domingo, 26 de dezembro de 2021

HÓRUS NASCEU NO DIA 25 DE DEZEMBRO? SAIBA MAIS SOBRE ESTE VIRAL DA INTERNET

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram 

Postado em 24/12/2013 acessado em 26/12/2021 às 14:37



Todos os anos é compartilhada na internet uma imagem de deuses que supostamente nasceram no dia 25 de Dezembro e dentre eles está Hórus. Não sei em relação aos demais, mas acerca do Hórus isto é conversa, e das mais fiadas. Embora não seja incomum ler em alguns livros, inclusive de Egiptologia, que alguns símbolos cristãos foram adaptados da religião egípcia (a exemplo da Trindade, mas isto é assunto para outro post), particularmente nunca vi algo sobre o nascimento de Hórus ter ocorrido no dia 25 de Dezembro. Procurei nos manuais de Egiptologia e até fiz uma busca na internet e o que encontrei foram sites esotéricos ou amadores comentando sobre este assunto.


Outro fator que desmente esta teoria é que não é possível tentar criar um paralelo entre nosso calendário com o calendário egípcio que usualmente era dividido em:


(1) de acordo com as cheias e semeaduras;

(2) os anos individuais de reinado -ou seja, cada vez que um faraó assumia o trono ocorria uma recontagem-;

(3) o aparecimento da estrela Sirius, que bem sabemos que, embora anunciasse o início das inundações do Nilo, nem sempre ambos os eventos batiam.


Em resumo, por mais que exista uma insistência tanto entre alguns egiptólogos como entre entusiastas, não é possível apontar festividades e acontecimentos egípcios no nosso atual calendário, justamente pelo motivo que o calendário egípcio não tendia a ser linear e fixo como o nosso.


Por fim, nem mesmo as próprias sociedades egípcias costumavam dar uma data de nascimento oficial para as suas divindades, exceto Osíris, Ísis, Nefts e Seth, cuja uma das vertentes do mito apontam que nasceram em dias especiais. Porém, no geral, os documentos religiosos remanescentes tendem a dar interpretações diferentes acerca de alguns deuses e deusas, desta forma, seria pouco provável encontrarmos detalhes de uma divindade, especialmente tão antiga como Hórus, que seriam tomadas como unanime.

Fonte - http://arqueologiaegipcia.com.br/2013/12/24/horus-nasceu-no-dia-25-de-dezembro/





Márcia Jamille
Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo

sábado, 25 de dezembro de 2021

EXU NÃO É O DIABO, MAS ISSO SÓ NÃO BASTA.

Luiz L. Marins

http://luizlmarins.wordpress.com

25/12/2021



Crédito da imagem: Herick Lechinski


A intolerância religiosa contra os afro-brasileiros tem dois lados:
  • o fundamentalismo evangélico,
  • e a prática da feitiçaria praticado por uma minoria ligada aos cultos afro-brasileiros,
Mas ninguém quer admitir isso alegando liberdade de religião (?) e apelando para a Constituição Federal.

Toda religião tem sua "banda podre", e é sobre a banda podre afro-brasileira que pretendo discorrer neste ensaio.

Os estudiosos do assunto só falam de um lado, o fundamentalismo evangélico, varrendo a sujeira dos afro-brasileiros para debaixo do tapete.
 
Acham que estou exagerando? Vá ao youtube e digite duas palavras: Exu, inimigo. Para facilitar, colocarei o link aqui: https://www.youtube.com/results?search_query=exu+inimigo

E como queremos que a sociedade seja tolerante a este tipo de coisa? É claro reagirá em defesa.

Se clamamos por justiça devida à intolerância religiosa que sofremos, e ela existe, precisamos primeiro dar o exemplo limpando a nossa casa.

Aqueles que se entregam à prática da feitiçaria, que praticam o mal para ganhar dinheiro e se escondem debaixo do nome dos Orixás, não são dignos de bater a cabeça no quarto de santo.

Você é feiticeiro, não gostou do que escrevi, ok ... então, antes de me criticar, leia abaixo o que disse a Mãe Menininha, depois me atire pedras, mas tenha em mente que também atirará pedras em nossa querida Mãe que hoje está entre os ancestrais:

"Saiba o senhor que eu sou mãe de culto africano e, portanto, uma amiga dos outros, e não uma feiticeira perversa. Eu mantenho boas relações com os deuses e não com o diabo. Com certeza, o senhor compreende. Posso curar uma doença sua e tentar alcançar sua felicidade por todos os meios indicados pelos deuses, mas não posso trabalhar para o diabo."


NOBREGA & ECHEVERRIA. “Mãe Menininha do Gantois, uma biografia”, Ed. Corrupio/Ediouro, 2006, p. 182.


Àse à todos!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

O MUNDO SE MOVIMENTA PARA COMBATER O SINCRETISMO: ÈSÙ NÃO É O DIABO

Por Erick Wolff de Oxalá
Em 24/12/2021
Créditos da imagem ignorado: à saber



Corre pelas mídias sociais manifestações que estão ocorrendo em alguns lugares do mundo, para combater o sincretismo entre Èsù e o diabo Cristão.  




Para entendermos o que é sincretismo, precisaremos saber que em determinada época os afro religiosos tiveram que camuflar a sua fé, disfarçando a sua identidade para sobreviver e resistir, enquanto eram perseguidos e atacados pela sociedade, que talvez por medo, não entendia a fé e prática religiosa do negro.

Enquanto os afro religiosos praticavam seus rituais, eles se escondiam por trás de imagens dos ícones católicos, uma forma de disfarçar sua cultura e criar simpatia às suas práticas religiosa. Mesmo que estruturalmente continuassem a manter tambores, danças e rituais, que se formos analisar, as imagens católicas não interferiam nos fundamentos, por sua vez, não seriam indispensáveis, servindo apenas como apoio.

Já nos anos 80, propriamente em 1983, o Candomblé dava os primeiros passos para o banimento do sincretismo nas religiões afro brasileiras, tendo como porta-voz a influente sacerdotisa Mãe Stella do Opo Afonja. (Caio - Link )

Já a Monja Coen alerta para o racismo praticado através do sincretismo, veja:
[…] mais tarde quando veio a escravatura, que coisa medonha né, nós todos tivemos uma participação nisto, por que nossos ancestrais estavam fazendo isso, nós estávamos lá, como eles estão aqui agora em nós, mas a diferença é o que nós  fazemos com estas informações, nós não podemos repetir aquilo que nós achamos que não foi digno,  de um ser humano… não foi ético…  não foi coerente com princípios, de PAZ, DE NÃO VIOLÊNCIA… Não permitam que você manifeste a religião que você escolheu, por que eu acho que ela não presta…. Aí começaram a esconder a misturar, daí vem a Umbanda... VAMOS FAZER O SINCRETISMO, vamos esconder as nossas deidades, as nossas entidades, por trás dos santos que vocês reconhecem... será que nós ainda não fazemos um pouco disso... no nosso dia-a-dia com filhos maridos, com irmãos parentes, pessoas com quem trabalhamos... tente fazer-me reconhecer o que você esta escolhendo para a sua vida... procure transforma para a minha linguagem [...] (o grifo é nosso)  

Link - https://iledeobokum.blogspot.com/2013/06/a-violencia-invisivel-com-monja-coen.html 

Mas... seria por acaso esta perseguição nociva e perversa?


IMAGENS 

De certa forma, a sociedade está praticando a sua fé e religião, pois o sincretismo e mensagem visual que traduz esta divindade é vinculada aos demônios, comum em suas literaturas, e, temidos pelos cristãos, veja alguns exemplos:







Observemos os detalhes que traduzem a imagens destas entidades, ou divindades, para entendermos o por que vinculam o nome Èsù ao diabo, principalmente no Brasil.

E hoje, diante tanta perseguição, que os adeptos das religiões de matriz ou influencia africana, estão lutando para desvincular o nome de Exu ao Diabo. 


FEITIÇARIA

Uma parte da sociedade afro-brasileira (?) publica nas mídias sociais ensinando como matar inimigos através de Exu (ainda que não seja o Èsù ioruba).
 
Diz Luiz L. Marins, escritor afro-brasileiro.



"Ora, deixemos de ser hipócritas! Como podemos reclamar de intolerância religiosa publicando vídeos como esse aqui. A prática da feitiçaria é o outro lado da moeda da intolerância religiosa. Então, se queremos dessincretizar Exu do Diabo, começamos por rever estas práticas. Não adianta continuar a prática da feitiçaria, e depois se esconder debaixo da bandeira da intolerância religiosa" (comunicação pessoal)

TIKTOK ERICK WOLFF