"Rafael Rorigues Pedr
E o tambor era assim
Rafael Rorigues Pedr
Tambor só com coro dos bichos sacralizados da obrigação..Aí chegou o coro de boi
Alex ubirajara Ribeiro
90 % dos tais alabês hj nunca tocou ou não sabe montar um tambor de couro de cabrito hj vejo os alabês passarem cruzeiro com tambor apertado aí eu te pergunto cadê o fundamento deste alabês hj tem"
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
BATUQUE EM PAUTA
ESTUDO: O LEGBA, A ZINA E OS ANJOS CULTUADOS NA KAMBINA
Neste vlog postamos os conceitos e reflexões das divindades Legba e Zina, incluímos os anjos para abrir um debate sobre o que seriam eles.
Postado na plataforma TikTok, selecionamos alguns comentários que acrescentam nos estudos e pesquisas dos costumes e tradições da Kambina. Vejamos:
"Médium Maicon Mendonça
kambina? não é cabinda?
Erick Wolff8 · Criador
[@Médium Maicon Mendonça] Kambina ou Kambini é o nome original, Cabinda é como chamam atualmente.
Erick Wolff8 · Criador
[@Médium Maicon Mendonça] já debatemos muito sobre o tema, inclusive já publicado no livro A Kambina Nagô e o Kamuka na Nigéria.
Erick Wolff8 · Criador
Kambina (atualmente conhecida por Cabinda) fundada por pai Waldemar
PaiJuliodeOxum · Amigo
Os descendentes da Mãe Ondina tem Legba e Zina? Conheço uma pessoa que conviveu com ela e nunca ouvi falar nessa feitura.
Erick Wolff8 · Criador
[@salakoifatundeawo] é descendente
Erick Wolff8 · Criador
Apenas completando, que se trata de assentamento e não feitura destas divindades que são relatados.
Erick Wolff8 · Criador
[@zezocosta1] o legba no Batuque tradicional não tem ligação com entidades exus ou pomba giras.
Erick Wolff8 · Criador
[@zezocosta1] quando existem muito caminhos para estudo e ou divergência entre informações, o correto é olharmos para a matriz africana.
Erick Wolff8 · Criador
Estudando o leba vodun ou o legba (elegbaa) orixá, ao observarmos a forma de culto preservado no Batuque encontraremos a origem
Erick Wolff8 · Criador
O jejê do Batuque é um culto a orixá, pelas ritualísticas, iniciações e divindades cultuadas, pois, o culto vodun é diferente dos ritos do Batuque.
Erick Wolff8 · Criador
Caro amigo [@o caminho do adepto], eu estou apresentando justamente o orixá Exu com nome legbaa ou legba do povo iorubá neste artigo
Erick Wolff8 · Criador
Abrindo uma possibilidade para esta divindade do batuque ser um orixá e não ser o vodun, mesmo considerando a forma de culto ou peculiaridades
Erick Wolff8 · Criador
Conforme já mencionado, caso deseja contribuir, também serão aceitas as informações e registradas, mencionando a devida fontes
sinha_oyá
Benção irmão, sou sua fã e neta do Pai Cleon, o próprio falava q Legba era uma entidade ❤️Mil bjos e orgulhosa de vc
zezocosta1
ou seja!! cada um criou da sua forma, cada uma cultuou dentro do seu entendimento, não se sabe a realidade...eu fico com a tese que houve uma aglutinação de culto e de divindades...
Erick Wolff8 · Criador
[@zezocosta1] sim, de certa forma está correto, pois cada religião se estruturou a sua forma, porém, as nações do Batuque possuem os mesmos elementos mudando pouco de uma para outra.
Erick Wolff8 · Criador
Sim, esta divergência demonstra a diversidade cultural
zezocosta1
sim!! só pro senhor saber, algum tempo atrás, eu ja ouvi que."leba" era o chefe dos exus...kkk
conheço pessoas que cultua ele como "exu entidade" e outros como Orixá...
abraços!!!
BrunoHilariodeOxala
ondina era jeje e Manoelzinho ijexá
Erick Wolff8 · Criador
[@BrunoHilariodeOxala] segundo a sua informação sobre o legba ser um Bará, coincide com as referências dele ser um Bará na, Nigéria.
Erick Wolff8 · Criador
[@BrunoHilariodeOxala] grato pela contribuição, mas segundo o site xangô Sol, ondina era filha do pai manezinho do XAPANA, desta forma, pertence a mesma vertente.
Erick Wolff8 · Criador
Ambos do ijexa
renanmoreira240
e nem todos de Cabinda permitem mulheres dançar pro leba, exemplo na casa de pai Raul do xangô onde pro leba se dança só homens
Erick Wolff8 · Criador
[@Babalorixa Diego Oxalá Obokun] e [@renanmoreira240] na casa de vcs as mulheres podem ficar templo quando vão cortar para o legba ?
Babalorixa Diego Oxalá Obokun
eu não tenho legba sento, mas na casa de pai Cláudio as mulheres permanecem no templo, ele também só coloca homens para dançar pro Legba
Babalorixa Diego Oxalá Obokun
sim descendentes da palmira normalmente não dançam para o Legba, sou bisneto do Henrique da Oxum (Keta)
renanmoreira240
sim sim igual comentei ali na nossa raiz, pai Raul de xangô somente homens dançam pro Legba, mas há outros lugares que vimos de outra forma
Babalorixa Diego Oxalá Obokun
aqui em casa apenas homens dançam para o Legba
Criis de Oxalá 🕊️
E eu aprendi tbm, que nem todo Cabindeiro pode "ter" Zina.... Que ela escolhe, e alguns fatores são levados em consideração 😉
claytonjhon429
Oi Muito bom o seu esclerecimento. fala um pouco da pandilha. obrigado.
Erick Wolff8 · Criador
A pandilha era a pomba gira do pai Henrique
Erick Wolff8 · Criador
Não temos como citar algo que não é público, se ler atentamente, irá notar que agradeci a nova informação, sendo que esta não invalida os relatos dos filhos do Henrique.
Devlyn de Maria Padilha
Como o senhor fez não citando o pai Adão? 😅
Erick Wolff8 · Criador
Respeitosamente [@Devlyn de Maria Padilha], vc pode falar pela sua família, mas não pode impor ou apagar a história de outras famílias.
Devlyn de Maria Padilha
O que não corresponde com a verdade. Procure descendentes vivos do pai Adão. Procure sua irmã carnal que ainda é viva e pergunte sobre a Pandilha…
Erick Wolff8 · Criador
Grato por contribuir, com mais uma informação, porém, os descendentes do pai Henrique, informam que ele cortava para a Pandilha no igbale, e incorporava c ela.
Criis de Oxalá 🕊️
No caso do Pai Adão.... Porém o Pai Henrique cultuava Pandilha.... Como dito acima
Criis de Oxalá 🕊️
Pandilha era somente do Pai Henrique...
Devlyn de Maria Padilha
Errado. Pandilha nunca foi pombagira e chegava somente no meu bisavô de santo PAI ADÃO DE ESÙ BIOMÍ
Erick Wolff8 · Criador
[@Devlyn de Maria Padilha] sempre citamos fontes e informantes, desta forma, não há mentiras; o que há são informações conflituosas.
o caminho do adepto
então por que só os jeje tinham ele inicialmente?
Erick Wolff8 · Criador
Qual seria fonte que inicialmente seria uma divindade do jejê do Batuque e quais famílias que o cultuavam
o caminho do adepto
a fonte é que existe um Legba no culto aos voduns e o povo que faz é jeje ! se o povo jeje do batuque não tem Legba não é jeje! e acaba só levando o nome de um culto que não faz! tem que tirar o nome
Erick Wolff8 · Criador
Caro amigo [@o caminho do adepto], não há registros de nenhum povo, cidade ou licalifade jejê, desta forma, os nomes das nações afro brasileiras, existem no Brasil sem compromisso de representar
Aline Cartas Ciganas
A História de anjo na Nação e na Quimbanda me pega demais, devido não encontrar sua origem, assim como Zina, ótima reflexão
Erick Wolff8 · Criador
Segundo algumas fontes, os anjos tiveram origem através do pai Nascimento do Ogun, antes dele não temos registros."
Criis de Oxalá 🕊️
E eu aprendi tbm, que nem todo Cabindeiro pode "ter" Zina.... Que ela escolhe, e alguns fatores são levados em consideração 😉
Erick Wolff8 · Criador
[@Criis de Oxalá 🕊️] era a forma antiga, no entanto, não consideravam ela fundamento para uma casa de kambina, sendo assim nem todas casas tinham ela
Erick Wolff8 · Criador
[@Criis de Oxalá 🕊️] sobre a pandila do pai Henrique, chegou a ve-la?
Criis de Oxalá 🕊️
Não... Sou bisneta dele... Mas não o conheci... Conheço apenas histórias que meu avô Pai Paulo do Bocum conta 😊
Sergio de Ògún
con ago Pai. eu so d esa raíz junto con pai Jorge da Oxum. baba Salako. compartimos feitura d misma mao,d mae Santinha y Nao Temos esos asentamiento de Legba y Zina.
Erick Wolff8 · Criador
[@Sergio de Ògún] saberia infirmar pr que deixaram de cultuar
Sergio de Ògún
esa afrimación vc tendría que sostener com fuente.
baba amigo como asegura q Pai Manuelzinho tinha y a mae Ondina?
aún tein en vida descendentes
Erick Wolff8 · Criador
Sim, a fonte está viva, e foi devidamente citada no livro A Kambina Nago e o Kamuka na Nigéria.
Revisado e aumentado
Coletamos a postagem registrarmos os estudos e memórias do Batuque, da família do pai Romário.
" Por Mary Faleiro
Postado em 05/10/2024
Mulher dança pra Leba sim. Sempre dançou."
Dos participantes, coletamos as seguintes falas:
Rose Cezimbra
Se dança pra lode ,por que não pro leba fica esta pergunta .
Babalorixá João Òsún OlobomiSempre, se é Cabinda dança sim...e digo mais se é Cabinda e yalorixá com casa aberta...corta pra Léba!
Mary Faleiro[Vera Mirales] acho que sim, porque se eles são Cabinda como dizem, deveriam lembrar das mulheres ancestrais, mãe Madalena e mãe Palmira
Alabe Jonas Dyas AganjuPois é mãe [Mary Faleiro] sua benção sou novo e muitas vezes acompanho alguns postagem fico pensando
Na minha casa dança homem e mulher
Mas tem goas que só homem dança e não pode mulher dança
Acho que isso deve varia de fundamento de casa pra casa se eu estiver errado pode me corrigir 🙏🏿👑 ótimo tarde
Tamboreira Dienifer De OxaláEu toco e canto pra ele bem tranquila kk
Vani BelaoyaSi... lógico mujer que cultua leba
Simara de YemanjaEu desde sempre nasci mulher me aprontando pequena cresci sabendo na Cabinda do Romário isso é fato
Ilê Asé Igbomina
Danzar si danza . Não mexe
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] quem disse? E quem é sua ancestralidade?
Ilê Asé Igbomina
[Mary Faleiro] pai cloen fons seca de oxala filho de Henrique de osum, Palmira de oxum y Waldemar de KAMUKA
No es mí ancestro pero compartí 33 años a su lado
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] e filho do meu pai de santo, depois foi para o Henrique e ficou por anos, 4 anos na mãe Palmira. E quem fez o Leba deles?
Ilê Asé Igbomina
[Mary Faleiro] pai cleon en los AÑOS 70 asentamiento de lẹgba y zina para la tía Ileana de oxalá ....
Mary Faleiro[Ilê Asé Igbomina] quem deu pra ele? Foi Henrique ou foi mãe Palmira? A pergunta é clara
Ilê Asé Igbomina[Mary Faleiro] en el axé de mar Palmira , más no corto Palmira ... Corto el ogan de corte de Palmira ... Un hijo de xangô ....
Palmira no cortaba para lẹgba ni para oromilaya... Esos era axé manipulado por hombres .....
Mary Faleiro[Ilê Asé Igbomina] entendo, mas a rua dela não veio do meu bisavô pai Waldemar. O Sr. Fala com tanta propriedade que fez uma postagem sobre Cleon de Oxalá não ter sido filho do pai Romario. Seria melhor saber mais, antes de afirmar algo.
Ilê Asé Igbomina
[Mary Faleiro] iya Valdemar era ìjèsà , la que introdujo muchas cosas banto fue magdalena . Zina os anjos y muchas cosas más .... Pai clein junto a Berardi
Intentaron introducir los Exu de Angola pero no tuvieron muchos éxitos ....( Fue cuando se le prendió fuego el primer templo del pai .... Antes de mudarse al actual
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] meu pai misericordioso.
Pai Waldemar era Ijexá? Está louco? Minha avó nunca teve Zinas e anjos. Vá aprender
Ilê Asé Igbomina
[Mary Faleiro] Valdemar era hijo de Antoninho de oxum , cuando lo expulso se refugio en la casa de gululu y ahí nace la historia de la Cabinda
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] de onde tirou isso? Quanta bobagem saindo dessa boca 😂😂😂😂
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] você é de Oyó, quem é teu ou tua ancestral?
Ilê Asé Igbomina
[Mary Faleiro] es historia ... Cuando Tadeo escribe el libro que pai Cleon vendia . Taeo escribe fundamento ìjèsà y no cabinda de gululu o de magdalena .... Cómo la cabinda de cleon que no era ìjèsà
Ahí es Cuando pai cleon graba un. Vídeo enojado y dijo LA CABINDA NÃO SE MISTURA ......
Ilê Asé Igbomina
[Mary Faleiro] princesa Emilia de Oya
Pai Augusto de oxala
Mãe norma de oya
Y yo Fabio de oxalá ... tradición BOMINA / OYO ....
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] muito bem. Vocês tem Leba? Eu sei a resposta ,mas vamos fazer um trabalho lógico aqui.
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] tua nação não cultuava Lodê, foi feito pelo povo cabindeiro, mas vamos lá, acho que perdeu várias aulas
Mary Faleiro
[Ilê Asé Igbomina] Tadeu era meu irmão de santo criatura, além de ser um grande amigo pessoal, quando pai Romario não aceitou mais ele não casa, porque avisou que ele iria preso, ele sai da prisão e vai pra mão do Cleon, e o Cleon vendia sim os livros na casa dele. Quer mais explicado que isso? Quantos anos você tem???
Mary FaleiroEm nome de Jesus, esse homem está dizendo que pai Waldemar era Ijexá, mas ele supostamente é Oyó. Está fora da casinha, para minha sanidade mental, vou bloquear essa criatura, porque isso é contagioso, tenho medo de me contagiar ☝🏼
Link postagem mãe Mary Faleiro
https://www.facebook.com/mary.faleiro.7/posts/pfbid0227m9Ygk5kLikhy9iTuysbzuKRygBqamYBwNoJdeX5SriMgfRar911qksBfHYMY3Yl
Imagem comprobatória:
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
POR QUE RIO GRANDE DO SUL TEM MAIOR PERCENTUAL DE ADEPTOS DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA NO BRASIL
Editorial coletado do canal virtual BBC, publicado em 09/08/2024.
"Por que Rio Grande do Sul tem maior percentual de adeptos de religiões de matriz africana no Brasil
Author, Luiz Antonio Araújo
De Porto Alegre para a BBC News Brasil
Com auxílio de escada e furadeira, quatro homens afixam um painel de quase dois metros de comprimento na parede lateral do prédio nº 2200 da movimentada Avenida Nilo Peçanha, em Porto Alegre.
Na placa, lê-se: “Território Quilombola Kédi. Associação do Quilombo Kédi. Em processo de regularização fundiária pelo Incra nº 54000.104791/2021-16”.
A instalação do marco, em 20 de abril, foi testemunhada por dezenas de moradores e pela reportagem da BBC News Brasil.
Estabelecidas há cerca de um século no local, as cerca de 120 famílias da chamada Vila Kédi ingressaram há três anos com processo de reconhecimento da área como remanescente de quilombo.
Para a comunidade, a placa é duplamente significativa: o edifício, que hoje abriga a sede da associação de moradores, está situado no local exato de um antigo terreiro.
“O terreiro da mãe Eva era um dos pontos de convivência da comunidade”, explica Tânia Rosangela de Jesus Dutra, primeira-secretária da associação.
Descendente dos primeiros ocupantes, a líder comunitária não conheceu a matriarca.
A existência do terreiro, porém, foi atestada em laudo antropológico emitido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O prédio hoje ocupado pela associação fica ao lado de uma imponente figueira, árvore associada a poderes cósmicos em inúmeros ritos, incluindo os de matriz africana.
A relação entre movimento quilombola e as religiões de matriz africana não é uma exclusividade da Vila Kédi.
O advogado Onir Araújo, que presta assessoria à associação, afirma que, na capital gaúcha, praticamente todas as comunidades quilombolas organizaram-se em torno de terreiros ou abrigam alguma espécie de local de culto afrorreligioso em seu interior.
Segundo Araújo, Porto Alegre tem 11 quilombos urbanos, incluindo o primeiro desse tipo a ser reconhecido no Brasil, o da família Silva, vizinho ao Kédi.
“Nenhuma outra cidade brasileira tem esse número de comunidades”, afirma o advogado.
De acordo com o Censo de 2022, existem 203 localidades quilombolas no Rio Grande do Sul, 16 delas em Porto Alegre.
Em termos quantitativos, porém, os terreiros são muito mais numerosos do que os quilombos na capital.
Um levantamento da Prefeitura feito entre 2006 e 2008 indicou a existência de 1.290 terreiros na primeira década do século em Porto Alegre — número praticamente idêntico ao encontrado em Salvador na mesma época, segundo Ari Pedro Oro, professor de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em artigo intitulado "O atual campo afro-religioso gaúcho", publicado em 2012.
No Estado, haveria cerca de 30 mil terreiros, conforme cálculo de Norton Correa, professor de Antropologia da Universidade Federal do Maranhão.
As marcas das religiões afrobrasileiras no RS
Para muita gente, quando o assunto são as religiões de matriz africana, o Rio Grande do Sul pode não ser o primeiro Estado brasileiro a vir à mente.
Afinal, trata-se da segunda unidade da federação com menor população autodeclarada preta ou parda, com 20%, segundo o Censo de 2022, atrás apenas de Santa Catarina.
Mas uma consulta aos dados dos censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), porém, pode desfazer essa impressão.
No levantamento de 2010, o Rio Grande do Sul figurou como o Estado com maior percentual de adeptos da umbanda e do candomblé, as duas principais religiões afrobrasileiras, embora não sejam as únicas.
O Estado também foi campeão em números absolutos, de acordo com o Censo de 2010.
Os adeptos destas religiões representavam 1,47% dos gaúchos em 2010 — os dados sobre religião do Censo de 2022 ainda não foram divulgados pelo IBGE.
Isso representava um percentual bem acima do nacional, de 0,3%.
Mas pesquisadores acreditam que, em ambos os casos, os números podem ser ainda mais elevados, porque muitos adeptos tenderiam a se definir como católicos por razões familiares e culturais.
Evidências da afrorreligiosidade (ou, na expressão de Ari Oro, religiosidade afrorriograndense) estão por toda parte.
A maior festa em louvor a um orixá nas Américas não ocorre no Nordeste brasileiro ou no Caribe, mas ao longo dos mais de 200 quilômetros da praia gaúcha do Cassino, a mais extensa do mundo, no município de Rio Grande.
É a celebração de Iemanjá, no dia 2 de fevereiro, que atrai um público calculado em 300 mil pessoas, segundo os organizadores.
O peso das religiões de matriz africana transparece na própria linguagem.
Para boa parte dos gaúchos, a expressão “ser de religião” indica adesão a cultos afro.
“Quem é de axé diz que é”, resume um refrão corrente na comunidade afrorreligiosa local.
A compreensão do fenômeno, diz Vitor Queiroz, professor de Antropologia da UFRGS, exige em primeiro lugar um ajuste de contas com a ideia corrente de que o Rio Grande do Sul é um Estado branco.
“Acho curioso quando as pessoas falam que não veem negros em Porto Alegre. Digo: ‘Refaça sua operação ocular. Vá ao centro da cidade e simplesmente olhe”, afirma Queiroz.
Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em maio, em visita a atingidos pela enchente que assolou o Estado: “Não sabia que tinha tanta gente negra aqui”.
Lula acrescentou que teria ouvido da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que os negros “são os mais pobres e moram nos lugares mais arriscados”.
Segundo Queiroz, o mito do Rio Grande branco está relacionado à reprodução do preconceito e ódio racial e religioso, segundo Queiroz.
Em 5 de maio, no auge da enchente, a influenciadora Michele Dias Abreu atribuiu o desastre climático ao fato de o Estado estar entre os que abrigam “maior número de terreiros de macumba (sic)”.
“Deus está descendo com sua ira total”, apregoou a influenciadora no vídeo.
A repercussão negativa da injúria, que teve milhões de visualizações, levou o Ministério Público de Minas Gerais a denunciar Michele por prática e incitação à intolerância religiosa nas redes sociais.
Depois das medidas cautelares, a influenciadora desculpou-se, afirmando que o comentário havia sido “infeliz e desnecessário”.
A desinformação, segundo Queiroz, é produto de estratégias sociais e políticas de branqueamento da população gaúcha adotadas pelas elites gaúchas desde o século 19.
“Os símbolos do Estado são todos afroindígenas. O próprio gaúcho do século 19 é um peão (trabalhador de estância) de pele escura”, ressalta o professor da UFRGS.
O papel dos africanos na história do RS
A pesquisa historiográfica revela que a participação de africanos no povoamento do Rio Grande do Sul até o início do século 19 não se distinguiu do resto do país.
Em trabalho do início dos anos 2000, a historiadora Helen Osório sustentou que, entre 1780 e 1807, o percentual de escravizados de origem africana entre a população local oscilava entre 28% e 36%, patamar similar ao da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro.
A economia do charque (carne de sol), que impulsionou o crescimento da metade sul do Estado até o final do século 19, foi movida a braços e sangue africano, afirma Queiroz.
No Uruguai e na Argentina, onde o charque teve peso igualmente significativo, a presença massiva de escravizados nos saladeros (equivalentes platinos das charqueadas) e estâncias, tão ou mais relevante que a do Rio Grande do Sul, somente nas últimas décadas mereceu maior atenção dos pesquisadores.
Com importância econômica secundária em relação aos centros charqueadores de Pelotas e Rio Grande, os núcleos urbanos mais ao norte concentraram desde o início grandes contingentes de africanos e descendentes.
“Porto Alegre foi fundada no final do século 18 por colonos açorianos e seus escravos. A gente esquece que pelo menos um terço da população da cidade nos primeiros anos era de africanos ou afrodescendentes”, diz Queiroz.
Se o peso demográfico dos negros no Rio Grande do Sul equivale até o início do século 19 ao de outros Estados, o que explica a adesão mais pronunciada de religiões de matriz africana em solo gaúcho?
Por razões de colonização e defesa do território, a Coroa portuguesa e, em seguida, o Império brasileiro promoveram a instalação de colonos — inicialmente alemães, mas também franceses, suíços e italianos — no Rio Grande do Sul.
A procedência dos migrantes obedecia à intenção de, nas palavras da pesquisadora Vania Herédia, “branquear a raça”, ou seja, fortalecer o elemento branco na população brasileira.
Pesquisadores sustentam que a chegada de colonos de fé luterana, sobretudo alemães, contribuiu para estender a liberdade de culto — inclusive das religiões de matriz africana — ao enfraquecer o controle da Igreja católica no âmbito espiritual.
Para Queiroz, mais do que uma relação estanque entre as confissões, existe no Estado um “mercado mágico subterrâneo”, comum também em outros lugares do país.
“Às vezes, a pessoa não é afrorreligiosa e está, por exemplo, com a mãe doente. Tenta isso, tenta aquilo, e alguém diz: ‘Olha, a mãe tal no terreiro tal pode ajudar’. E a pessoa vai lá e encomenda um ebó (oferenda). Essa pessoa é o quê? Ela vai ao terreiro, às vezes escondida”, exemplifica.
Nem sempre as transações ocorrem nas sombras. O exemplo mais notório é o da relação entre o presidente (cargo equivalente a governador na República Velha) Antonio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961) e o príncipe beninense Custódio Joaquim de Almeida, que chegou ao Rio Grande do Sul no final do século 19.
A tradição oral atribui a Custódio o assentamento de ocutás (objetos sagrados associados a orixás) em distintos pontos de Porto Alegre.
O mais famoso é o chamado Bará do Mercado Público, simbolizado por um círculo de pedras no piso do prédio — o local exato do assentamento nunca foi revelado.
Outros estariam sob o próprio Palácio Piratini, sede do governo estadual, a pedido de Borges, na Igreja das Dores, no antigo pelourinho da Rua dos Andradas e até mesmo, segundo Queiroz, em um ponto do leito do Lago Guaíba.
A religião de Custódio, como a dos primeiros africanos em solo gaúcho, conforme Queiroz, era chamada de “nação” e hoje adota a denominação de batuque.
Originária do Golfo da Guiné, tem possível influência de mitos centro-africanos.
Como o candomblé — em relação ao qual é, nas palavras do professor da UFRGS, “um culto diferente de mesma raiz” —, o batuque venera orixás e utiliza o iorubá como língua litúrgica.
Embora seja visto pelos próprios adeptos como tradicional e ancestral, o batuque implantou-se há pouco mais de um século, no final do século 19.
Nos anos 1930, de acordo com Queiroz, surgiram no Rio Grande do Sul os primeiros terreiros de umbanda, poucas décadas depois de seu aparecimento no Rio de Janeiro.
Com elementos mitológicos centro-africanos, a umbanda é comumente definida como a mais brasileira das afrorreligiões.
Finalmente, mais recentemente figura a quimbanda ou linha cruzada, que acrescenta as divindades de Exu e Pombagira ao universo sagrado do batuque e da umbanda.
Na prática cotidiana, os três ramos (chamados localmente de “lados”) são entrelaçados.
“Batuque, umbanda e quimbanda podem coexistir no mesmo espaço. Trocam-se a decoração, o dia da semana, os frequentadores, mas existe convivência”, garante o professor.
Conflitos religiosos
Se as relações entre os “lados” são pacíficas, o convívio com outras confissões registra momentos de aberta hostilidade.
Por duas vezes, em 2003 e 2015, deputados ligados a igrejas evangélicas neopentecostais tentaram sem sucesso aprovar na Assembleia Legislativa projetos que proibiam o sacrifício de animais, prática corrente no batuque e na quimbanda.
No primeiro episódio, o Ministério Público do Estado ingressou com ação direta de inconstitucionalidade contra a decisão dos deputados no Tribunal de Justiça do Estado.
Diante de decisão desfavorável, interpôs recurso extraordinário junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Finalmente, em 2019, por unanimidade, a corte suprema decidiu pela constitucionalidade do sacrifício de animais em cerimônias religiosas.
A polêmica estimulou a criação, em 2014, do Conselho do Povo de Terreiro do Estado do Rio Grande do Sul, vinculado à Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.
A finalidade do órgão, segundo o decreto assinado pelo então governador Tarso Genro (PT), é “desenvolver ações, estudos, propor medidas e políticas públicas voltadas para o conjunto das comunidades do povo de terreiro do Estado, caracterizando-se como um instrumento de reparação civilizatória, na busca da equidade econômica, política e cultural e da eliminação das discriminações”.
Em um episódio mais recente de tensão, o padre Sérgio Belmonte, da paróquia de São Jorge, no bairro Partenon, provocou reação nas redes sociais ao anunciar, em 23 de abril, uma celebração interreligiosa no templo.
A data, consagrada ao santo guerreiro no calendário católico, é festejada também nos cultos afro em louvor a Ogum, orixá da guerra.
Diante da controvérsia provocada pelo anúncio, a paróquia anunciou que o ato interreligioso não se realizaria no interior da igreja.
Ainda assim, depois da missa, quatro homens tentaram impedir a lavagem das escadarias do templo por adeptos de religiões de matriz africana e tiveram de ser contidos pela polícia.
O arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, lamentou o episódio em entrevista à BBC News Brasil.
“Faz parte da missão própria da Igreja Católica promover, com outros fiéis, de maneira fraterna, respeitosa e convivial, o caminho da busca de Deus ou do divino, como quisermos”, disse o arcebispo.
O caso fornece, na opinião de dom Jaime, “sinais de um radicalismo, de um fundamentalismo que não caracteriza, que não faz parte da sã tradição católica nem faz parte daquilo que a Igreja, sobretudo depois do Concílio Vaticano 2º, tem defendido”.
O arcebispo tinha prometido ao padre Belmonte que estaria presente à missa de 23 de abril, mas foi impedido por uma forte gripe, sendo representado pelo bispo auxiliar, dom Juarez Destro.
Se tivesse comparecido, porém, disse que perguntaria, em primeiro lugar, se as pessoas que se manifestaram participam da vida ordinária da comunidade.
“Se sim, certamente merecem sim nossa orientação, nossa proximidade e, por que não dizer, o respeito. Até porque a Igreja não é feita de pessoas que pensam da mesma forma. Existem diferenças.”
Em polêmicas como a da paróquia São Jorge, observou, encontram-se “não raramente influenciadores digitais que promovem situações delicadas, que não estão participando da vida concreta de uma igreja particular e disseminam suas opiniões através das redes sociais, sem um compromisso de vida comunitária”.
No Quilombo Kédi, a busca dos moradores do reconhecimento de seu direito a ocupar o território se chocou com as pretensões da Igreja.
Erguido no ponto ocupado pelo terreiro de mãe Eva, o prédio da associação ainda ostentava, em abril, acima da placa do quilombo, um letreiro onde se lia “Igreja Santa Edvige, filiada à Paróquia Nossa Senhora Mont’Serrat”. Ao lado, um aviso: “Missas aos sábados às 15:30”.
O espaço foi utilizado por dez anos por catequistas católicos em missão de conversão junto aos moradores — sem sucesso, informa o advogado Onir Araújo.
Fluminense de Niterói e ativista social há 40 anos, o assessor do Quilombo Kédi radicou-se na capital gaúcha há mais de duas décadas, mas não consegue evitar a emoção ao falar da terra adotiva.
“Porto Alegre dorme todas as noites ao som de tambores de matriz africana”, comenta Araújo. “Em todos os bairros, se você apurar bem o ouvido.”
Fonte - https://www.bbc.com/portuguese/articles/c06kd76587yo








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