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domingo, 19 de novembro de 2023

DICA DA MANHÃ, NÃO EXISTE NENHUMA POSSIBILIDADE DE UMA PESSOA SER PRONTA NO BATUQUE E NO CANDOMBLÉ.

Este debate deu-se inicio na data 17/10/2023, na comunidade Rede Batuque RS.

Ita de Yemanjá autor do debate, abre uma postagem apresentando duas situações que colocam religiões iniciáticas semelhantes em pauta.

O tema do debate: DICA DA MANHÃ, Não existe nenhuma possibilidade de uma pessoa ser pronta no Batuque e no Candomblé.

Para o bem da ciência história e memória do Batuque, selecionamos algumas falas para que possamos acompanhar o debate.




DICA DA MANHÃ, Não existe nenhuma possibilidade de uma pessoa ser pronta no Batuque e no Candomblé

"Ana Paula Ott

Oiii bom dia antigamente não era permitido mais hoje em dia tem muitos que tem os 2 ai não sei como é


Robson Nascimento

O Ori com 300 orixas


Robson Santos

[Gui Pereira] qualidades diferentes, eu sou do mesmo Orixá tanto no batuque como no candomblé porém as qualidades do mesmo muda em ambos os lados até mesmo porque dificilmente irá ter a mesma qualidade nos 2 lados


Gui Pereira

[Robson Santos] sim, porém o ori continua sendo da mesma essência, vamos supor que seja uma oxum panda aqui no batuque e uma oxum iponda no candomble embora orixas com qualidades um pouco diferentes são as que tem as características mais semelhantes, entao a essência do orixa continua sendo a oxum, teu ori continua sendo da oxum, mesmo que mude a qualidade do orixa a essência primordial do teu ori continua sendo o mesmo, não vejo problemas, os fundamentos de cada um são diferentes, a religião é diferente o culto, a forma de cultura são diferentes, porém como eu disse um ori jamais poderá ser de outro orixa a não ser daquele que foi criado para você, não interessa onde tu estiver


Bàbá Marco

[Gui Pereira] só uma pequena correção: Pandá e Ipọnda é a mesma coisa. No Yorùbá, a vogal nasal "ọn" é pronunciada "an". Por exemplo: antigamente, Ṣàngó se escrevia Ṣọ̀ngó mas a pronúncia era a mesma.


Gui Pereira

Agora a pessoa ser de oxum no batuque, ter feito seu ori a oxum e ir para o candomble e lá por exemplo for de oya eu acho errado, o ori é um só , dar o ori a 2 orixas diferentes isso pra mim é errado


Suelen Barcello

[Gui Pereira] mas se pode cultuar os dois exemplos o candomblé e o batuque eu acho muito confuso isso pós as rezas as doutrinas as cores são totalmente diferente então como e possível a pessoa lhe dar com os dois rituais??🙆‍♀️


Andersom Gonçalves

[Gui Pereira] eu conheço uma ialorixa q e do oya no candoble e do oxala no batuke pra mim ta errado mais a casa bonba de filhos


Alberto Moreira

[Gui Pereira] há um caso exatamente assim aqui em Porto Alegre.... Oxum no batuque e Iansã no candomblé....


Gui Pereira

Alberto e o que eu digo, é errado, como que teu ori vai ser de 2 orixas diferentes?


Daniel Do Bará

Cuidado com certas afirmações

Existe muita coisa neste mundo do que nosso pouco conhecimento....

Meu baba é feito no Candomblé e no batuque.

E olha que é uma pessoa com mais de 50 anos de religião.... Isso não é modismo de hj. Isso já acontece a muito tempo

 

Suelen Barcello

[Daniel Do Bará] o que não da para entender como seu baba lidar com isso pós a feitura e totalmente diferente, as rezas, as cores, os dias da semana e ano para mim também e muito confuso tudo isso mas respeito quem consegui entender.


Daniel Do Bará

[Suelen Barcello] eu fico apavorado com o discernimento e a inteligência dele...

Muito bom sempre falar com ele ....

Tem conhecimento pra dar e vender


O Tal Rodrigo Finger

Não entendo está pessoa gosta de afirmar fatos e chamar atenção no grupo,faz tempo que vejo está carência deste ser em tentar criar polêmica..... É só olhar as outras publicações dele !!! Não sou de candomblé e nem acho bonito ( minha opinião) agora nã… Ver mais


Patricia Sampaio

Não sei só sei que não se pode servir dois senhores ou duas senhoras


Julio Cesar

Eu acho no mínimo interessante essa questão de ter dois cultos diferentes no Ori.

Não tenho nada a ver com o que as pessoas fazem com suas vidas.

Acredito que afirmar que não possa, seja algo realmente muito forte, porém gostaria que me explicassem, co… Ver mais


Inácio Machado Jr.

[Julio Cesar] oi pai sua bênção também acho complicado pois as duas são culto ao Orixá, como séria o desligamento? Muito boa a pergunta do senhor. Além da questão quando troca o Orixá sendo que o Ori é um só...


Bàbá Marco

[Julio Cesar] e como seria o jogo, se no Batuque é de uma forma e no Candomblé outra?

E como ficaria o tabu da ocupação?

E como ficariam os Igba de um mesmo Orixá? Haveriam dois ou se manteria um deles? Quem comandaria a coisa toda: os dois? Um deles? Qual?


Mário Oxalá Obokun

[Bàbá Marco] da Banana para exu ou não dá?


Julio Cesar

[Luis Felipe Soares] entendi.

Me parece meio vago, mas entendi.

Com relação a umbanda e kimbanda, esses cultos tem ligação com Ori?


Luis Felipe Soares

[Julio Cesar] tem quem o faça inclusive aqui no RS tem 2 que eu conheça. Mas como tem outros debates em alta. Isso fica no limbo.


Luis Felipe Soares

[Julio Cesar] pergunta. Se falam que não tem ligação com o ori.

Como é que dão passagem os espiritos para a incorporação?

Falar que umbanda e kimbanda não tem relação com ori, no meu ver acho muito mais vago.


Julio Cesar

[Luis Felipe Soares] pergunto se tem ligação, pois não cultuo e não sei mesmo.

Ligação a ponto de ter que desligar.


Luis Felipe Soares

[Julio Cesar] depende de que ótica se vê. No meu ver, se passou por um rito de passagem e /ou iniciação dentro de um culto. Tem que ser feito feito o desligamento espiritual dentro da forma de culto, independente do que for. Minha opinião segundo o que me passou mru olwo.


Franciele Rosa

Não entendo… aí o Ori recebe axoro de dois orixás diferentes? Se no batuque isso não é permitido, então não tem como ter candomblé.


Luis Felipe Soares

Fala isso pros que respondem no jogo do marmoteiro do Mano Alves . Me mandaram pro tal Ifa 😂😂

Essa tua afirmativa ai, se não tiver uma boa dissertação. Mostra que ta muito fraco de conhecimento do propio culto que pratica.

Desde que a pessoa saiba tratar e diferenciar uma prática da outra, uma só incrementa a outra.

O propio Borel aperfeiçoou seus conhecimentos de rezas e fundamentos do toque nos terreiros sob a bandeira de Mãe Menininha.

Não me adoece!


Mano Alves

[Julio Cesar] Dentro da pouca vivência que eu tenho nessa questão, as pessoas (que eu conheço) que foram para o candomblé mesmo sendo o mesmo orixá deixaram de praticar o culto do batuque em seus Oris, alguns seguem cuidand de seus orixás do batuque poré… Ver mais


Julio Cesar

[Mano Alves] entendi.

No caso que citou as pessoas não fazem mais obrigação para os orixás do batuque, ou seja não deitam mais para aquele Orixa.

Nesse caso entendo perfeitamente, apesar de não reforçarem nunca mais a ligação com o seu próprio ori, até e… Ver mais


Suelen Barcello

Bom tem babas já adquirindo rezas de candomblé no batuque 🤷‍♀️


Luis Felipe Soares

[Suelen Barcello] tem rezas do batuque que são cantadas no candomblé e na Osha Cubana a séculos. Ai como é que fica?


Suelen Barcello

[Luis Felipe Soares] não sei eu acho os rituais diferentes particularmente não sei como é possível mais se você teria uma explicação para isso para mim e muito confuso por ser rituais com ritmo,cores,dias e anos diferente do que agente do batuque cultua.


Iuri Beranach

Até as roupas, o adjá, os cargos, e até umas folhas e ebós do candomblé estão enfiados em algumas famílias de Batuque...

Inclusive teve uma Yalorixa já falecida e bem famosa no RS que era de candomblé, batuque, umbanda, Kimbanda, etc etc etc...

Ninguém nunca falou nada...


Adilson Piedras Junior

[Iuri Beranach] muita gente acredita que o candomblé é uma religião mais estruturada , mas não é verdade... Nossa sineta , o comportamento do Òrìsà , a forma de fazer as comidas , e muitas outras coisas é muito mais semelhante a religião tradicional que o candomblé


Kessi Marques

Aí mas se for o mesmo santo pode. Aí o santo desce no candomblé e não no batuque ? Ou aí a pessoa não precisa de segredo da ocupação? Pessoal lá de cima gosta de dizer que nós somos "marmoteiros", é cada um que acontece que não tem como não dar razão


Cristiano Barros Suraoob

O candomblé, batuque,omolocum,tambor de Mina,xangô de Recife....todos estes seguimentos....foram organizados aqui no Brasil por nossos ancestrais.....na África está totalmente,o que se expõe e opinião....pra ter certeza do que pode ou não pode ...tem q… Ver mais


Juliane Leal

Cada casa com sua verdade, dificilmente você vai conhecer um ilê e vai gostar de tudo, concordar mas o respeito é sempre bom! O preconceito não vem só dos de fora e sim os da própria religião, na dúvida saiba que dentro daquele ilê pode, se não pode em outro veja em qual está e siga a doutrina.


Gil Jumier Jumier

Tem que perguntar pro Rui do Xangô ou Bruxo Malagueta que tem nação e candomblé.


Léo Agandjú Ïomí

E ao contrário, pode também ? A pessoa cumpriu todos seus preceitos no Candomblé e entrou pro Batuque, deixa de lado o culto à seu Orí no Candomblé e passa a cultuar somente no Batuque com a ligação respectiva aos Orixás do Batuque ? Continua cultua… Ver mais


Roger Duarte

A questão é: pra que dois cultos ao orixá no mesmo orí?

Creio que o orixá permanece o mesmo, só vão se acrescentar um bom punhado de dogmas, ritos e práticas que, no mínimo, entrarão em choque em algum momento... É procurar mais do mesmo, ao meu ver.


Hendrix Silveira

Sou afroteólogo, ou seja, minha profissão é refletir teologicamente as tradições de matriz africana. Candomblé e Batuque são tradições irmãs. Cultuam as mesmas divindades, praticam os mesmos ritos (embora de forma diferente) e tem a mesma filosofia. Praticar as duas tradições é o mesmo que um cristão dizer que é católico e luterano ao mesmo tempo. Não é possível. A partir do momento que raspou a cabeça, deixou de ser batuqueiro.


Lisiani Bauer

[Hendrix Silveira] interessante sua explicação,oq fiquei em dúvida é que tem alguns (q não vou citar nomes)se dizem "prontos"na Nação batuque e são do candomblé tbm,ou seja tem algo q não bate nisso?.

Se foi pro candomblé não é mais pai ou mãe de santo no batuque?


Hendrix Silveira

[Lisiani Bauer] os ritos são diferentes, por isso um pai/mãe de santo do Batuque precisará passar por outros rituais específicos do Candomblé para poder ser pai/mãe de santo dessa tradição, assim como um padre não é automaticamente um pastor na igreja luterana. A feitura do batuque não será apagada da história da pessoa, mas ao raspar e fazer as obrigações comprometerá a obrigação anterior. O mesmo acontece com candomblecistas que foram iniciados no Ifá, não poderão mais participar de rituais de candomblé e nem mesmo poderá "virar" no santo. Batuque e Candomblé não é umbanda que a pessoa incorpora várias entidades.


Lucas Melo

[Hendrix Silveira] o Sr intende de feitura tbm pq nação brasileira faz o acentamenti de uma África toda e se torna pai de santo já no candomblé se faz o corpo e se torna baba mais pra ter a África toda tem q ter um filho de cada na casa pois ele mesmo não pode sentar a africa


Hendrix Silveira

[Lucas Melo] Existem diferenças na forma dos rituais principais e o candomblé possui outras formas e ritos que não tem no Batuque e viceversa, contudo, o candomblé não pode ser pensado como um complemeto ao batuque como muitos pensam, por exemplo, a umbanda e a quimbanda.


Adilson Piedras Junior

Com respeito a todos e as opiniões adversas, mas alguns fatores precisam ser repensados....

São ambas religiões de matriz africana mas são diferentes, contudo cada uma tem estrutura, preceitos e características próprias!

O que ocorre muito é a tentativa de introduzir alguns ritos, objetos, toques, cantigas, de uma religião a outra, o que na minha opinião é um equívoco quando se trata do batuque, pois nossa religião é uma diáspora que não nasceu de outra diáspora, ela originou-se com base na matriz, mas possui característica própria e não depende de outra religião

Além do mais, temos tradições diferentes, mas somos todos Nagọ, ou seja somos orixaístas, diferentemente do candomblé que nem sempre são adeptos de cultuar òrìsà!

Respeite sua religião! O momento que alguém precisa de duas religiões diferentes , para cultuar as mesmas divindades ou pior ainda divindades diferentes , significa que há uma insuficiência que deve ser analisada e repensada se está de acordo com aquilo que quer, precisa e acredita.


Chico Neto

Caro afroteologo [Hendrix Silveira] excelente informação de que o candomblé e o batuque são irmãs.

No entanto, observo que se generalizar acabaremos ignorando as divindades dos povos que não cultuam orixás do candomblé, mesmo assim, ainda poderemos dizer


Hendrix Silveira

[Chico Neto] Não generalizo, apresento elementos que estão presentes em todas as tradições, ainda que os entendimentos sobre esses elementos possam ser divergentes. O culto ou não de certos Orixás é irrelevante, já que o candomblé também não cultua algun… Ver mais


Chico Neto

[Hendrix Silveira] Ainda a tempo, importante destacar que os banto e os fon não praticam o rito do bori e não possuem similar, pois o rito do ori tem origem nos povos iorubá.


Hendrix Silveira

[Chico Neto] na verdade há sim ritos semelhantes: no Candomblé Angola há o ngudia camutue ou pangu camutue. E no Jeje há o tasén, apehe ou Ahisu.


Adilson Piedras Junior

[Hendrix Silveira] Saudações Sr. Conhece Ile no batuque que cultua nkise? O conceito se Ori é igual no candomblé banto?


Hendrix Silveira

[Adilson Piedras Junior] Não sou um estudioso da cultura bantu, exceto por alguns conceitos filosóficos como ubuntu e "ser-força". Essa pergunta teria que fazer para um especialista na área, mas sob o ponto de vista da unidade africana falada por Amadu H… Ver mais


Hendrix Silveira

[Adilson Piedras Junior] Não há culto formal a Nkisi no Batuque, ainda que haja uma nação que adote o nome Cabinda. Há indícios de que Kamuká, cultuado na nação Cabinda do Batuque, seja uma divindade angolana, mas de qualquer forma não é um culto completo.


Chico Neto

[Hendrix Silveira]

Antes falaremos sobre as divindades cultuadas entre os povos do Candomblé e depois falaremos sobre o conceito de noção de pessoa.

Entre os povos ioruba possuímos os orixás que são divindades que habitam a natureza e muitos dominam os elementos da natureza.

As divindades banto é a própria natureza, e os vodun são ancestrais, entre o candomblé tradicional destaca-se claramente estas diferenças, além dos ritos, iniciações e idioma.

O Batuque possuem uma parcela das divindades e suas nações nao possuem elementos para formação de novas nações.

Assim temos a melhor citação é do prof Vivaldo da Costa Lima:


Hendrix Silveira

Não sou antropólogo, mas sim teólogo, logo, minhas proposições e reflexões partem de princípios teórica e metodologicamente referenciados na Teologia e esses princípios são muito diferentes dos apresentados pela Antropologia. Além disso, não vi qualque… Ver mais

Afroteologia: Construindo uma teologia das Tradições de Matriz Africana

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Chico Neto

[Hendrix Silveira]

Já que eu apresentei o conceito, agora gentilmente abro espaço para que o professor nos apresente os pontos similares dos conceitos de Ori, Camutue e Tasen. Uma rara oportunidade que temos de sentarmos para estudar com o mestre.


Hendrix Silveira

Não sou um estudioso dessas outras tradições. Veja com quem as estudou. Apenas conversei com babás que me disseram isto. Se discorda, tudo bem.


Chico Neto

[Hendrix Silveira Hendrix]

São divindades, no entanto, cada povo tem o seu Deus, ignorar isso seria um equívoco da nossa parte não acha ?


Hendrix Silveira

[Chico Neto] Mais ou menos. Depende de como entendes esse Deus. Se Olodumare, Nzambiampungu e Mawu são deuses diferentes ou se seriam o mesmo Deus manifestado em diferentes povos.


Chico Neto

[Hendrix Silveira]

Quais seriam os indícios de que a a Cabinda seria banto? e como chegou a conclusão de que o culto de Sango Kamuka nao estaria completo?


Hendrix Silveira

[Chico Neto] Não disse que o culto a Xangô Kamuká está incompleto, disse que, caso Kamuká pudéssemos comprovar que Kamuká seja um Nkisi, seu culto não está em conformidade com o culto aos Nkisi, logo não estaria completo neste sentido.


Adilson Piedras Junior

Sr [Hendrix Silveira] poderia me indicar uma fonte sobre os índicios de Kamuka ser uma divindade angolana?


Hendrix Silveira

[Adilson Piedras Junior] escrevi no meu livro. https://a.co/d/cT6EXpc

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Chico Neto

[Hendrix Silveira] Interessante, poderia citar os babás que lhe disseram, por que jogou o tema, porém não embasou.


Hendrix Silveira

Desculpe. Não sabia que isso aqui era uma banca de doutorado. Preciso me preparar melhor. 😉


Chico Neto

[Hendrix Silveira]

Não é uma banca, nem há necessidade, porém, não é sempre que temos uma oportunidade de um PhD na prosa, desta forma, nos maravilhamos ao ter oportunidade de ter fontes e informações devidamente citadas e uma conversa boa, pelo menos p… Ver mais


Adilson Piedras Junior

Sr [Hendrix Silveira]

Não vi sua fonte ainda, vou pesquisar com toda atenção , contudo segue uma fonte


Hendrix Silveira

[Adilson Piedras Junior] meu velho. Fui o primeiro a descobrir isto e publiquei no Jornal Bom Axé em Janeiro de 2008. Este é ym indício.


Adilson Piedras Junior

Sr. [Hendrix Silveira]

Excelente que tenha sido o primeiro a registrar esta informação, pois, segundo informações, este povo citado é uma migração decorrente da guerra, que levanta a possibilidade de ser o povo original "Kamuka" na Nigéria que estava em plena atividade no século XIV, situavam ao lado do Oyo antigo.


Hendrix Silveira

Então Erick. A citação está incompleta, pois falta a fonte de onde tirou esta citação. Entrementes, sei da existência de um grupo étnico chamado Kamuku no norte da Nigéria, onde há até mesmo um parque nacional com esse nome. KAMUKU e não KAMUKA. A confirmação é dessas fontes: YAKAN, Muhammad Zuhdi. Kamuku. Almanac of African peoples & nations. Transaction Publishers, 19999. p. 369. OLSON, James Stuart. Kamuku. The peoples of Africa: an ethnohistorial dictionary. Greenwood Publish Group, 1996. p. 270. Além disso existem outras questões que precisam ser avaliadas: 1°) a região em que ainda vivem é o norte da Nigéria, região islamizada desde o século IX e os islâmicos possuíam uma política de não escravização dos seus, ao contrário dos cristãos, majoritários na metade sul do país; 2°) não há registro histórico de migração desse grupo para fora da Nigéria; 3°) não há registro de entrada dessa etnia no estado do RS no período escravista (por isso a ideia de que seja um grupo étnico de Angola também é especulativo). 4°) há registros de entrada de cabindas no RS, exatamente nestes termos: CABINDA. Então o que fazemos é apenas especular sobre essas evidências.

 

Adilson Piedras Junior

[Hendrix Silveira]

Correto, e um estudo do erick, somente uma correção, a Dra. Paula Gomes, informou que o nome do parque é Kamuka, porém como está escrito em

Inglês ficou kamuku, por isso, volto a dizer que é Kamuka. 

Quanto a fonte, está no topo da imagem, conforme você mesmo mandou que fossemos buscar no seu livro, pelo menos, a revista é gratuita, para acesso de todos em qualquer lugar do mundo. 


Adilson Piedras Junior

Outra fonte incrível para apoiar o tema ... Sr [Hendrix Silveira]


Link da postagem:  https://m.facebook.com/groups/BATUQUESRS/permalink/2537040933124725/?mibextid=Nif5oz

Imagens comprobatórias 





































domingo, 16 de abril de 2023

AS DIVERSIDADES DA FEITURA DO ORIXÁ

Por Julie Osunronké Abebí

Postado em 14/04/2023 em Oyo, Nigéria, acessado em 16/04/2023


É kabó gbogbo ilé.

Na religião Afro Brasileira costumamos cultuar um Orisa de cabeça e um segundo Orisa que cuidaria da pessoa.
Falando do Batuque RS , na maioria das família temos um Orisà masculino e outro feminino ou vice versa . Depois temos Orisas que compõem a feitura daquela pessoa .
Cada pessoa é um caso , um destino uma espiritualidade. Não existe uma receita única, até porque a receita do bolo muda.
Na religião tradicional Yorubá me referindo ao Esin Orisa Ebilé , somos iniciamos apenas para um Orisa e não existe segundo ou terceiro Orisa.
Existe casos que o Erindinlogun traz uma mensagem dizendo qual seu Orisa de cabeça e algumas pessoas podem ou devem cultuar um segundo Orisa . Por motivo xxxx.
Usando o meu caso como exemplo , chegando aqui em Oyó a mensagem do Erindinlogun dizia: Filha de Òsún mas tinha Sàngó que eu poderia e deveria cuidar.
Neste caso a pessoa se inicia para seu Orisa de cabeça e depois é feito este segundo Orisa como determinado no jogo de búzios .
CURIOSIDADE : No batuque RS Eu sou feita para Òsún com Sàngó. Nas terras Yorubá Sàngó continuou fazendo parte da minha vida.
Os anos se passaram , os rituais são outros mas os Orisas deu Òsún e Sàngó .
Coincidência ?
Eu não acredito .
Eu sempre disse que minha Iya no Batuque jogava muito bem. Nicoly Gon
Kabiesi !
Ver foto: Recebendo Sàngó Koso feito pela família de Sàngó das mão de Sàngówale . Junto na foto doutora Paula Gomes.

Link - https://www.facebook.com/photo/?fbid=10160598310684394&set=a.10159653616779394

Imagens comprobatórias




domingo, 12 de dezembro de 2021

BATUQUE FUNDAMENTAL II

Por Alexandre Custodio

Postado em 12/12/2021




Seguindo com os temas corriqueiros do cotidiano dos batuqueiros, sempre tendo o cuidado de não entrar nos fundamentos, pois esses devem ser recebidos no templo através dos sacerdotes devidamente preparados para isso.

TEMA QUATRO: RITUALISTICA
O Batuque como liturgia, possui uma série de procedimentos que ocorrem durante a vida religiosa de seus seguidores, esses procedimentos têm por função iniciar e fortalecer o culto a pessoa(ori) e as divindades(orixás), essa caminhada litúrgica termina com o orissum o rito de desligamento e preparação deste iniciado para sua volta ao orun. Cada rito pelo qual o iniciado passa, o torna mais apto a interagir com o axé e lhe permite participar de alguns outros rituais de forma segura. É comum no Batuque durante os rituais as divindades ligadas ao templo se manifestarem em seus iniciados, participarem ajudando nas atividades que circundam aquele ritual, por exemplo no serão, O sacerdote pode confirmar com os orixás estando esses no mundo durante os rituais, se tudo que está sendo feito é o necessário e está de acordo com o desejo dos mesmos. Antes de cada ritual, dependendo, prepara-se o ecomi azedo frenteia e sacraliza para a rua, orixás responsáveis pela segurança do templo, bem como são feitos seguranças especificas para a proteção do templo durantes essas funções. Os ritos seguem para o quarto de santo, lá já se encontram os ecomi doce e azedo e as frentes dos devidos orixás que irão comer no ritual, deve-se oferendar a Bará, também orixá do sacerdote, para a realização satisfatória, a partir daí segue a sequência dos rituais.

Lavar a Cabeça
Primeiro passo do rito do Batuque, pois é através do qual a pessoa se prepara para passar por um outro rito maior do templo, esse rito pode ser feito dentro ou fora dos templos, sendo feito fora geralmente são feitos em praias de água doces ou salgadas. quando um religioso vai migrar de uma família para outra ele repete esse ritual para se desligar do sacerdote anterior.

Omiero (Omièrọ)
Depois de jogada e confirmada nos búzios a cabeça e as passagens do filho, é feito o omiero, que é um ritual realizado com ervas específicas de cada orixá, maceradas na água onde o Babalorixá lava a cabeça do filho que fará a obrigação enquanto entoa a orins do orixá da pessoa e da Bandeira (Orixá no qual o Babalorixá é iniciado). Tem de ser levado em conta as folhas usadas pois dependendo da categoria das folhas, se nesta água tiver ervas quentes ou elementos quentes, não será mais omiero, e sim omiaxé (omiàṣẹ).

Omiero Coberto
Segue o mesmo padrão do omiero, mas nele é acrescentado eje(ejè) a mistura. É o costume cortar uma ave para consagrar o omiero.
N.E. No Batuque existem muitas famílias que não separam os ritos de ori e orixá, já ouvi muito sobre o fato, vou tratar aqui como ritos separados alimentar ori e alimentar orixá abaixo uma fala sobre o tema.
[...] O que eu quero comer você não quer comer, devemos comer separados, ou um de nós ficará com fome. (Provérbio Iorubá) [..]
Essa fala destaca a importância de separarmos os rituais, pois ori e orixá podem desejar coisas diferentes para seus rituais como oferendas desde comidas secas até animais a serem sacralizados, pois ori é tão ou mais importante que orixá, dado que na própria sequência dos ritos do próprio Batuque, nas casas onde os rituais ocorrem em separado, como vamos ver a seguir orixá começa a comer muito tempo depois de ori, somente na iniciação do religioso a sua divindade regente. Vou deixar o link do trabalho de registro feito pelo Rudinei Oliveira Borba.
[...] O Batuque não realiza mais o culto de Orí, perdeu o conceito e o rito. O que faz hoje no Batuque não é um bori ao orí, mas um reforço de Òrìsà para a cabeça. Com exceção de alguns poucos mais antigos. [...]
Bom esse tema gera muito debate, mesmo a alguns entendam que cortar na cabeça para o orixá esteja alimentando ori, esses sacerdotes estão considerando apenas a cabeça física, considerando apenas o ato de sacralizar na cabeça como alimentar ori, ignorando parte espiritual a noção de pessoa, tornando o bori deste modo um ritual de orixá, passam assim a consagrar a cremeira (ile ori) e seus elemento que deveriam pertencer do Ori, representação espiritual da pessoa, mais um assentamento de orixá.

Ibin (Igbin)
Em algumas situações o sacerdote pode sacralizar Ibi (caracóis) na cabeça de iniciados, podendo ser usado tanto para ori quanto para orixá.

Oribibo (Orì bi bó)
O Oribibo é a obrigação realizada com um casal de pombos, brancos pois é cor de ori, visto que se trata de um reforço ou até mesmo um axé de saúde, grosso modo a tradução de oribibo seria cobrir(proteger) a cabeça.
Nesse ritual frenteia-se um orixá essa decisão diz respeito ao sacerdote, são colocados os ecomi doce e azedo, acendem velas no quarto de santo, colhem e maceram as ervas, para preparar o omiero, em um reservatório colocam uma quartinha nesse reservatório para imantar, o sacerdote começa a executar os procedimentos para o iniciado lavado a cabeça, jogado a cabeça, é separado parte deste o omiero para banhar o corpo, depois do balho é passado a limpeza, consecutivamente tem a cabeça lavada.
Seguindo com o rito segue a marcação da pessoa, marca-se com banha de ori, no meio da cabeça, nas fontes, no pescoço, na nuca, na palma das mãos, nas costas das mãos, no peito dos pés e na sola dos pés. Retiram a quartinha e na guia do omiero e elas também são marcadas. Em frente aos assentamentos do quarto de santo, acende-se uma vela ao lado da pessoa que é colocada sentada de frente para o quarto de santo.
Apresentam os pombos e então sacraliza-se os animais na cabeça da pessoa, marcando a pessoa e os utensílios acima citados enquanto são entoadas as orins durante todo o processo, faz se a coroa de penas ao redor do eleda (Eléèdá) da pessoa. Apresenta-se o pano de cabeça da pessoa aos orixás no quarto de santo pedindo licença aos mesmos e depois apresenta-se pano as demais pessoas no templo ali presentes. O padrinho ou madrinha amarra a trunfa no seu futuro afilhado, o sacerdote junto com padrinho levanta a pessoa. A pessoa deverá bater cabeça no quarto de santo para seu sacerdote para seu padrinho ou madrinha.
Não tendo mais pessoas inicia-se o recolhimento, após encerrado o prazo de recolhimento de 24 horas da pessoa, vem a levantação. Durante um período de resguardo que pode variar 7 (sete) ou 8 (oito) dias proteger a cabeça do sol, da chuva e do sereno. O oribibo não permite muita participação nos demais ritos religiosos.

Bori
O Bori é a primeira obrigação propriamente dita onde é alimentado tudo que representamos no orun, a cabeça espiritual. Na obrigação do bori são consagrados alguns objetos que formam a representação de ori aqui no Aye, apesar de muitas famílias incluir orixá nesse ritual esse não é o correto segundo a matriz, bori e iniciação em orixá, são dois ritos distintos, como poderemos ver abaixo mesmo no bori feito para orixá no Batuque, na manteigueira não vão elementos do orixá, pois como já falei antes é uma representação espiritual da pessoa, sem ligação com o orixá:
• Manteigueira de vidro ou porcelana.
• 01 moeda antiga.
• 08 búzios .
• 01 quartinha (espécie de jarro de barro com tampa) ao natural ou pintada na cor branca.
Estes objetos são colocados dentro de uma vasilha, juntamente com as guias e recebem o ejè/axorô dos animais sacrificados, vasilha esta que fica no colo do filho que está sendo borido, enquanto este fica sentado no chão. O sacerdote faz as marcações no corpo do filho da mesma forma que foi feita no aribibó, Na continuação da obrigação de bori conservam-se as mesmas etapas do oribibo.
Porém no bori há uma testemunha a quem chamamos de padrinho ou madrinha de cabeça, devendo-se total respeito ao padrinho, que deverá ser alguém com feitura, filho-de-santo pronto, pois é o padrinho ou madrinha que deverá ser procurado caso o afilhado necessite de orientação e o Babalorixá estiver impossibilitado de auxiliar o filho-de-santo.
Terminada as etapas da matança o borido é auxiliado a trocar de roupa e deita-se no chão mantendo-se o mais próximo de sua obrigação. Os animais sacrificados vão para a cozinha, onde são preparados, separadas as partes que serão colocadas no quarto de santo, o restante do corpo das aves serão preparadas as refeições para alimentar o povo que permanecerá no Ilê durante o período de obrigação.
A reclusão do filho de santo que está sendo borido varia de 03 a 07 dias. Durante este período o borido reduz ao máximo suas atividades e movimentos, permanecendo a maior parte do tempo deitado ao chão. Após o término do período de reclusão levanta-se a obrigação e monta-se o bori: Faz-se uma cama de algodão dentro da manteigueira e põe-se a moeda ao centro rodeada pelos búzios.
Cobre-se com bastante banha de ori. Agora o filho-de-santo tem o bori (a manteigueira com os búzios, dna, moeda e a quartinha cheia d'água), que ficará guardado no Quarto-de-Santo do templo, numa prateleira coberto por cortinas, juntamente com os boris dos demais filhos.
O bori é considerado a representação de tudo que a pessoa é no orun, portanto exige certos cuidados, não deve ser mexido, a quartinha deve estar sempre com água e deve ser reforçado de tempos em tempos com nova obrigação.
Existem alguns tipos de Bori na liturgia do Batuque, em cada um dos ritos abaixo os elementos que representam ori citados acima, e que compõem o ile ori passam junto com o religioso pelo ritual novamente.

Bori de Aves
Ritual no qual são sacrificados além dos pombos, galos ou galinhas pedidos por ori. É recomendável que o religioso, que passará pelo rito, já tenha passado pelo oribibo. O Bori de aves é mais um degrau galgado pelo religioso em sua caminhada até o aprontamento.

Bori de Meio Quatro-Pé
É recomendável que o religioso, que passará pelo rito, já tenha passado pelo bori de aves, também pode ser feito como reforço, até para os que já são filhos prontos. Nesse rito são sacralizadas aves que são consideradas meios quatro pés, ou seja, aves consideradas superiores a galos e galinhas. Exemplo galinhas d’angola, perus, patos, marrecos etc. ou outras aves requisitadas por Ori no jogo.

Bori de Quatro-Pés
Como podemos ver no Batuque as obrigações vão crescendo, é recomendável que o religioso, que passará pelo rito, já tenha passado pelo menos por bori de aves, nessa obrigação são sacralizadas aves, e o animal de quatro pés da escolha de ori.

Assentamento de Orixá/Iniciação
Ocasião em se individualiza as divindades do iniciado e/ou se faz a iniciação no Orixá de Cabeça, imantando os elementos do assentamento de cada orixá axé de suas oferendas, criando assim ponto de acesso a divindade respectiva.
Fazem parte do assentamento:
• Okuta(pedra) ou vulto para algumas divindades.
• Delegum, guia com vários fios de contas que variam em número e cor de acordo com o axé do Orixá, quando o assentamento for do orixá de cabeça.
• Imperial, guia do jogo, algumas famílias colocam junto, quando o assentamento for do orixá de cabeça, pois entendem que é o responsável pelo jogo já que ele é o comandante do Irunmole, essa guia posteriormente irá passar também pelo ritual de Oromilaia.
• Ferramentas.
• Facas de iniciação e serviço, nas respectivas divindades.
• Quartinha (espécie de jarro de barro com tampa) pintada nas cores do Orixá.
• Búzios, se for o orixá de cabeça é além dos búzios referentes a conta do orixá, são colocados a mais os búzios referentes ao jogo 08 é o tradicional, mas também podem ser colocados 16 em algumas famílias, pode variar algumas famílias não colocam os búzios referente ao jogo para comer junto com o Orixá de cabeça.
• Vasilhames recipientes que irão comportar o assentamento.
Nessa ocasião são sacralizados os animais da divindade aves e 4pés, se for feito sem a inclusão dos animais de 4pés é chamado de encostar o Orixá.
Terminada as etapas da sacralização o iniciado é auxiliado a trocar de roupa e deita-se no chão mantendo-se o mais próximo de sua obrigação. Os animais sacrificados vão para a cozinha, onde são preparadas as inhelas (partes extremas e vitais das aves, fritas em óleo, algumas tradições fritam tudo outras apenas algumas partes) que serão servidas aos orixás e com o restante do corpo das aves serão preparadas as refeições para alimentar o povo que permanecerá no Ilê durante o período de obrigação, ou então serem servidas durante a noite de Batuque.
A reclusão do filho de santo que está sendo borido varia de 07 a 30 dias podendo ser mais em algumas casas. Durante período em que o orixá está comendo o iniciado fica recolhido, reduz ao máximo suas atividades e movimentos, permanecendo a maior parte do tempo deitado ao chão. Recebe visitas dos seus irmãos de santo, familiares e amigos de outros templos. Após o término do período de reclusão, os toques levanta-se a obrigação e monta-se os assentamentos, que ficaram guardado no Quarto-de-Santo do templo junto do ile ori (Bori) deste religioso, numa prateleira coberto por cortinas formando o Irunmole do mesmo, ou aguardando o assentamento das demais divindades para a formação.
N.E. Vou acrescentar aqui algumas informações sobre os costumes do antigos que não dividiam eje e não assentavam todos os orixás de uma vez, podendo muitos deles assentarem esses com aves primeiro antes de completarem com 4 pés. Seguindo praticamente a mesma sequência descrita no bori.
[...] Conforme o costume da época sentava-se somente 3 ou 4 orixás principais do sacerdote, e com estes orixás abriam casa, ficando a vida toda somente com estes sem necessidade de assentar de Bara a Oxalá. Ele informa que na tradição Oyo do Batuque, o orixá de rua, quando pega cabeça, ele passa a ser cultuado dentro de casa. [...]
[...]que antigamente, primeiro assentava o Bara, para ele abrir os caminhos, a maioria dos baba antigos, não tinham todos os orixás, hoje é moda de Bara a oxalá. [...]
[...] Naquela época, era costume não dividir "quatro pés" e não se dava "carona", isto é, não sentava outros orixás com o mesmo quatro pé, nem deitava filhos com o mesmo quatro pé. Era também costume "encostar" orixá com ave, angola ou marreco, e era costume também usar pato para "encostar" o orixá. [...]

Oromilaia
Ritual pelo qual passam os iniciados que já tem seu orixá de cabeça assentado, para ter acesso ao oráculo, são sacralizadas as aves para o ritual (galinhas uma preta e uma branca), com as quais os participantes do ritual são marcados pelo sacerdote nos olhos, boca, ouvidos e mãos sob o ala, bem como os búzios e imperial, tem famílias que procedem diferente, depois da sacralização essas aves são preparadas dentro do fundamento do Batuque e servidas aos participantes, os mesmos envoltos em pano branco se deitam até a manhã seguinte quando são levantados.

Entrega de axés
A entrega destes axés ocorre no início ou após o término do xirê da terminação, geralmente no sábado posterior ao Batuque em que ocorre o Kassum. Quando for entregue os objetos que compõe o jogo de búzios e as facas, deverão ser colocados em uma bandeja e se fará o ritual de entrega. O padrinho ou madrinha testemunham a obrigação. A partir daí o iniciado(filho-de-santo), é considerado pronto, isto é, tem sua obrigação completa com o assentamento de todos os Orixás pertencentes ao Irunmole, alguns orixás são assentados somente quando a pessoa abre seu templo. Depende agora de seu conhecimento, desenvolvimento de aptidões, e com o consentimento de seu orixá e de seu Babalorixá ou Yalorixá (Pai e Mãe de Santo), poderá ter seu próprio Ilê (Casa de Santo).

Ritual da Obrigação do Peixe
São sacrificados aos orixás peixes vivos, logo pela manhã cedo, os peixes variam de acordo com os Orixás que vão receber a obrigação, e a sua quantidade varia muito de acordo com o axé de número do mesmo. Os orixás de frente recebem pintado como obrigação e os orixás de praia recebem jundiá. Nos Quartos-de-santo são sacrificados ao menos um peixe para cada orixá e a eles são destinados: a cabeça, a cauda, as barbatanas e um pouco de axorô (ejè/sangue). Os peixes sacrificados, são servidos, com pirão, no almoço e devem ser consumidos, pelos filhos que estão de obrigação e pelos que estão na casa, pois o ebó de peixe simboliza fartura e prosperidade. E uma quantidade maior de peixes, é preparada frita, para serem servidos ao povo que comparecer ao batuque de encerramento ou no toque do Peixe, toque realizado na noite do corte do peixe, porém com duração mais curta quando serão consumidos o ebó do peixe e peixes fritos, além das comidas dos Orixás.

A Festa do Batuque
Após cumpridas as obrigações, também quando encerrado o levantamento, são feitos os toques ao sons do tambores, ages e agogos, para os orixás conhecidos como xirês, que tornaram a Nação conhecida como o Batuque. O sacerdote, ajoelhado em frente ao quarto de santo, juntamente com todos seus filhos e demais convidados, toca-se a sineta (Adjarin), fazendo a chamada de todos os Orixás, de Bará a Oxalá com suas saudações específicas, pedindo-se aos Orixás, as coisas que a eles competem. Terminada a invocação, o sacerdote, autoriza o tamboreiro/alabe os toques, que correm, na ordem de Bará a Oxalá respeitando a sequência de cada tradição. Todos que estão na roda, gira dançam com as características de cada Orixá aos quais estão sendo tocado as orins.

Balança
Se a obrigação que originou a festa teve o corte de quatro-pés, deverá ser realizada dentro das rezas para Xangô, a obrigação da balança em homenagem, a Xangô, e por conter o axé de todos os Orixás em harmonia. Há um intervalo na movimentação da roda e os presentes, inclusive os Orixás afastam-se do centro do salão, deixando espaço para a gira da roda da balança. Nesta hora, participam só os já prontos colocados lado a lado, formando uma gira uma roda de mãos dadas, dançam ao ritmo dos tambores que vão indo gradualmente aumentando de intensidade. É quando ocorre o maior número de ocupações. Ao terminar a balança os Orixás cumprem o fundamento: vão ao Quarto-de-santo, depois até a porta da rua para cumprimentar os Orixás da rua e depois dançam ao som do Alujás de Xangô.

Aforiba
Já o Aforiba, é o momento em que o orixá Ogum e Iansã estejam presentes demonstram a passagem em que Iansã embebeda Ogum para fugir com Xangô. O sacerdote convida um Ogum e uma Iansã para fazerem o Aforiba, então colocam-se no centro do salão duas garrafas contendo atã (Aforiba) e as armas inerentes a estes Orixás (espadas). Iansã pega as garrafas e oferece a Ogum que logo se embriaga, mas logo em seguida Ogum volta a si e vai atrás de Iansã empunhando a sua espada. Os dois digladiam, mas Iansã consegue acalmar Ogum e os dois reconciliam-se e assim voltam a dançar juntos. Tendo um Xangô no mundo poderá vir a fazer parte do Aforiba. Xangô vem em defesa de Iansã e com seu machado de dois gumes entra na luta com Ogum. Aí então, Iansã acalma os dois Orixás (que por natureza, não se dão bem, fato criado aqui no Brasil pois na matriz não existe essa informação).
N.E. Esse ritual praticado pelos orixás dentro do Batuque é representação de um mito, que em momento algum influenciará os filhos de Ogun, Iansã, ou Xangô causando dependência de bebidas alcoólicas.

Ecó
Terminado as orins de Xapanã é hora da Saída do Ecó, que nada mais é do que o despacho do ecomi de azedo e doce, marcando o término das orins dos orixás de mato e o início das orins dos orixás de praia. A saída do ecó simboliza a saída de toda a negatividade que existe no ambiente e nas pessoas presentes, prepara o ambiente para os orins dos Orixás mais velhos, que tem um toque mais brando, enquanto sai o ecó, os alabês continuam puxando os orins, só que agora puxam os orins dos orixás da rua (Bará Lodê, Ogum Avagã e Iansã Timboá), não há movimento da roda e a assistência evita olhar para o que está acontecendo, virando para a parede. Diz a crença que quem olhar a saída do ecó atrai para si a negatividade ali contida.

Roda de Ibeji
No Batuque de Quatro-pés há a roda de Ibejis, no Jejê-Ijexá ela acontece durante os orins de Oxum. É o momento em que as crianças participam da obrigação e as mulheres que pretendem a maternidade ou que estão grávidas fazem os seus pedidos e agradecimentos. Os orixás, principalmente Oxum e Xangô, distribuem aos que estão na roda e assistindo, as frutas e os doces que estão no quarto de santo.

Axé dos Presentes
Acontece no final do Batuque, os Orixás seus bolos, comidas enquanto os presentes os saúdam. Depois os bolos são servidos aos convidados e o excedente é distribuído juntamente com as oferendas. É tradição, também, os convidados ofertarem presentes ao Orixá do sacerdote, por ocasião de seu aniversário de aprontamento. Os presentes mais comuns são perfumes, flores, doces, e outros utensílios que podem ser usados no dia a dia do templo.

Axé dos Perfumes
Acontece no final do Batuque, o sacerdote, pega os perfumes no quarto de santo, e com as Iyabas no mundo, distribui entre elas que dançam e perfumam os presentes no salão, distribuindo o seu axé enquanto são entoadas suas orins.

Alá de Oxalá
Pertence aos orins do Oxalá o axé do Alá. Em determinado momento, os filhos de santo com estatura mais elevada suspendem ao alto um grande Pano branco (Alá). Enquanto a gira e os orins continuam, todos passam por baixo do Pano branco (Alá), pedindo ao Orixá funfun, ou seja, o orixá do branco a paz, saúde, fartura, prosperidade e a proteção.

Axêros
Conforme o Batuque vai se desenrolando, os Orixás “chegam” e “sobem”, e vão embora. Os orixás são suspendidos, normalmente, pelos “filhos de santo”, mais antigos e experientes do Ilê (Casa de Santo), porém eles ficam em “axêre” ou “axêro”, estado intermediário entre a ocupação do Orixá e do médium propriamente dito.

Mesa de Ibeji
A obrigação da Mesa de Ibeji é feita no Batuque de Encerramento e nas ocasiões em que o sacerdote, ache necessárias. É realizada a tarde ou no início da noite e antecede o Batuque de Encerramento. Dela participam crianças de zero a doze anos, além de mulheres grávidas, ou que queiram engravidar. São cantados orins de Xangô e Oxum (que representam os Ibeji) e dos orixás velhos. A Mesa de Ibeji é riquíssima de detalhes e constitui uma obrigação religiosa com muito axé e beleza.
Ao agradar e reverenciar aos orixás crianças, que simbolizam pureza, paz e prosperidade, procuramos alcançar a solução para algumas necessidades específicas que só podem ser atingidas através de suas ações.
Uma grande toalha branca é colocada ao chão e nela colocam-se frutas, Amalá, flores, uma quartinha, brinquedinhos, bolo, doces e refrigerantes. As crianças sentam-se ao redor da toalha, as menores acompanhadas por um adulto. Servem-se para as crianças: primeiramente canja de galinha, depois os doces e refrigerante. Depois são lavadas e enxugadas as mãos das crianças.
Terminadas estas etapas as crianças são levantadas da mesa por pessoas adultas ou por Orixás que tenham chegado e conduzidos a formarem uma roda ao som de orins de Xangô. Encerrada a Mesa, os Orixás que chegaram recolhem os itens que ainda restam na mesa e levam até o quarto de santo. Os brinquedos são distribuídos entre as crianças que participaram.

Encerramento
É o toque que encerra as atividades públicas daquela obrigação, tem uma proporção um pouco menor do que o primeiro toque, pois é antecedido pelos toques da confirmação e do peixe, quando são imoladas somente aves aos Orixás. A cor dos axós é preferencialmente o branco, pois esse toque pode acontecer depois da Mesa de Ibejis. É nesta noite que serão dados os axés para os filhos prontos caso necessário. Seguido do toque, no dia posterior há a levantação da obrigação.

Levantação
Terminada o período em que a obrigação deve ficar arriada, há a levantação, termo que se refere ao ato de levantar as vasilhas contendo as obrigações de corte que estavam arriadas, limpá-las e guardá-las nas prateleiras dentro do quarto de santo. Mantendo um costume desde o tempo início do batuque, as obrigações são guardadas e ocultas por cortinas que geralmente tem a sua frente velas, castiçais, comidas de santo, flores e outros objetos sagrados pertencentes aos Orixás.

Passeio
O término da obrigação para os filhos de santo que estão em reclusão é o passeio no dia posterior a Levantação. Pela manhã, o Babalorixá ou Yalorixá os leva até a porta da frente do Ilê e apresenta-os à rua (aos Orixás da Rua), liberando-os para saírem fora dos limites do Ilê. Vão até o centro visitar lugares de grande significado: o mercado público (onde compram velas, grãos, ervas, cereais etc.). Em seguida, vão visitar algum Ilê(casa), de um conhecido onde batem cabeça cumprimentando os Orixás do Ilê(casa), e lá depositam parte das compras feitas no mercado. De volta ao Ilê(casa), batem-se a cabeça no quarto de santo e arriam-se o restante das compras feitas. Cumprimentam o Babalorixá ou Yalorixá (Pai e Mãe de Santo), agora na nova condição de filho de santo.

Quinzenas
As obrigações das quinzenas, são obrigações que duram normalmente dois ou três dias em que é feito a matança e os toques. Geralmente, um número não muito grande de pessoas fazem parte desta, que estão associadas a alguma data especial ou a obrigação de bori de filhos de santo do Ilê(casa) quando não existe assentamento de divindades. Começa com os toques das orins, onde as comidas de santo são oferendadas aos Orixás, e as comidas servidas a todos, como: canjas, canjicas brancas e amarelas, os Amalá. Sendo uma obrigação menor, exige-se um mínimo de aves a serem sacrificadas. As carnes das aves são consumidas e ofertadas nos intervalos do toque e dos pontos dos atabaques, servindo enfaroados e as canjas, comidas que por tradição são ofertadas às pessoas que comparecem ao ebó.
Exitem ainda as “quinzenas secas”, quando não se sacrificam animais.

Orisun
Com passagem do religioso tudo que foi feito deve ser desfeito, os ritos fúnebres são praticados preparando a volta do mesmo para o orun, posteriormente a isso as obrigações que o mesmo possuir são desfeitas e os orixás devolvidos a natureza, se o mesmo tiver casa aberta, era costume antigamente jogar para ver se a rua iria ser devolvida a natureza ou não. Temos conto do Deodé que narra esse fato.
N.E. Conto com a colaboração de todos para aperfeiçoar e enriquecer essa postagem, e ainda apontar algo que tenha sido ignorado por mim. Todas as informações pertinentes serão acrescidas ao texto.

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