sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Os Nàgó e a Morte

um estudo das fontes

Luiz L. Marins
03/09/2012

INTRODUÇÃO


O objetivo deste texto é fazer um demonstrativo das fontes que foram utilizadas no livro Os Nàgó e a Morte. Mostraremos ao final, a quantidade e o percentual destas destas contribuições no computo geral de todo o corpo de texto.

A etnografia religiosa afro-brasileira, sem dúvida, pode ser classificada como “antes e depois” do livro Os Nàgó e a Morte, de Juana Elbein dos Santos, publicado em 1976 pela editora Vozes, RJ. O livro é um resumo de sua tese para obtenção do doutorado em etnologia apresentada na Universidade de Sorbonne, em 1972, traduzido pelo CEAO/UFBA, como consta em sua ficha catalográfica.

Claro que houveram bons trabalhos antes e depois dele, não só em língua portuguesa, como em outras línguas, mas este tornou-se um marco, evidenciando a diferença entre o pesquisador “desde fora”, que não interpreta, pois não tem o conhecimento iniciático, portanto não faz teologia, e o pesquisador “desde dentro”, que busca interpretar os símbolos religiosos. Enquanto o primeiro apenas registra o que vê, o segundo interpreta, e na maioria das vezes, reinterpreta, terminando por fazer (e refazer) a teologia, influenciando a diáspora, como ocorreu com o conceito de “Bara do Corpo”, que embora entre os iorubá não exista como conceito de Noção de Pessoa[1], tornou-se fundamento nos candomblés do Brasil. A condição “desde dentro” da autora, é fruto de sua iniciação no candomblé, nos anos 60, no Ilê Axé Opô Afonjá, Salvador.

Na introdução do livro, a autora deixa claro e transparente o objetivo do seu trabalho, do qual faremos um resumo. (A fala da autora está em fonte diferenciada):



[...] Propomo-nos, no presente trabalho, examinar e desenvolver algumas interpretações sobre a concepção da morte […] É nos difícil deixar de assinalar as dificuldades inerentes ao estudo, à localização e à seleção do material africano [pois] são fundamentalmente os textos oraculares de Ifá que esclarecem a maior parte da tradição e da liturgia Nàgô no Brasil […] o presente ensaio tem por centro a descrição e a interpretação dos elementos e dos ritos associados à morte [e] o fato de nos estendermos mais sobre a significação de Èsú, não deve ser interpretado como uma supervalorização deste último em detrimento dos Òrìsá [e foi] concebido em três fases: a) uma série de capítulos preliminares sobre a origem dos Nàgô brasileiros […] b) uma série de capítulos sobre as entidades sobrenaturais e os ritos diretamente associados à morte […] c) dois capítulos, enfim, sobre os ritos precedentes e a concepção da morte nas comunidades Nàgô.”

[...] A convivência, passiva como observadora no começo, e ativa à medida que se foi desenvolvendo progressivamente a rede de relações interpessoais e minha consequente localização no grupo, foi-me iniciando no conhecimento “desde dentro”, obrigando-me a agilizar, revisar, modificar , às vezes, rejeitar, mesmo inteiramente, teorias e métodos inaplicáveis ou desprovidos de eficácia, para a compreensão consciente e objetiva dos fatos. Isto nos leva a defrontar-nos com dois problemas: 1) como ver, e 2) como interpretar [...]”.

[...] Em todo caso, o presente estudo pretende ver e elaborar - desde dentro para fora - . Nossa pesquisa está orientada de maneira a focalizar três níveis:

a) o nível fatual
b) o da revisão crítica
c) o da interpretação

A) O nível fatual inclui os componentes da realidade empírica [pois] ignorar aquilo que é pronunciado no decorrer de um rito é o mesmo que amputar um de seus elementos constitutivos mais importantes, [por isso] vemos na coletânea e na transcrição dos textos orais uma tarefa das mais urgentes e apaixonantes […].

B) A revisão crítica foi uma das imposições prementes que se me apresentaram no decorrer da pesquisa. Ela conduz à revisão de alguns conceitos e descrições que uma pesquisa mais apurada permite hoje contestar […]. No nível da revisão, impõe-se a necessidade urgente de rever a tradução que eu qualificaria de criminosa, de certas palavras. Criminosa porque ela atenta contra a própria estrutura e compreensão do sistema [e] torna-se desnecessário precisar à vasta bibliografia existente [porém] com poucas exceções, sinto-me inclinada a qualificar a bibliografia afro-brasileira como ultrapassada […].

C) É neste nível que se elabora a perspectiva - desde dentro para fora - , isto é, a análise da natureza e do significado do material fatual, recolocando os elementos num contexto dinâmico, descobrindo a simbologia subjacente, reconstituindo a trama dos signos em função de suas inter-relações internas e de suas relações com o mundo exterior. Além desta distinção, parece-me importante introduzir uma outra como instrumento de trabalho: a equação simbólica e a representação simbólica […]. Enquanto a representação simbólica é uma substituição primária, a representação simbólica constitui o criptosimbolo, isto é, uma elaboração complexa, madura, cuja natureza e função são essenciais para a compreensão do sistema [...].



Como vimos, a autora esclarece com muita propriedade, que o trabalho de sua tese visa, nos três níveis de estudo a que se refere, reinterpretar os elementos simbólicos da religião Nàgó, que sobreviveram, deram forma e conteúdo às religiões afro-brasileiras, partindo do “desde dentro para fora” sob uma nova visão conceitual, a partir da interação dos três níveis de trabalho.

Não obstante, este trabalho de reinterpretação dos símbolos e rituais, pode ser visto como uma construção (ou reconstrução) teológica, que termina por inserir ou retirar conceitos na diáspora ritual religiosa. O caminhar da antropologia e da teologia são muito próximos, para não dizer que se cruzam. Sobre isso, Silva (2010, pg. 281) escreve:


A atribuição da sacralidade dos textos religiosos é comum em quase todas as religiões que tem história e doutrinas escritas. No caso das religiões afro-brasileiras, a ausência de textos doutrinários sobre o culto faz com que as etnografias acabem desempenhando um papel teológico ao construir narrativas que se tornam referências para uma tradição conservada geralmente por transmissão oral […]. Nas avaliações que nós, antropólogos fazemos de nossos textos etnográficos, o tráfego entre as fronteiras da teologia e da antropologia é visto como decorrente dos objetivos que cada pesquisador atribui ao seu trabalho […].


Dos textos transcritos acima, duas frases da autora chamaram-nos particularmente a atenção. A primeira, “são fundamentalmente os textos oraculares de Ifá que esclarecem a maior parte da tradição e da liturgia Nàgô no Brasil”, e a segunda, “sinto-me inclinada a qualificar a bibliografia afro-brasileira como ultrapassada”.

Estas frases, curtas no tamanho, mas enormes no significado, aguçaram-nos a curiosidade de procurar no corpo da tese as fontes utilizadas para a mitologia, pois segundo a autora, são os textos mitológicos que esclarecem a tradição, e informa que a sua busca na África foi difícil. É um estudo sobre estas fontes que nos interessa, e que gerou este artigo, e são estas fontes que vamos ver agora.

AS FONTES

Interessou-nos apenas as fontes que contribuíram para embasar os conceitos da tese, na esfera da mitologia. Outros autores citados mas que não forneceram nenhum material nesse sentido, foram excluídos da nossa pesquisa. A partir deste critério, identificamos 24 mitos que julgamos mais importantes, e que serviram de base.
De fato, como anunciou a autora em sua introdução, nenhuma fonte afro-brasileira foi utilizada, exceto a tradição oral da própria casa de nàgó que foi iniciada nos anos 60, o Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, o que confirma a qualificação dada pela autora à bibliografia afro-brasileira como ultrapassada. Vale lembrar que nesta época Verger ainda não havia sido editado em português.
A tabela abaixo apresenta a página do livro em que o mito aparece, o nome do mito, e a fonte ou o informante de onde foi colhido.[2]




TABELA 1
PÁGINA MITO FONTE
55 Separação do òrun-ayé Não informada
59 Nascimento de Òrìsànlá
David Agboola Adeniji, Iwo.
59 Nascimento de Èsù Yangi David Agboola Adeniji, Iwo.
61 Criação do ayé Não informada
64 Acordo entre Obàtálá e Odùduwà Não informada
85 História de Òsun Não informada
87 História do ekodide Tradição oral do Ilé Àse Òpó Afònjá
107 Ikú e a criação do ser humano Elbein & Santos, pg. 87, 1971
108 A criação da roupa de Eégún Verger, pg. 200, 1965
112 Como Òrúnmìlà apazígua Ìyàmi Verger, pg. 178, 1965
113 As 7 árvores de Ìyàmi Verger, pg. 196, 1965
121 História dos 9 filhos de Oya Não informada
123 História de Oya e a sociedade Egúngún Tradição oral do Ilé Àse Òpó Afònjá
131 Conceitos do Èsù “bara do corpo” Elbein & Santos, pg. 7, 1971 A
132 Conceitos do Èsù como Òdàrà Elbein & Santos, pg. 91, 1971 A [3]
135 Conceitos de nascimento de Èsù Yangí Elbein & Santos, pg. 31, 1971 A
149 História de Òsé'túrá, a 17ª pessoa de Ifá Não informada
176 História de como Èsù se tornou Asiwájú Não informada
185 Oríkì de Èsù Iná Babalaô Serifá de Kétu
198 Extrato de um lésé-lésé[4] sobre ÈsùÒjíse'bo Babalaô Serifá de Kétu
205 Ìtàn Ìpònrí Elbein & Santos, pg. 51, 1971 B [5]
214 História de Elégbaa Maupoil, pg. 75, 1943
216 Oríkì de Orí Abimbola, 81, 1971
217 História de Orí Apéré Não informada

um estudo das fontes




Tabela 2
FONTE INFORMADA
QUANTIDADE UTILIZADA IMPORTANTE PARA A TESE?
Babalaô Serifá de Ketu
Bernard Maupoil
David Agboola Adeniji
Elbein & Santos
Não informada
Pierre Verger
Tradição Ilé Àse Òpó AfònjáWande Abimbola
2
1
2
5
8
3
2
1
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não




Tabela 3
AUTOR %
Abimbola 4,1
David Adeniji 8,2
Elbein & Santos 20,8
Maupoil 4,1
Não informada 33,3

Babalaô Serifá 8,2
Pierre Verger 12,5
Tradição Oral Afonjá 8,2




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dos 24 textos selecionados, chegamos ao entendimento que aproximadamente 50% do embasamento da tese, parte das reinterpretações da própria autora, conforme mostram as tabelas.
Vimos que a tabela 2 mostra a quantidade de dados informados por cada fonte, e sua importância, e a tabela 3 mostra o percentual relativo aos autores.
Quase como uma conclusão, fechamos este trabalho com um extrato da fala do professor Reginaldo Prandi, Titular da Cadeira de Sociologia da U.S.P. :


“[...] Juana dos Santos, em Os nagô e a morte (1976), parte de uma base empírica oferecida por suas pesquisas no Brasil e na África, e com uma reinterpretação apoiada na etnografia, cria, no papel, uma religião que não se pode encontrar nem no Brasil nem na África, propondo para cada dimensão ritual da religião que ela reconstitui significados que procuram dar às partes o sentido de um todo, dando-se à religião uma forma acabada que ela não tem.”  (Prandi, 1997, p. 30-31) [o negrito é nosso].






 
BIBLIOGRAFIA

ABIMBOLA, Wande. “The Yoruba Concept of Human Personality”. In: La Notion de Personne em Afrique Noire, Paris, Centre National de La Recherche Scientifique, 1971.
ELBEIN, Juana & SANTOS, Deoscoredes. Èsù Bara Láróyè, a comparative study, Ibadan, Institute of African Studies, University of Ibadan, Nigeria, 1971 A.
…...................................................................... “Èsù Bara, principle of individual life in the nàgó system”. In: La Notion de Personne em Afrique Noire, Paris, Centre National de La Recherche Scientifique, 1971 B.
MAUPOIL, Bernard. La Géomancie à l'ancienne Côte des Esclaves, Paris, Institut D'Ethnologie Musée de L'Homme, 1943.
SILVA, Vagner G. “Segredos do Escrever e o Escrever dos Segrêdos”. In: Barretti Filho, Aulo (org.). Dos Yoruba ao Candomblé Kétu, São Paulo, Edusp, 2010.
VERGER, Pierre. “Grandeur et Décadence du Culte de Ìyámi Òsòròngà”. In: Journal de la Societe des Africanistes, 35 (1), 141-243, Paris, Centre National de La Recherche Scientifique, 1965.




CULTURA IORUBÁ
http://culturayoruba.wordpress.com


[1]   Sobre Noção de Pessoa Iorubá, visite: http://culturayoruba.wordpress.com
[2]   Quando o mito não trazia um título próprio, inserimos um nome, para fins de catálogo.
[3] Informante: Babalaô Ifatoogun de Ilobu.
[4] Um poema; literalmente, uma relação de ese (verso).
[5] Informante: Babalaô Ifatoogun de Ilobu

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Respeito aos nossos mortos

Não importa qual família espiritual pertença o Ẹlẹ́gùn [aquele que passou por rituais], os sacerdotes e iniciados da nossa religião, todos merecem respeito.

Ao falecer a família do iniciado, logo se revela contra a religião afro-brasileira, e preconceituosamente veta a passagem dos rituais e a permanência dos membros da comunidade espiritual.  Quais diretos reservam ao falecido, preservando a sua vontade e a necessidade dos rituais que antecedem o Aṣeṣe ou Arissum [ritual fúnebre segundo a cultura afro-brasileira]?

Nesta quarta feira, dia 03 de novembro de 2010 foi enterrado o sacerdote "Silvio de Xapanã", um Babalòrìṣà [sacerdote] com mais de 30 anos de obrigação, conhecido em toda São Paulo e no Rio Grande do Sul pela comunidade Afrosul.

A família carnal simplesmente proibiu os rituais que proporcionam o start para o Arissum, aquele ritual que começa com o corpo presente depositando oferendas, Ẹ̀kọmi [preparados de água e elementos diversos, para compor a segurança e movimentar o ritual de fúnebre]  e pós aos pés do caixão, para poder formar a primeira roda para Egun [dos mortos da cultura afro-brasileira, diferente de um Oku, entidades da Umbanda], entoar os Orins antes do sétimo dia, nem mesmo embalaram o caixão, ao acompanhamento dos  feitos no santo mais antigos que levam o Ara-aiye [corpo terreno] até a cova.

Tristeza ver que ainda existe a castração dos rituais que antecedem um dos mais importantes cerimoniais de desligamento, qualquer iniciado tem o direito de recebê-lo, desde haja um sacerdote para ministrar e pessoas capacitadas para acompanhar, dependendo do grau do iniciado, haverá uma mudança na forma e conteúdo deste rito.

E por fim, o pior destino que um sacerdote poderia ter que é ser velado por rituais cristãs e receber uma ultima visita de um padre. Como uma praga, esta seria o pior destino de um Babalòrìṣà, a pior maldição de  um iniciado, sendo ridicularizado perante o Ọ̀run [mundo espiritual], ancestrais, divindades e a egrégora dos Egun.

Pensem nas palavras finais, proclamadas por um padre qualquer, como sendo o seu ato final de misericórdia, onde o “Jesus” dos Cristãos o receberá após uma vida de pecado e renegação de um deus que nós desconhecemos, dizendo que o arrependimento da última hora para  a redenção final. Sem preconceito algum, mas não faz parte da cultura Afro-brasileira, não tem por que esperar qualquer benção ou celebração de um padre.

Eu acredito que por medo ou ignorância total, os iniciados da religião Afro-brasileira, não preparam seu testamento, ordenando que os membros da sua família os enterrem conforme seus rituais e preceitos. Acreditando assim, que finalize as suas iniciações e os prepare para a nova vida, quem sabe até sejam cultuados com honras e respeito entre os antepassados dignos e respeitosos.

Por Erick Wolff8

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Desabafo de um umbandista

*Por  Betotam

Minha indignação, sempre existiu, e acho que se fosse de outra religião, seria considerado  ortodoxo confesso que até um pouco xiita na maioria das vezes, mas me controlo, ou melhor, meu pai e irmão de santo me controlam.

Mas tem horas que as coisas fogem do controle, enquanto somos humilhados e marginalizados pela maioria dos evangélicos e católicos, sempre achei que éramos mais próximos dos “kardecistas, mesa branca”, mero engano.


Destarte, que sempre gostei dos livros  ditados à escritora Zibia Gaspareto, inclusive os ditados pelo o espírito Lucios, mas ao ler o livro Ninguém é de ninguém, fiquei perplexo, e confesso que extremamente revoltado, me questionei, o meu gosto por este tipo de leitura, bem como rapidamente digitei um texto extremante arrogante diria ofensivo.


Por isso pedi ajuda ao meu Irunmolè para que assim não o fosse, e com calma pensei melhor para reescrevê-lo, claro que não foi ditado por nenhuma entidade este texto, até por que quando falamos em entidades na umbanda não estamos falando em seres que tenham estudados e saibam escrever, nem usam tecnologia que ainda não temos na terra, para se comunicar, nem mesmo pedi para que me ditassem um texto, até por que esta é uma opinião pessoal,  estou fazendo apenas o papel de defensor da minha crença, do meu amor as minhas entidades e aos meu orixás.


Voltando ao livro em questão,  afinal de contas este foi o start para começar a escrever. A historia é bonita e como sempre em forma de romance, até que em um determinado ponto da historia, um dos personagens necessitando de um “favor” para conseguir algo, que na nossa cultura vulgarmente chamam-se de “amarração”.

“Favor” este, que é solicitado em um sonho, como um pacto com o diabo
.

Se fosse só isso, tudo bem! Não teria me chocado tanto assim, porém é firmado que esta entidade é um Exu. (Para quem não sabe Exu é uma entidade na umbanda e um orixá para algumas nações do candomblé, sendo apenas o nome em comum, pois são coisas distintas.)


Como se não bastasse tamanha atrocidade, cometida por este espírito Lucios, ainda há referências depreciadoras dos terreiros de umbanda, como se fosse coisas do mal, que só servissem para fazer trabalhos como os citados no livro.

Desta forma, nota-se que o  Exu da umbanda,  está sendo caracterizado neste livro como sendo uma entidade ignorante, que domina as pessoas e que nada mais faz do que vampirizar a energia delas, mentira Exu não é e nunca será assim.


Está ai um preconceito que os espíritas “Kardec” demonstram para com a umbanda desde dos primórdios existe, e me enoja.


A umbanda só existe por causa deste preconceito, fato este notório, pois ao que não sabem o Caboclo 7 Encruzilhada e demais entidades do fundador da umbanda eram proibidas de se manifestarem no médium Zélio, sendo então que o referido caboclo resolveu fundar uma religião onde poderiam ser manifestar nos médium, sem a interferência do espíritos que se dizem evoluídos e claram acreditam em Jesus e Deus


Mas vir a chamar espírito obsessor  de Exu é demais. Concordo que Exu seja o primeiro patamar para a evolução espiritual de espírito, mas convenhamos que nem todos os Exus são como os descritos no livro acima mencionado, não pode haver esta medíocre comparação.


Eu mesmo por ser umbandista tenho meus Elegbaras e sei que de forma alguma eles trabalham desta forma, como as descritas no livro, muito menos se prestariam a serviços como o que relatados.


A meu ver isso não passa de preconceito do espírito que ditou o livro, pois está generalizado entidades que ele desconhece, ele não faz parte desta religião.


Quer ditar romance água com açúcar para a médium ganhar $$$, por que se fosse um trabalho que tivesse a caridade prestada, os mesmo seriam de graça e não se cobraria para obter a informação.


Claro, pois na umbanda não se cobra pelo atendimento, não se cobra pelo material utilizado, é gratuito o tratamento, e também não há tempo contado para receber um “passe” como acontece na Federação Espírita.

Mas ao contrario deste espírito, que a meu ver é pouco evoluído, nos umbandistas não ficamos a criticar o espiritismo, não ficamos deteriorando a fé deles, ao contrário os deixamos quietos no lugar deles, mas claro, sempre consertando os erros que ele fazem ao tentar ajudar as pessoas.

Penso que se com oração e bom entendimento tudo se resolvesse não teríamos prisões e sim conventos e monastérios, onde a palavra do Deus deles resolveria e com amor oração ele os infratores não matariam mais.


Assim, segue o desabafo de um Umbandista,  que está cansado de  ver sua religião sendo discriminada por todas.


Agora penso que será que não estamos a ponto de viver uma Gihad dos quem acreditam em Cristo contra as demais religiões, será que voltamos à era das caças as bruxas? A idade média esta voltando????

Pois se for assim, quero ser uma  Joanna D’arc  e morrer queimado na fogueira por amor aos meus orixás e ao meu Irunmolè.

*Betotam – Umbandista há 10 anos, idade 28 anos, formado e pós graduado.

domingo, 19 de setembro de 2010

O FILME "NOSSO LAR"

Segundo o filme “Nosso Lar”, o livro ao qual se baseia é uma sequencia de erros.

O filme começa com o espírito “André” passando pelos portais, tais que habitam seres perturbados, espíritos que não se conformam com seu estado atormentando causando sofrimentos às demais almas que ali se encontram. Tal dimensão esquecida por “Deus” e habitada por energias negativas que negam a existência de Deus, impossível de serem emanadas pelo criador benevolente tais vibrações. Ao mesmo tempo em que ínsita a pensar que “Deus” abandonaria as almas que sofrem e cometeram erros, com a desculpa do livre arbítrio.

Cenas do purgatório muito semelhante à visão deformada do inferno segundo Dante, o que faz mais uma vez repensar sobre a originalidade das produções nacionais, que a cada vez mais considero necessário redescobrir sua personalidade e conceitos.

Outro ponto a discutir é sobre o envelhecimento dos espíritos, considerando que ao morrer aquele espírito deixa para trás a sua energia terrena e tanto o envelhecimento quanto barba, pelos e unhas deixam de crescer. Afinal é transformação que o corpo terreno passa e que não faz mais parte do espírito desencarnado. E este estado de realocação entre os planos espirituais não seriam como os terrenos, difícil imaginar que seja real esta situação exposta pelo filme.

Claro que o tempo cronológico do espírito e da matéria é diferente, seria impossível calcular um tempo de uma entidade com o tempo material a qual vivemos, mas o que é certo e podemos observar é que entre as religiões Afro-brasileiras e até mesmo Espíritas, as entidades ou mentores não fazem aniversario e não mudam de idade. Desta forma o crescimento da barba, unhas e qualquer transformação do espírito seriam muito falsas e equivocadas (o personagem André aparece varias vezes com a barba crescendo).

Assim sendo que o espírito ao morrer irá manter a sua imagem, afinal ali finaliza a materialização e o corpo cessa a constante transformação que ocorre no organismo, eternizando o momento da sua morte. Mas aí tropeçamos com um problema maior que o filme trás à torna o descrédito e demérito para a fé religiosa. Se o espírito é eterno então ao reencarnar o espírito deve manter a mesma fisionomia e características que o seu espírito tinha?

Algo que o filme aborda e acho muito bom comentar é que os espíritos fêmeos estão encarnando em corpos femininos, sem mudança dos corpos, assim existindo até mesmo na ideologia do filme uma distinção entre espíritos das mulheres e dos homens. Abrindo precedentes para um estudo da ciência que observa crianças que não se encaixam nos corpos aos quais habitam, considerando a existência do terceiro sexo e da possibilidade dos espíritos estarem em corpos errados. Considerando que o espírito não muda o sexo, então aqueles indivíduos que sofrem com o corpo atual e lutam para a mudança do sexo, deve ser considerada como um erro divino ao quais os sacerdotes se recusam a aceitar.

Mas se aquele indivíduo que irá reencarnar, poderá ou deverá manter a sua imagem, como afirma a novela das 18hs exibida na TV Globo, que mostra a personagem da “Nathalia Dill” (Viviane), em uma das suas vidas com características idênticas a atual. Será possível isso, sendo que o filme aborda o cruzamento de famílias e a permanência do mesmo espírito nas mesmas famílias, mas então, porque não vemos aquele ente falecido ressurgindo novamente com a mesma aparência?

Deve ser por isso que as filosofias espiritualistas são tão massacradas, erros como estes distorcem a realidade e a credibilidade da fé.

Um dos piores momentos do filme é a supremacia ariana, que irá perceber que os negros mal aparecem no filme, se aparecem não possuem cargo ou evolução, apenas participam em segunda fase, como se os negros não evoluíssem, sem esquecer que os asiáticos nem sequer aparecem, alguém viu algum, se viu me avise, eu quero clipar?

Mas a exclusão das etnias é muito clara, não vimos um índio sequer, nem brasileiro nem da América do sul, será que estes espíritos não chegam ao “Nosso Lar”, possuem espírito?

Algo que senti falta neste filme Nosso Lar, ele mostrou o purgatório, a cidade ”Nosso Lar” e alguns portais, mas não mostraram “Deus” ou qualquer energia divina que pudéssemos imaginar como a base divinal destes espíritos. Mal colocaram anjos anunciando desgraça, será que isso é a vontade de Deus anunciar desgraça?

Deixando de uma vez os espíritos entregues aos próprios espíritos e as energias do mal, será que a realidade deste livro e filme é uma cidade auto produtiva e auto-suficiente sem a presença de Deus????

Não gostei, achei fraco e esperava algo melhor.


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Reconsiderações

Eu quase me esqueci de comentar sobre a questão dos espíritos necessitarem do alimento, por mais que seja simbólico e a ingestão da sopa ou mesmo a água, contradizem as constantes críticas preconceituosas e discriminativas que sofrem a cultura Afro-brasileira. Injustamente são acusados de cultura primitiva e retrograda.

Considerando que os alimentos possuem energia, que ao serem preparados ritualisticamente, eles sofrem uma imantação muito maior, desta forma tanto a oração, cânticos entoados ou alimentos ofertados aos espíritos, serão sempre recebidos e comungados. Considerando que os templos são recintos preparados energeticamente para receber tais espíritos, observo que ao contrário do que a população imagina, os rituais não fazem os espíritos descerem ao nosso plano, através do ritual e devidas preparações as vibrações se elevam ao plano superior alcançando estes espíritos aos quais vemos constantemente incorporados nos templos, existe, portanto uma ritualística e liturgia para tal acesso, que eleva as vibrações e energias para um plano superior.

E considerando que apesar de acharem tais rituais bárbaros, nós podemos encontrar alguns costumes semelhantes até mesmo na cultura oriental que oferecem alimentos aos entes falecidos.

E voltando ao foco da Umbanda e ou Nações Afro-Brasileiras, apenas uma domestica, negra e cheia de fios no pescoço viu o espírito do André, será que a cultura afro-brasileira terá que ser sempre representada pela mãe negra e pobre, houve uma cena com um comentário sobre os negros, ao qual vemos uma família sentada à beira do lago com mais alguns familiares, mas todos com Ojá na cabeça, simples e inculto, observem?

Por Erick Wolff8

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O BANQUETE DOS ORIXÁS: COMIDAS QUE NÃO FAZEM PARTE DO RITUAL DE ORIXÁ.

Por Erick Wolff de Oxalá

Revisado e aumentado 14/09


A cultura religiosa Yorùbá no Brasil, gira em torno à comida que vai dos rituais de iniciação (Oribibọ, Bọrí e Feitura), Arissum e rituais para Egungun, festivais e grandes festas. Todas são regadas de comidas e muita fartura, algumas destas até são produzidas bebidas especiais.

jẹ- comer (sentido geral).
jẹun - tomar comida para si.
ìjẹun - o ato de estar alimentando-se
õn´jẹ - comida (sentido geral)
ìbáje ou àbáje - comer em companhia de outra pessoa (não confundir com bàjé: estragado, tido erradamente por menstruação na diáspora)

Cada ritual exige determinada comida que deverá ser oferecida às divindades e ou convidados. Não deixando de lado as intervenções ou proibições que os adeptos da religião recebem como não comer algumas comidas ou determinados alimentos como o Dendê, Mel, Ovos e etc...

Muitas destas comidas produzidas durante os rituais são oferecidas aos convidados e adeptos durante o toque, nas paradas para descanso ou ao final de cada celebração. Muitas vezes os banquetes são gigantescos servindo muitas aves, cabritos e carneiros, dependendo da nação ou ritual.

Na atualidade, fez com que alguns costumes mudassem, hoje em dia chegamos a ver garçons servindo "estrogonofe, batatinha e arroz com uma bela salada grega", se engana quem disser que não faz parte do culto afro-brasileiro, claro que faz, apenas é preciso deixar claro que algumas comidas do nosso dia-a-dia fazem parte do culto, porem são restritas a determinados rituais como o Arissum.

Para quem não sabe do que se trata o Arissum, é o ritual para preparar o Láilẹ̀émi (aquele que não tem mais respiração, o falecido) para o novo estado, ele deverá se desligar do mundo dos vivos e voltar para o Ọ̀run, abandonando a personalidade existencial e reintegrando-se para viver sua personalidade eterna. Muitos destes rituais levam sete ou ate mais dias, alguns chegam a durar ate três meses dependendo do grau do iniciado ou “Status” a que ele pertença.

Durante o Arissum será preparada comidas para determinados Òrìṣà, Láilẹ̀émi e para Egungun, uma das primeiras vezes que participei, tive a paciência de contar quantas e quais pratos foram oferecidos, chegou a quase 170 pratos, entre eles alguns da última ceia do próprio Láilẹ̀émi.

Comida para Egungun


- àgbò (carneiro)
- Ẹyẹlẹ́ (pombo)
- Ọ̀ọ̀lẹ̀ also called mọ́yín-mọ́yín (bolinho cozido, feito com feijão)
- Àkàrà (bolo frito, feito com feijão)
- Omi tútù (água fria)
- Ẹmu ọ̀pẹ (vinho de palma)
- Obì abata (semente de cola nstiva Yorùbá)
- Oúnjẹ ti ẹnu BA n´jẹ (todas as comidas comestíveis)


Como puderam ver, todas as comidas que servimos à mesa fazem parte deste ritual, desta forma muito difícil o convidado verá “quibe, coxinha, arroz doce, galinhada, empadinhas, etc” sendo servidos durante os toques tradicionais da cultura Afro-gaucha.

Neste caso evitaremos em nossos rituais de Òrìṣà, comidas servidas em rituais fúnebres ou vinculados a 
Egun como Galinhada, Arroz com couve, Arroz com linguiça e em algumas casas ainda evitam arroz doce e risoto, esta variação pode ocorrer conforme a tradição de cada família. Caso ocorra de alguém que tenha proibição de comer alguma delas em seus rituais encontre determinada comida ela casa que visita, apenas deixara de comer.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Luta contra o preconceito às religiões das matriz Africana

Ao receber uma denuncia enviada pelo “Sacerdote Matâmoride e demais sacerdotes da cultura Afro-brasileira”, motivados pelo temor e espanto da agressividade e preconceito de mais uma matéria publicada, eu me senti motivado a comentar novamente sobre algo que as pessoas esquecem e demonstram "intolerância e ignorância".

Em primeiro lugar a "Constituição Federal" está acima de todas as leis. E que por ser permitido o livre exercício dos cultos religiosos, os sacerdotes da religião “Ancestral trazida da África” podem usar animais nas suas cerimoniais, por que faz parte do ritual desta religião. Crença é isso sem ter dois pesos e duas medidas, sem favorecer uns e excluir as demais crenças e religiões do território Brasileiro.

Artigo 5º da Constituição Federal
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

A intolerância religiosa é uma erva daninha que cresce diante da população que desinformada usa pequenos pontos para difamar e agredir uma cultura centenária instalada no Brasil. Matérias e notas como esta publicada num respeitado jornal de Poá, que incitam o povo a lutar por conceitos equivocados, sem saber do dia-a-dia dos templos e terreiros da cultura afro, gerando um engano sem precedentes quando afirmam que existem maus tratos aos animais.

Eu acredito que a realidade seja outra, qualquer templo desta religião mantém seu galinheiro ou viveiro de animais para abate tal qual um restaurante, todos os animais são sacrificados sem tortura e sem maus tratos.

Agora se estes animais sacrificados nos templos forem proibidos então existirá um grande problema na gastronomia deste país. Pois seria necessário fechar restaurantes, açougues, hipermercados e grandes lojas alimentícias, afinal a maioria dos sanduíches, pratos e quitutes servidos nestes estabelecimentos são de origem animal, tal como as comidas servidas nos templos desta religião. Salvo os restaurantes “Naturais” que não cozinham a base da proteína animal. Não se esquecendo de alguns estabelecimentos que ao oferecerem um sanduíche natural de frango, deveriam retirar o “Frango” e deixar apenas o natural oferecido.

No entanto esta matéria não restringe ao paladar e muito menos à cultura gastronomia e seus ingredientes, mesmo sabendo que a autora da matéria publicada no jornal “Notícias de Poá” e seu marido são apreciadores de um saboroso cardápio de origem animal. Segundo a colunista Silvia, ela não comia proteína animal há alguns anos, voltou a comer por necessidade médica, mas afirma que na sua casa sua família saboreia proteína animal.

Entre os problemas da gastronomia e a atual realidade do "País" o que não podemos acobertar é a falta de conhecimento e intolerância com a religião "Afro-Brasileira" que mais uma vez sofre acusações infundadas de caráter duvidoso. E começa já no inicio desta matéria ao qual fere a integridade cultural e a liberdade religiosa;

"Uso de animais em rituais religiosos
É triste saber que algumas pessoas ainda utilizam animais em rituais religiosos acreditando que a morte de um animal lhe trará benefícios.
O homem não tem o direito de deliberar sobre a vida de um animal. Afirmar que existe legalidade no sacrifício de animais, pois é uma tradição ancestral trazida da África, é um equívoco: primeiro não é legal. Ao contrário, é ilegal, é crime - conforme a Constituição e outras leis federais - causar o sofrimento ou a morte de um animal sem provar que foi por ele acometido ou que ele é portador de doença grave. Em segundo lugar, os tempos mudam." [fonte - Notícias de Poá, 19/07/2010 09:10:00]

Temos um grande problema aqui, afinal se parágrafo VI da constituição reza que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, como poderia não ser legal tal ritual?
E sem saber as demais religiões também sacrificam animais e insetos como os ovos pintados na páscoa, o peixe na semana santa, as abelhas na maioria dos rituais aos quais usam-se o mel, entre outros elementos que passam desapercebidos para os Brasileiros...

"Era tradição colocar dois homens a lutar até que um morresse na arena, na época do Império Romano. Agora isso não só é ilegal, como imoral. Assim, acontece com determinados rituais. Mas hoje, teoricamente, o ser humano deveria ter evoluído, e o que servia para um povo bárbaro há 3 mil anos não deve, não pode, servir para a civilização atual.
Nenhuma religião pode ser utilizada como desculpa para atos retrógrados e cruéis. Não pode servir de escudo para o crime." [fonte - Notícias de Poá, 19/07/2010 09:10:00]

Neste pontos eu percebo a intolerância religiosa, afinal eu não vejo nem um ativista nas portas dos Açougues, Hipermercados e demais estabelecimentos gritando e protestando contra a matança dos animais, desde quando as pessoas deixam de comprar o “BOM CHURRASCO” para assar depois do futebol ou finais de semana, animais são animais sejam encontrados nos templos ou estabelecimentos gastronômicos.

O que estamos presenciando aqui é a falta de informação e degeneração informativa dos veículos impresso e virtual que são usados pelos ativistas para empanar e difamar uma religião e sua tradição.

Sendo que "em momento algum existe crueldade com animais nos presentes cultos",  todos os animais são abatidos de forma simples e rápida e a seguir depenados ou coreados, para que todos os presentes e aqueles da comunidade do bairro e da própria casa, possam levar para suas casas, claro que para comer, muitas destas famílias sobrevivem com cestas básicas sem carne de primeira na mesa durante meses,  esperando um ritual para poder saborear um bom pedaço de carne como qualquer Brasileiro.

"A Constituição garante a liberdade de culto, não de crueldade.
Toda pessoa que seja testemunha de atentados contra animais pode e DEVE comparecer a delegacia mais próxima e lavrar um Termo Circunstanciado, espécie de Boletim de Ocorrência (BO), citando o artigo 32 “Praticar ato de abuso e maus-tratos à animais domésticos ou domesticados, silvestres, nativos ou exóticos “, da Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98. Caso haja recusa do delegado, cite o artigo 319 do Código Penal, que prevê crime de prevaricação: receber notícia de crime e recusar-se a cumpri-la." [fonte - Notícias de Poá, 19/07/2010 09:10:00]

Outro ponto a discutir nesta matéria oportunista é que na falta de crueldade e maus tratos á animais domésticos ou domesticados, silvestres, nativos ou exóticos, o Delator responde por "Difamação e Calunia", pois a lei não favorece devaneios ou surtos psicóticos, sendo que é comum em todo o país as pessoas criarem galinhas, patos, marrecos e animais de quatro patas como porcos, cabritos e carneiros para comer assados ou cozidos conforme as receitas das famílias Brasileiras.

Código Penal Artigo 286.º(Instigação pública a um crime)
1. Quem, em reunião pública, através de meio de comunicação social, por divulgação de escrito ou por outro meio de reprodução técnica, provocar ou incitar à prática de um crime determinado é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.
2. É correspondentemente aplicável o disposto no n.º 2 do artigo 284.º

Assim o Autor da calunia e difamação poder responder pelo crime conforme o “Artigo Penal 286.º” citado acima, ninguém está livre do perjúrio e da incitação a discriminação e preconceito religioso. Assim reza o artigo baixo que;

Código Penal Artigo 282.º
(Ofensa a sentimentos religiosos)
1. Quem publicamente ofender outra pessoa ou dela escarnecer em razão da sua crença ou função religiosas, por forma adequada a perturbar a paz pública, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.
2. Na mesma pena incorre quem profanar lugar ou objecto de culto ou de veneração religiosa, por forma adequada a perturbar a paz pública.
3. Quem
a) por meio de violência ou de ameaça com mal importante, impedir ou perturbar o exercício legítimo do culto de religião, ou
b) publicamente vilipendiar acto de culto de religião ou dele escarnecer, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.

E foi embasado nestes dois artigos e na constituição que pesarosamente os sacerdotes da religião Afrobrasileira buscaram apoio das mídias imprensas e virtuais para ajudar a divulgar que "não existe maus tratos que não é verdade que a religião ancestral africana é retrógada e medieval", não entendem porque são sempre ofendidos e sofrem por calunias e difamações infundadas perante a sociedade e as demais religiões.


"Como nossos amigos de patas não podem esperar, estamos organizando com muito sucesso um Cãosórcio pela Vida. Para participar é só doar R$10,00 mensais." [fonte - Notícias de Poá, 19/07/2010 09:10:00]

E ao final desta matéria é divulgado o telefone da colunista e a solicitação de uma doação, afinal do que estávamos falando?

Esta matéria teve um cunho de incitação ao ódio e perseguição religiosa, ao mesmo tempo mascarou arrecadação fundos para animais que nem são usados nos rituais afro como cães e gatos, eu acho que o foco foi desviado e a intenção de massacrar e subjugar a religião afro novamente, sem necessidade.

Por Erick Wolff∞

Fonte Jurídica - Dr Roberto Tamelini Junior
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Espaço reservado ao direito de resposta;


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Referida matéria
http://noticiasdepoa.com.br/modules/news/article.php?storyid=2758&keywords=animais

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Homenagem ao Ilê Axé Opô Afonjá

Foto: Carla Rogado/FCP
Políticos às vésperas eleitorais homenageiam todas as vertentes religiosas, há alguns dias atrás houve uma homenagem em São Paulo aos sacerdotes na Câmera Municipal. E agora no último dia 24, segunda feira, o Parlamento homenageia um dos mais antigos e famosos templos de candomblé do Brasil o  Ilê Axé Opô Afonjá. Fundado em 1910, por Eugênia Ana dos Santos - a Mãe Aninha, atualmente sob o cargo da Mãe Stella de Oxóssi.

Esta Iyalorixá ficou famosa não somente pela regência deste templo, mas pela sua luta contra a miscigenação da cultura Afrobrasileira e o fim do sincretismo mortal que fere a nossa tradição. Porem contraditoriamente nós somos obrigados a ver um órgão público que se diz pertencer a um “País Laico”, carregar um crucifixo acima da mesa dos Parlamentares, se o País realmente é “Laico”, o que é que aquele crucifixo está fazendo em cima da cabeça das pessoas? Cadê a Imagem do Buda, Shiva, onde estão nossos Búzios e ferramentas penduradas nas paredes do Parlamento?

Onde um órgão público jamais deveria carregar um símbolo religiosa, seja cristão ou afrodescende, ele jamais  deveria ter um crucifixo para lembrar que as pessoas  estão submissas a uma única fé, não pertencemos  a religião crista e não precisamos nos ajoelhar perante os símbolos do cristianismo.



Por Erick Wolff8

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O MITO DA FEIJOADA NA COZINHA DOS ESCRAVOS

A riqueza da religião afro sofre com a ignorância cultural brasileira, para muitos o culto teve inicio dentro das senzalas, porem como seria possível manter um ritual com recolhimento, banhos sagrados e até mesmo sacrifícios enclausurado numa senzala em condições sub-humanas... Além da situação degradante do negro que mal possuía a roupa do corpo, onde levaria a sua navalha e Ọ̀be (faca de corte para sacrifícios animais)? E como corrigir esta falta de conhecimentos se até nas escolas passam informação errada. Veja por que;

A feijoada típica brasileira, confundida com comida dos escravos, gera um erro fatal para a culinária e uma amputação histórica. Convencionou-se que a feijoada era servida nas senzalas, contam nas escolas e nos grandes restaurantes que os escravos cozinhavam  o único grão destinado a eles, o feijão preto, unindo resto de animais que não eram servidos na mesa dos senhores. Após abolição este prato ficou conhecido e atualmente é apreciado pelos brasileiros e turistas, que comem pensando que os escravos daquela época eram muito bem tratados, numa suculenta e bela “Feijoada”...

Para conhecimento geral o "feijão-preto", aquele que encontramos na tradicional feijoada, é de origem sul-americana. A partir de meados do século XVI, o comércio introduziu uma variedades de feijão na colônia, alguns grãos africanos, mas também um feijão consumido em Portugal, conhecido como feijão-fradinho, aquele usado para o tradicional Àkàrà (Acarajé como é conhecido). E segundo a opinião do português Gabriel Soares de Souza, expressa em 1587: o feijão do Brasil, o preto, era o mais saboroso, caindo no gosto dos portugueses, que logo começaram a tornar famoso o grão pretinho da feijoada.
O tradicional Àkàrà

Segundo dados da época, até mesmo os povos indígena apreciavam o feijão preto, que somava a importância do grão para toda a população brasileira já no inicio do século XIX. Qualquer um que chegasse ao Brasil apreçaria iguarias compostas por feijão-preto, como o feijão cozido com polpa de coco, que foi servido para o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied na Bahia, em 1816, e adorou. Em meados de 1845 comentaristas da época afirmavam que o feijão fazia parte da mesa dos baianos inclusive escravos, seguido de toucinho e uma variedade de carnes.

A realeza instalada no Brasil comprou em um açougue de Petrópolis, no dia 30 de abril de 1889, carne verde (fresca), carne de porco, lingüiça, lingüiça de sangue, rins, língua, coração, pulmões, tripas, entre outras carnes. Baseado no reflexo da nossa própria cultura religiosa que usa na atualidade vestes baseadas na corte como saias rodadas, bombacha, coroa, apetrechos da realeza e mais algumas jóias. A comida também reflete o luxo daquela época, e a feijoada como uma iguaria da corte virou o prato principal do Òrìṣà Ógún, este mesmo grão pode ser encontrado até mesmo em algumas comidas servidas para o Òrìṣà Xapanã.

O livro "O cozinheiro imperial", de 1840, assinado por R. C. M., traz receitas para cabeça e pé de porco, além de outras carnes – com a indicação de que sejam servidas a “altas personalidades”. Deixando claro para o público atual que a famosa feijoada não era uma comida destinada aos escravos, ao contrario disso era apreciada por nobres da  corte brasileira e visitantes estrangeiros.
Fonte - http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-feijoada/historia-da-feijoada.php

Por Erick Wolff8

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Quem somos?

Logo alguém baterá à sua porta e fará muitas perguntas, mas o que será que a população irá responder? Chegou o momento do brasileiro não ter vergonha da sua fé!

As religiões de Matriz Africana, não são consideradas bruxaria ou seita de baixa luz, o estereótipo errado e infundido sobre qualquer  vertente desta cultura, deve ser apagado dos registros, os sacerdotes devem ser reconhecidos e devem se impor perante a população, saindo do anonimato e vislumbrando seu devido lugar.

Já sem tempo à perder, está na hora dos membros de cada “Templo” levar o nome  do seu sacerdote para o “Censo” que irá ajudar, a saber, quem é e o que fazem nesta terra escolhida pelas divindades  africanas. Não tenham medo de sair  da obscuridade e ilegalidade, todos usufruirão mais com a devida documentação do que na clandestinidade.

Por isso é chagada a hora de se apresentarem sem medo e sem dúvidas.

Fale quem realmente cada um é perante o seu Irúnmole.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quando foi que o culto Afrosul perdeu o conceito do Ojúbọ?

Para quem não sabe o que é um Ojúbọ - "é o lugar na casa usado para adoração de ancestrais e dos santos protetores da família. Altar dos “assentamentos” dos Egungun (mortos) da família”.

 
Entre a diversidade das religiões Afrobrasileiras, o Ojúbọ é um local sagrado comunitário onde os integrantes daquela família adoram as divindades, ancestrais e entidades cultuados no templo. Para muitas casas o Ojúbọ é um local onde as oferendas são comunitárias e abertas para todos iniciados daquela família, seria um local onde os integrantes teriam acesso e poderiam participar das celebrações e oferendas.

 
O Ìgbàlẹ̀ [pequena mata, lugar secreto, destinado ao culto a Egungun] na cultura Afrosul , foi um dos Ojúbọ que permaneceu nesta religião, porem deixou de ser um local de adoração aos ancestrais [Ojúbọ] para se tornar um ícone de temor e feitiçarias, bem do tipo tome cuidado, pois aquele Baba tem Ìgbàlẹ̀ e deve ser temido. Infelizmente o “Egungun” deixa de ser um ancestral cultuado com honrarias e respeito para virar um tipo de “Pit Bull” na porta dos templos, muito usado para as desavenças e brigas religiosas dos Batuqueiros, agora imagine os seus irmãos e mais velhos que viveram com honra e se dedicaram ao culto, pós morte se tornando carrego de "Ẹbọ Buruku", ou "galo de rinha" contra os inimigos. Um triste fim para quem viveu, seguiu os ensinamentos e se dedicou aos Òrìṣà. Por este conceito e contaminação ritualística que eu vejo os Egungun sendo mau usados entre as famílias mais velhas. Um ancestral deveria aconselhar e ajudar as comunidades nos piores momentos, diferente de te-los para terroristas ou para feitiçarias.

O conceito correto do Ojúbọ dentro da cultura afrobrasileira seria o de partilhar com toda a comunidade os assentamentos sagrados, como o exemplo acima citado sobre o Ìgbàlẹ̀.

Devo imaginar que a casa do Lode [o Òrìṣà Bara cultuado entre o povo Batuqueiro, seu assentamento fica na entrada dos templos], é a única que ainda se mantém como Ojúbọ, pois ela partilha da segurança e fundamentos coletivos desta nação, para isso ali são feitos cortes, serviços e Ẹbọ [oferendas, descarregos e feitiços] diversos para a comunidade. Apesar de que percebo que ainda existe um pequeno problema dentro do conceito Bọrí e Òrìṣà na estrutura Batuque Afrosul, a liturgia deste povo considera que o Bọrí deve ficar ao lado do Òrìṣà, quando um Ẹlẹ́gùn [iniciado] é do Bara Lode, logo este Bọrí deve ficar na casa dele, eu chego reconsiderar alguns pontos deste fundamento, pois todos nós sabemos que na casa do Lode muitas vezes fica troca de vida, Ẹbọ Dudu [descarrego] e Buruku [oferenda ligada a morte], além dos carregos que são atirados naquela casa. Agora imagina um Bọrí de um Ẹlẹ́gùn dentro desta casa, qual será o resultado?

O Lode que geralmente fica em contato com o chão, não deve ficar em prateleira, desta forma o Bọrí dos Ẹlẹ́gùn do Òrìṣà Lode não devem ficar acima do próprio Òrìṣà, sendo assim ou o Bọrí fica no chão ou o Bara Lode deve subir para uma prateleira. Mas então como fica o fundamento deste Ojúbọ? É justamente sobre o Lode que para muitos Baba e Iyá, são feitos feitiços de segurança e até mesmo feitiços de demanda para a comunidade religiosa e clientes pertencente ao templo, que gera o conflito de conceitos sobre o Ojúbọ do Lode. Então para onde iria este Bọrí?

Eu penso que o Bọrí deve ficar separado ao lado dos Bọrí de todos os filhos do templo, para que saibam que aquele local sagrado guarda apenas os Bọrí, mas para isso o conceito de pessoa e feitura deveria ser analisado com maior atenção, pois o Bọrí é feito para o Orí e não para o Òrìṣà, mesmo sabendo que o Ẹlẹ́gùn pertence uma ancestralidade divina ligando o Orí às divindades Africanas, isso não quer dizer que o Bọrí deva ser feito para o Òrìṣà, pois estamos falando sobre o trato e culto para fortalecer o Orí e não o Òrìṣà, assuntos distintos e muito bem separados para o culto e trato do Òrìṣà ao trato do Bọrí.

Se o Batuque Afrosul possui o conceito de Ojúbọ ele está muito dissipado entre as famílias, algumas nem mesmo sabem o que é um Ojúbọ, na maioria não devem saber nem a funcionalidade do Ojúbọ numa comunidade religiosa. Por isso quem sabe, haja necessidade de analisar profundamente os fundamentos e conceitos desta rica cultura, que possui grandes fundamentos e ritualística. Como o Bọrí de 4 pés para o Ẹlẹ́gùn, considerando que aqui no Brasil as vertentes afrobrasileiras, não costumam dar Bọrí de quatro pés, mas é comum vermos este procedimentos em algumas aldeias africanas, não sabemos ao certo o porquê o Batuque manteve esta tradição tão ativa, mas eu penso que foi para perpetuar o culto ao Orí [cabeça], relembrando a importância do mesmo no principio da estruturação desta religião.



Talvez o Ojúbọ funcionava como uma grande família que comungava dos assentamentos dos Baba e Iya chefes dos templos. Baseando-me nos preceitos desta religião, foi fácil perceber que todo sacerdote para abrir uma casa necessitava possuir o Irunmole completo, como os Òrìṣà comunitários da rua [que ficam do lado de fora do templo] e os Òrìṣà do Yara-bọ [quarto de santo], se um determinado Ẹlẹ́gùn viesse para o templo e o sacerdote não tivesse o Òrìṣà cultuado na nação do Batuque sento, não poderia fazer o Bọrí e muito menos assentar o Òrìṣà daquele Ẹlẹ́gùn, sendo assim, somente os Òrìṣà feitos seriam aqueles que o Baba ou Iyá possuísse sento. Com o tempo algumas divindades que ficavam do lado de fora dos “Templos” entraram para o Yara-bọ, com exceção das divindades Lode, Legba, Avagâ, Timbuá, Dirã, Kamuká, Sapakta, Zina entre outros. Talvez para que o Igbá-Orí [louça do Bọrí] pudesse ficar ao lado do Òrìṣà e comungar do Ojúbọ, estes assentamentos deveriam servir como base para a veneração comunitária daqueles que possuem o Bọrí com 4 pés e seu respectivo grau de aprontamento.

Em algum lugar do passado os sacerdotes podem ter parado de usar o Ojúbọ para os filhos e os seus assentamentos se tornaram um Irunmole pessoal, perdendo assim totalmente o conceito do Ojúbọ. Mesmo assim ainda podemos notar alguns vestígios apontando para os sacerdotes abrindo casa com todos os santos assentados, Bọrí ao lado ou abaixo dos santos em prateleiras, Bọrí de 4 pés respondendo como uma feitura de Bọrí e Ẹlẹ́gùn com quartinha do Bara respondendo pelo Bara do Yara-bọ. Entre estes pontos é possível notar que em algum tempo remoto os mais antigos devem ter usado a estrutura do Ojúbọ nos templos e decaiu este conceito com o passar dos anos e a modernização.

Resgatar a cultura de um povo seria buscar os vestígios dos Ojúbọ, conceitos e costumes que sobreviveram numa cultura tão rica e laqueada, pois os Batuqueiros Afrosul costumar se orgulhar da sua religião, que por sinal consigo ver uma grande riqueza na simplicidade dos rituais fechados.

Porem qual a importância do Ojúbọ para a cultura Afrosul? Um Ojúbọ é o alicerce daquela comunidade, quanto mais rezar, quanto mais louvar aquele Ojúbọ, mais aquela comunidade terá poder, eu tenho a plena certeza que a estruturação e o alicerce de uma nação afrobrasileira estão no seu Ojúbọ, são fundamentos e conceitos que geram uma energia ao redor daqueles assentamentos que fazem com que a comunidade inteira se fortifique e prospere.



Porem note um pequeno comentário.


Ter um Ojúbọ não quer dizer que este coletivo seja o coletivo dos Igbá-Òrìṣà [louça do Òrìṣà] e Igbá-Orí de cada Ẹlẹ́gùn, afinal ele necessita do seu Igbá-Òrìṣà  e Igbá-Orí, porem o Ojúbọ da cultura religiosa Afrosul pode ser considerado o Igbá-Lode, que cumpre a função de responder pela comunidade, sabendo que cada integrante possui o seu Igbá-Òrìṣà e Igbá-Orí, porem é um Igbá-Lode para responder pela comunidade fortalecendo o templo e os alicerces religiosos.


Minha matéria teve inicio na observação do aprontamento dos iniciados do Batuque Afrosul, que muitos são considerados feitos de Bọrí, mas não possuem Igbá-Òrìṣà, por isso que percebi que em algum lugar do passado o conceito de Ojúbọ deve ter sido usado, mas perdeu-se com o tempo dentro deste povo.




Por Erick Wolff8 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Uma empresa que gera problemas

Entre vários incidentes ocorridos com os departamentos do Uol, eu acredito que o atual chega a  ser mais nojento.

Como desenvolvedor de sites, vinha trabalhando com a empresa UOL, hospedando meus clientes para subtrair o máximo de problemas com as host, visto que a maioria mais causam problemas que presta o devido serviço de hospedagem.

Infelizmente esta parceira entre o desenvolvedor e a Uolhost, inclui afiliação e mais um departamento de Links Patrocinados, sabe casadinhas  que nunca  dão certo, este é  um exemplo de bagunça e trambique. Mas  existe para  vincular  o  cliente e sufocá-lo com problemas, ou para  confundir  e desviar a responsabilidade. Você registra um site e ganha Bonus que para usar  nos Links Patrocinados, na verdade não usará se houver algum vinculo religioso com as  matrizes africanas, sim é verdade, eu fui limado, ou melhor,  fui eliminado porque minha  campanha continha as palavras chave Orixás, candomblé e umbanda,  nem foi pela grafia e sim pelo teor religioso que sugeriram que eu retirasse estas palavras, pois não condiziam com meu anúncio, acreditem que o anúncio não foi ao ar simplesmente porque não retirei estas  palavras.

Afiliados e Links Patrocinados - Tentei falar com o Jurídico e a Dra. “X”, sem saber do que se tratava, perdeu a calma logo nos primeiros telefonemas, não entendo porque colocam tanta  gente incapacitada para  trabalhar dentro de uma empresa... Mas pensa que acabou aí,  nem estava no inicio do drama, pois nem com o meu jurídico a Dra. “X” conseguiu manter relação, pois ele tentou explicar o que ela  deveria saber de cor, afinal trabalha  para empresa, mas nem explicando o que seria uma palavra  chave  de  uma campanha, para que  fosse  referenciada na busca, ela  entendeu, repetindo a frase  feita  da  empresa  sem dar  chance  do seu cérebro tentar  entender... Final infeliz. Nada resolveu...

Mais à frente eu cadastrei um site  que foi desabilitado porque o meu sócio cadastrou errado a nome  e tivemos que mudar  de “Guia Delux” para “Guide Luxe”, avisei que o site  havia sido cancelado e esqueci, logo ao final do terceiro mês do cancelamento o departamento financeiro não deu baixa e executou minha  conta deixando uma mensagem por “Falta de pagamento este site esta fora do AR” , fiquei com o Sosni fora do ar um final de semana inteiro, sem ter culpa alguma, por incompetência do departamento financeiro que não deu a  devida baixa no sistema... Erros  e mais erros  que  ocorrem e ninguém se responsabiliza, somos obrigados  a sofrer  por desatenção dos  funcionários... E pior, no mesmo dia ninguém do suporte reativou minha conta, todos atendentes me tratavam com desdenho como se  fosse um serio inadimplente, eles simplesmente deixaram assim, mas não pensem que não poderiam fazer anda, pois poderiam sim, não fizeram porque são “sangue  ruim” (gira popular dos bandidos), pena que nós trabalhadores e responsáveis por matérias e uma boa  conduta , temos que pagar por uma pequena pirraça e jogo de poder nas mãos de gente preguiçosa e inescrupulosa...

Suporte – algum dia tentaram ligar  para  o suporte  do Uol, não o façam se puder fujam, este canal é o pior deles, parece  que estão nos  fazendo o favor de  atender, fazem com uma má vontade  que dá  medo de  ligar, nos ofendem , dificultam tudo, passam de  um para outro,  desligam no meio d a ligação, menosprezam a nossa  inteligência mentindo e respondendo nada com nada, tentam se  livrar do cliente (pagante) o mais  rápido possível.... E sem resolver  o problema, nunca  dependa do suporte, será um dia de cão.

Os telefones mudam com uma rapidez sem igual, nestas mudanças  eu perdi o numero da parceria, mesmo porque mudou funcionários e fiquei sem o contato, foi nesta confusão que sempre  ocorre que eu liguei para o setor vendas dos planos de  hospedagem para  mandar  um cliente, falei sobre  a  parceria e  a Sra. “Y” que atendeu e disse que fazia parte da parceria – mentira – ela passou um e-mail particular  e mandou que eu fizesse todas a s  indicações através dela, pois a parceria era justificada por este canal, acreditem, ela não passava de  uma atendente  do setor de vendas  e não havia  vinculo algum com parcerias, estava mentido e roubando da própria  empresa, além de me  enganar. Isso foi relatado e o próprio e-mail enviado para  a diretora do canal de  parceira do Uolhost. Que ficou  assustada com a situação.

Deve e não paga - é o sistema  do Afiliados que possui uma pendência da parceria e mais alguns valores do programa dos anúncios que estava nos meus sites. Eles sabem dos  valores que devem pagar, mas  empurram todo mês, com a desculpa que não sabe onde foi parar e não tem como pagar, são todos estes problemas  que uma  empresa  carrega consigo.   Dias  de  discussão e brigas por respeito e tratamento adequado, que por sinal alem das mentiras os  funcionários nos  enrolam com desculpam descabidas  e mal elaboradas que se contradizem a cada hora.

Eu estou indignado com uma empresa que engana as pessoas, não está preparada para o mercado e desvia as  verbas  e dinheiro dos que fazem parcerias e trabalham ao lado. Sem punição, os envolvidos nem querem mais atender.  Porque sabem que Devem, mas  não importa pagar porque o ritmo da empresa não é fidelidade com o cliente... Ao contrario disso é  se  "Dê" bem a  qualquer  custa, não importa  o cliente....

Esta matéria foi editada no dia 20/07 e  até hoje não hove resposta, a empresa simplesmente se omite a qualquer problema, ou tenta tirar o foco do assunto. Não é uma  empresa transparente para hospedagem.

Por Erick Wolff∞

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Umbanda insultada pelo comentarista da "Band"

Datena comentarista da Band afirma que a Umbanda é ritual macabro e pactuante com o demônio, e diz que o autor do crime vivência esta realidade cultuando o demônio durante anos, afirmando que a Umbanda é ritual de magia negra. Infelizmente as pessoas desinformadas e interessadas em desviar atenção do telespectador, prega e insufla o preconceito religioso perante a população que acredita num conteúdo como este.



Um programa que vai ao ar todo dia nem pode ser considerado jornalístico, está mais para programa oportunista interessado em menosprezar as pessoas e religiões.



Não sei até quando teremos que presenciar estes programas depressivos de mau gosto?



A Umbanda pode sofrer muito, por erros cometidos pelos próprios integrantes, porem nunca foi e nem será uma religião do “Diabo”. Pena que um individuo baldio tenha tanta liberdade assim para falar publicamente, o que quer, ou melhor vomitar tanta besteira na televisão brasileira.



A única coisa que tenho certeza é que pessoas assim não são orientadas e muito menos possuem respeito e inteligência para ser um bom comentarista, infelizmente está com seu programa porque as pessoas ainda adoram ouvir salada mista ao ver um bom programa jornalista.



Por Erick Wolff8

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Comida para Egúngún

Alguns dias atrás eu postei no WWW.olorun.com.br as comidas de Egúgún, entre os itens da lista eu frisei o “carneiro”, é sabido que o povo de Ketu não corta carneiro, muito menos o povo Djedje que não derruba  carneiro por causa se Gbessem, justamente porque esta divindade é o “espírito da vida”, como o carneiro é ofertado para Egúngún, ele se  torna uma contraversão para o povo Djedje que jamais cortará carneiro nos seus  rituais.
Por outro lado algumas vertentes do povo Nàgó costumam derrubar carneiro nos seus rituais, tanto quanto o povo do Batuque do Rio Grande do Sul que oferecem este animal para Xangô, devo observar que mesmo existindo subdivisões familiares encontradas na estrutura do Batuque, este encontra uma raiz plantada numa nação que estende para várias ramificações de uma única nação, existindo costumes e rituais semelhantes que recebem algumas influencias conforme as famílias que estabeleceram aqui no inicio da estruturação da religião no país.

Tais família do Rio Grande  do Sul se dividiram em; Jeje, Oyó, Ijexa e Kabina.

As diferenças entre uma e outra são tênues, que não chegam a classificar nações dividindo o Batuque, pois o que caracteriza um povo e conseguintemente uma nação são fatores como; língua, costumes, divindades e liturgia diferentes. Assim como vemos  dentro do Nàgó as nações de Xambá e Egba, que logo se diferenciam pelos seus  rituais e costumes. O que não ocorre nas subdivisões  familiares que encontramos na estrutura do Batuque Afrosul, que cultuam as mesmas divindades, usa os mesmos Orins e as mesmas  rezas.

Se o Jeje do Batuque fosse o Djedje, as divindades Vodoun influenciariam mais claramente e muito mais forte que o que vemos no culto, e os  orixás deixariam a sua posição para receber o panteão Vodoun. Logo deixariam de  matar o carneiro e  passariam a cultuar o Gbessem, que por sinal é o símbolo do reinado Djedje.

Porem uma inversão muito grande acontece na família do povo Kabina, que possui um ritual vinculado a Egúngún, com liturgia particular e centralizada no culto a Xangô como o rei da nação. Há algum tempo atrás, eu cheguei a produzir uma matéria justamente  falando da similaridade do rei desta nação com o culto à Egúngún desvinculando qualquer  equivoco com o povo da Cabinda de Angolana, nem preciso dizer que seria necessário mais do o hormônio para provar que esta seria a Cabinda, mas observando cada ritual e costumes, foi possível perceber que deveria correr para o lado oposto de alguns autores que coligaram o Kabina com a  Cabinda da Angola. E  claro que a ligação entre os Egúngún e os nkissi foram os fatores primordiais que me  incentivaram a seguir, afinal Egúngún e Nkissi não se misturam muito bem, principalmente Nzaze... Logo, foi confirmado mais um ponto entre a distância do povo Angoleiro e o Batuque RS.

Leia as comidas de Egúngún no http://www.olorun.com.br/ (faça login, procure nação Nàgó)

TIKTOK ERICK WOLFF