brasil. Como fundador, o senhor Roberto Barros Reis, angolano escravizado pela família que lhe emprestara o sobrenome. Barros Reis como sacerdote era conhecido pela dijina (nome espiritual que todo iniciado recebe) Tata Kimbanda Kinunga.

 

Tata Kinunga foi o líder da Nzo (casa) Ntoombesi, terreiro cujos ritos têm a predominância linguística da linhagem Muxikongo. Em 1909, quando faleceu, Kinunga deixa a tradição religiosa para Maria Neném, cujo nome religioso (dijina) é Twenda Kwa Nzaambi, na tradução literal: protegida por Deus!

 

Maria Neném foi alçada ao posto de “mãe do candomblé angola na Bahia”. Até os dias atuais é considerada a matriarca desta tradição na religiosidade brasileira. A nengwa (mãe) era iniciada ao Nkisi/Mukixi Kavungo.
Fonte: Argumento de Pesquisa - Munzenza: O brado do tempo."

Fonte acessada: https://www.facebook.com/photo?fbid=2126376954221369&set=pcb.2126378904221174

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Por Alcides Dos Santos Barreto Obánilè

Alcides dos Santos (2009), em seu trabalho de conclusão apresentado na Universidade Internacional da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira-Unilab, presta mais informações, sobre Maria Neném.


A Gaúcha Maria Genoveva do Bonfim, nasce no Rio Grande do Sul, no entanto, não informam quando ela chegou na Bahia, ou se iniciou lá no Candomblé, e com o tempo Maria assume a casa de Candomblé tradição Banto, onde foi iniciada.


[...] Maria Genoveva do Bonfim (MARIA Neném), Mameto Tuenda Dia Nzambi – nascida em 1865, no Rio Grande do Sul (RS) e faleceu em 1945, na Bahia (BA). Conforme registro no Blog do Nzó Tumbensi o pesquisador e professor Paulo Sergio Adolfo diz que ela foi iniciada no Terreiro Tumbensi [  1º Terreiro da nação Congo Angola da Bahia.], por Roberto Barros Reis (Tata Kinunga), passou a comandar esta casa a partir de 1909, após o falecimento do seu Tata Kimbanda Kinunga. Como disse acima, Maria Neném, Nengwa Twenda Kwa Nzaambii Nome Sacerdotal após a iniciação ou dijina, espécie de apelido que a comunidade tradicional reconhece como nome do recém iniciado], era gaúcha e nasceu no dia 20 de janeiro de 1865 e faleceu no dia 01 de abril de 1945. Seu Terreiro se localizava no antigo Bairro do Beiru na rua Melo Morais Filho, com o Nome de TUMBENSI. Atualmente o Terreiro continua na mesma rua, sendo o Bairro conhecido hoje como Tancredo Neves, e tem á frente a Senhora Geurena Passos Santos, tendo como nome sagrado Nengwa Kwa Nkisi Lembamuxi. [...]

 Fonte

https://repositorio.unilab.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1767/1/2019_mono_alcidesobanile.pdf

TIKTOK ERICK WOLFF