sexta-feira, 18 de agosto de 2023

BRUNO DO ODE, TAMBOREIRO (KANBINA/JEJE)

Este artigo é para registros das memorias do Batuque do RS, para que gerações futuras possam pesquisar e estudar a historia Batuqueira. 

Este trabalho relata a trajetória do tamboreiro Bruno Silva, conhecido religiosamente como Bruno de Odé.


Bruno de Odé.
Reside em Porto Alegre, iniciado em 16/05/2003.

Bruno é filho de Chico de Ogum que foi filho de Mãe Eulália de Oxum, filha do pai Enio de Oxum, neta do Pai Romário do Oxalá. Saiu da mão do pai Enio da oxum, mãe Eulália foi para a mão do pai Luiz Antonio do Xangô (Jeje), após foi para a mão do pai Romário do Oxalá.

 



Imagens e informação pessoal, fornecidas através do WhatsApp.

sábado, 12 de agosto de 2023

O ESPAÇO DOS ORIXÁS

No modelo das construções de Batuque, na quase totalidade das casas, geralmente, o "Bará de dentro de casa" é assim chamado por ficar dentro do quarto de santo.

Apenas por hipótese, sem o proposito de nenhuma mudança, elaboramos uma enquete perguntando: - Onde ficaria o "Bará de dentro de casa" se cada orixá tivesse sua própria casa separada?

Cada participante respondeu livremente conforme o seu entendimento, conceitos e fundamentos, e as respostas foram muito interessantes:


Nesta enquete/postagem observamos que:

Há famílias que não possuem nenhum Orixá dentro de casa.
famílias que possuem um Bara dentro de uma casinha no salão.

famílias que possuem um Bara no quarto de orixá.

Houve pessoas que sugeriram que o Bará deveria ficar no salão central ou no pátio.
Houve pessoas que sugeriram que o Bará deveria ficar no pátio seguindo a ordem do sire.

Há famílias possuem os orixás já separados.
Houve pessoas que informaram que o Bará deveria ficar numa casinha na frente do templo após a casinha do Lode.
Houve pessoas que disseram que separariam por qualidades de orixá e por afinidades.
Houve pessoas que informaram que o Bará ficaria com o orixá regente do templo. Há famílias possuem um Bara na porta do templo.
Houve pessoas que informaram que não desejam mudar, por isso, não quiseram nem levantar uma hipótese.
Houve pessoas que informara que o Bará deveria ficar ao lado direito do portão.

Houve pessoas que informaram que não existe no Batuque uma casa para cada orixá, porque todos os Orixás ficam na prateleira dentro do quarto de orixá.
Houve pessoas que informaram que separar os Orixás em casinhas é um costume do Candomblé.

Vejamos a seguir os comentários dos participantes:


Antonio Carlos Pereira

Agora você me fez refletir: não tenho nenhum Bara dentro de casa, pensando bem todos meus santos estão sentos na rua, e fisicamente bem distantes. 

 

Erick Wolff

Boa tarde querido amigo Antônio, qual seria a sua nação e quando se refere a ficarem na rua, eles ficariam onde? E qual local?


Antonio Carlos Pereira

Erick Wolff literalmente ns rua mesmo. Em pé de figueiras, em caminhos pelo interior, em rios, pedreiras, praias....


Erick Wolff

Antonio Carlos Pereira por gentileza poderia informar a sua nação.

 

Andrew Monteiro

Aqui em Pelotas há um terreiro onde o Bará de dentro de casa fica em uma casinha separada dentro do salão de ritualísticas.


Andrew Monteiro

Visto que mesmo no quarto de santo ele já fica separado dos outros Orixás, faria uma casa só para ele, seguido da casa de Lodê e Avagã.

 

Erick Wolff

Por gentileza Andrew Monteiro, qual seria a nação desta casa?

E está casinha é igual aquela tradicional que fica no quarto de orixá?


Erick Wolff

Andrew Monteiro grato pela gentileza


Jessica Liares

Eu não entendo muito, mas eu construiria uma casa para ele, e as casa fossem construída em círculo eu colocaria ele dentro do círculo.


Celso Xapanã

No salão festas orixás, até porque teria ter salão festas 🎉


Lya Tarosh

Poderia ser dentro do salão central , ou no pátio na casa dele separada dos demais.

Acho que no jogo poderia se decidir ou dentro de casa , ou em sua casa na rua separado dos outros.


Leandro Dos Santos

Lálùpò me corrija a vontade pai Erick Wolff a escrita mas aquele que abre vem no início após o portão e os Odès (e digo os Odè os guardiões de fora do templo/pátio mesmo não Odé) casa


Carla Rodalles

Casa de Lode e avagã ja é separado !


Nascimento Adriana

Junto ao Exú Lodê!

Exú é Exú tds podem ficar juntos e inclusive c/tds Oguns da casa!


Babalorixá Emanuel d'Oxalá

Bom dia babá, na minha visão, ficaria logo primeiro após as casas dos orixás que são guardiões (Olodê, Avagã, Timboá e Dirã)


Carlos Santos

Como assim? Eu já colocaria todos os Baras na mesma casa na entrada do portão,no astral tds são ofertados nos cruzeiros e encruzilhadas e respondem perfeitamente bem, assim como todos os outros independente de que caminho ou título a essência é a mesma tds os Baras são Baras,tds os Oguns são Oguns e assim por diante 🙏🏼 , quando canta para o Bara Olode a gente cita os outros Baras , não vejo problema dividir espaço, coloca o Olode a frente dos outros e o Bara Agelu mais para os fundos e entre eles Adague e o Lanã


Rudinei Oliveira Borba

a Faria uma casa para por ogun e bara juntos, uma casa para yemoja, ode e ótin juntos, sango, oya, osun e oba juntos, obatala sozinho, sapana e osanha juntos. Eu faria isto...


Léo Agandjú Ïomí

Haja visto que: Lanã é o Bará que responde na porta de entrada do terreiro, Adague meio do terreiro e Ajelú dentro do Peji.

Casa de Lanã na porta da entrada, na metade do salão casa de Adague e no Peji Ajelú.

A pergunta é com os Barás né ?! Assim eu faria se fosse individualizar.


Rodrigo T Shango Ibedje

Oi mano bom dia colocaria lode timboa e avaga na entrada e se fosse em círculo ou roda bara Ogum Iansã sango ode otim ossain oba saponna sango Ibedje osun Ibedje osun iemonja osala ase pupo forte abraço


Alexandre Custodio

O interessante, como já dito pelo Rudinei Oliveira Borba, como ficaria o caso dos orixás que tem assentamento na rua, teriam duas casas!? Haja visto que hoje já possuem uma!!


Alexandre Custodio

O Bara de dentro de casa ficaria com o Orixá regente do templo.


Alexandre Custodio

Andrew Monteiro Na minha casa também usamos assim.


Rodrigo Alagbede

Alexandre Custodio Eu também cultuo assim.


Léo Agandjú Ïomí

Andrew Monteiro É o correto. Pelo menos seria o correto que todos fossem, mas com poucos espaços, etc... Acaba não sendo.


Gabriel Orquera

Andrew Monteiro aqui na Argentina no seu tempo ficava igual... Chamava-se "Bará de serviço"; na raiz de Oyó que chegou aqui... Mais já não olhei...


Rudinei Oliveira Borba

Se for analisar a expressão casa, independente do tamanho, o lode fica numa casa também, mesmo que pequena


Erick Wolff

Iya Peggie Abike respeitosamente, como dissemos, trata-se de uma hipótese, não há intenção de reforma religiosa ou cultural, mas champs a uma reflexão.


Iya Peggie Abike

Erick Wolff ¡Gracias x Responder! Entiendo la Reflexion! Es para los que Recien Comienzan. Omio Babá Ya No Puede Ni Quiere Cambiar Nada. ¡¡¡Solo Mantener lo Existente en estos Tiempos de Crisis Económica y Caos Social! Los Mayores, Vivimos en el Mismo Edificio Que Lo Sagrado...¡Actualmente Nos Cuesta Sostener lo existente! Nunca pensamos que a nuestras Edades Avanzadas Tuviéramos Tanta Pobreza y Miserias Politicas. Creo que en Brasil; Uruguay y Otros Paises Latinoamericanos Estan Igual o Peor. Siempre Es Grato Intercambiar Opiniones.¡¡¡ Lluvia de Bendiciones Los y Nos Acompañen🙏😇🙏


Erick Wolff

Grato Carlos Santos, mais alguém pensa como irmão e Bàbá Carlos e queira contribuir ?


Erick Wolff

Fiquem a vontade dos que forem a favor ou contra de comentarem, queremos ouvir a todos.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

A SERPENTE COMO SÍMBOLO DE ÒGÚN

Peter McKenzie

In: Hail Orisha! A Phenomenology of a West African Religion in the Mid-Nineteenth Century, cap, 1, pg. 46. Brill Leinden, New York, Koln, 1997.

 

Imagem ilustrativa

Tradução e adaptação:
Luiz L. Marins
https://luizlmarins.wordpress.com

 

Vários dos maiores Òrìsà nacionais também foram associados ao símbolo da cobra, nomeadamente Ògún, Ifá e Èsù. Em Ijaye, em 1855, Charles Phillips, o catequista Egba, conta sobre uma grande reunião no palácio de Àrè Ònà Kakànfò em homenagem a Òrìsà Ògún, o deus da guerra com associações simbolizadas pela cobra:


“Cobras foram trazidas ao palácio por ocasião do festival Ifá e em homenagem à falecida mãe do governante, ela mesma uma ‘adoradora de cobras’. As cobras foram colocadas nos braços e pernas dos dançarinos.

 

De um metro a um metro e oitenta de comprimento e até a espessura da coxa, elas eram, no entanto, ‘suaves’ e não atacavam a menos que estivessem irritados.

 

Eram agarrados pelo pescoço, guardados em cabaças ou deixado para rastejar no espaço aberto deixado pelos espectadores. ”

Ao relatar o festival de Ifá de Àrè Ònà Kakànfò no ano seguinte, o mesmo catequista confirma esta ligação talvez incomum entre Ògún e o símbolo da cobra.

Phillips fala em conexão com os ritos de sacrifício, do Ògún de Àrè Ònà Kakànfò como "o deus da pedra e do ferro adorado em conjunto com as cobras".

Pensando bem, a associação talvez deva lembrar como, no mito, Ògún finalmente desaparece no solo. A pedra e o ferro, derivados da terra, reforça ainda mais as associações ctônicas de Orisa.'

A ligação com a cobra surge mais de vinte anos depois em Ondo, num incidente descrito pelo filho do catequista, ele próprio pároco e depois bispo.

 

“Um homem e uma mulher, escreveu ele, trouxeram várias cobras de Ilé-Ifé que estão ‘exibindo pela cidade como o deus Ogun; abençoando o povo em seu nome’. Eles parecem ter despertado alguma oposição e foram aconselhados por um chefe, o Lìsá, a deixar a cidade."

Por fim, embora fora do nosso período, cabe mencionar a aparição de Ògún como um deus cobra em Ogbomoso em 1891. Iliffe chamou a atenção para um incidente em que o catequista de lá: F.L. Akiele se depara com uma mulher sentada à beira do caminho com seu deus cobra, Òrìsà Ògún (Iliffe, 1984, 53).


TIKTOK ERICK WOLFF